Terça-feira, Março 31, 2009

Um papo com o Prof. Gumbrecht, Freyre e Henry

Domingão foi publicado um interessante artigo de um alemão que dá aula de literatura em Stanford. Aqui neste blogue, no texto Pobres ou ricos todos têm suas experiências estéticas, o grande professor de literatura e grande amante dos esportes Hans Ulrich Gumbrecht foi apresentado a você, leitor daqui do Na Cal.

O autor do ótimo livro Elogio da Beleza Atlética, começa o seu texto colocando que:

Isto não é sobre a - até agora - muito medíocre performance da seleção (brasileira) nas eliminatórias para a Copa do Mundo de 2010.

Pois é, o Mundo pode ficar quieto, mas quem entende de futebol acompanha de perto a Seleção brasileira.

O cara foi profético: (O Brasil...) provavelmente empatará(... com o Equador).

Ele coloca que o nosso futebol sempre teve grandes craques dentro de campo e um ambiente sempre medíocre fora das quatro linhas. Gostei da sua referência ao nosso Anão-Técnico: um treinador absolutamente inexpressivo (que já foi um jogador muito pouco impressionante).

O argumento central é que, ao contrário de alguns anos atrás, Não existe hoje, de fato, nenhum grande jogador de futebol brasileiro na ativa. Os craques dos melhores campeonatos de times, o espanhol e o inglês, não são brasileiros. O que estaria mais perto desta condição seria Kaká, mas este jogador, pro alemão, sofre com lesões que nenhum médico sério consegue sequer identificar.

Ele não é louco a ponto de falar que é hora de enterrar o futebol brasileiro; como todo mundo, sabe que somos favoritos pras próximas copas. Coloca que o último grande brasileiro foi o Ronaldinho Gaúcho do Barcelona.

Depois de umas masturbaçõesinhas sobre a Copa passada, ele abre o foco para explicar seu ponto de vista sobre crise no futebol brasileiro. Após passar por Gilberto Freyre, a ferida é cutucada: Talvez ele (Ronaldinho Gaúcho) - e as centenas de jogadores brasileiros que se saem apenas bem em tantas ligas espalhadas pelo mundo - talvez ele e esses jogadores bastante bons sejam a personificação de uma compreensão fraca de democracia social: ainda é possível ganhar muito dinheiro no segundo escalão do futebol - e mesmo sentado no banco; não há necessidade de assumir responsabilidades enquanto se encontra uma maneira de se esconder atrás de lesões e técnicos medíocres, para ficar jogando videogames numa casa de U$ 2 milhões. Sobretudo: não se exponha ao esforço extremo.

No final, deixa uma esperança para os seus leitores brasileiros: (um novo) Romário ainda emergiria de um mundo de força proletária.

Essa referência classista ao baixinho do Prof. fica mais clara com um outro texto seu que coloca que Nenhum outro acontecimento do século 20 (a Revolução Russa de 1917) inspirou esperanças tão grandes, mais intensas e mais nobres, quanto as despertadas por Leon Trotsky; nenhuma ideologia política contemporânea constituiu uma homenagem maior para a humanidade do que sua fé no advento de uma "Revolução permanente"(...).

Ou seja, pelo jeito, o coração do Professor tem uma quedinha ideológica que me impede de concordar com sua conclusão.

Acho que a força do futebol brasileiro vem justamente da nossa sociedade desigual. Tal qual o samba, não há outra porta aberta aos jovens pobres brasileiros. Infelizmente, o Thierry Henry tem um argumento forte:

Quando eu era criança, ia à escola das 7 horas da manhã às 5 da tarde e, quando queria jogar bola, minha mãe não deixava. Dizia que estudar era mais importante. No Brasil, as crianças jogam das 8 às 18 horas. Em algum momento a técnica aparece. [...] [no Brasil as crianças] nascem com a bola nos pés. Na praia, na rua, na escola. Onde quer que você olhe, eles estão jogando. (fonte)

Quem não tem papai e mamãe e não quer ir pro crime só vê muitas oportunidades de sucesso nesta pátria amada com uma bola ou um pandeiro. Sei que este ponto de vista tira muita força do construído em Casa-Grande & Senzala, que eu adoro, mas não consigo perceber muito além disto.

Leia todo o artigo A crise de um futebol sem rosto se se interessou, tá certo que poderiam ter colocado um título melhor.

Abraços,

Domingo, Março 29, 2009

Equador e Brasil ao vivo

Marcelo manda uma bola forte (18:05);

Luciano reclama que não pode dar o time só na hora que a equipe entra em campo. O cara deve tar de brincadeira. A TV não é o centro do espetáculo (18:07);

Neste primeiros 15 minutos, é necessário segurar a onda dos equatorianos (18:08);

Tomará que eles acreditem que possam ganhar e continuem a atacar o Brasil (18:10);

Mas não é pra tomar tanto calor assim (18:17);

Os times do Anão só jogam com emoção, essa bola na trave deve estar nos planos do mestre (18:23);

É hermano, quem não faz toma (18:26);

Agora tão até roubando pro Brasil (18:38);

E o calor equatoriano no Brasil continua, sorte que o santo é forte (18:41);

Sorte que eles não são bons de tática (18:47);

Final do 1o tempo, a sorte esteve com o time do Anão (18:50).


2o Tempo

O árbitro dá outra mão pro Brasil logo no comecinho (19:07);

O juizão não vai dar um penalty duvidoso pro Brasil, nem adianta tentar (19:12);

A sorte é mesmo que os caras são fracos de bola (19:18);

Primeiro chute brasileiro que colocou o adversário em perigo (19:22);

Mas o calor equatoriano persiste (19:23);

Júlio Baptista no lugar do Ronaldinho Gaúcho (19:32)

La bestia, Júlio Baptista, inaugura o placar (19:33);

No entanto, o calor dos caras é o mesmo, o Dunga é um gênio ...rs... (19:36);

Nem parece que eles levaram um gol, tá tudo na mesma (19:40);

Tocar a bola é coisa que não se viu até agora, pelo menos tão a tentar agora (19:47)

O Luis Fabiano não tá com aquela sorte de artilheiro, essa bola na trave foi um pecado (19:49);

Gol do Equador (19:50);

E os caras animaram e só metem pressão no Brasil (19:53);

Fim de jogo, que lástima (19:54).

Terça-feira, Março 24, 2009

Rio Claro foi o destaque do final de semana

O Na Cal estava em falta com você. Ficou neste lero-lero de violência terceiro-mundista em nosso futebol e não apresentou quem mereceu destaque.

Apresento as nossas desculpas!

O Aguinha meteu 4 a 0 em seu caminho de volta para a 1ª divisão do Paulistão. Veja classificação do campeonato e os golaços da última peleja:

No sítio, você pode acompanhar a TV Galo Azul.

Enquanto isso, os velistas ficam se remoendo. Mas não há muito que possam fazer felizmente.

Abraços,

Domingo, Março 22, 2009

Presidente leva bronca da Organizada

O Corinthians acaba de vencer o Santos num jogo bem meia boca. A bola correu muito mas faltou habilidade para grandes jogadas e belos chutes ao gol no meu modo de ver.

O lance mais aclarador do jogo foi após o apito final.

Tal qual o comentarista Neto indicou discretamente, foi a intervenção do Presidente do Santos, Marcelo Teixeira, na treta entre a Torcida Jovem e o Choque PM paulista o que me marcou.

Pelas informações do repórter, após a derrota, os santistas quiseram chegar perto da grade que divide as torcidas e a pm impediu o contato mais íntimo. A tevê mostrou os torcedores indo pra cima dos poucos policiais militares que estavam por lá.

A inferioridade da pm durou alguns minutos e membros da organizada só passaram para a posição ofensiva quando mais militares chegaram. Após a inversão das forças os organizados passaram a querer mostrar uma bandeira branca.

O Sr. Teixeira só apareceu para impedir que a PM desse umas bordoadas nos que antes queriam bater.

O mais interessante é que os membros da organizada falaram alto, reclamaram, com o Presidente do Santos de forma clara. Queriam que o Sr. Marcelo segurasse os policiais.

O modo que os torcedores se comunicavam com o Sr. Marcelo Teixeira indicou que há uma relação entre a Torcida Jovem e o Presidente do Santos que vai além do usual. As cobranças captadas pelas tevês indicam que há mais tempero neste prato.

Ninguém, nenhum torcedor, desce a lenha num presidente de clube se não tiver alguma coisa que fundamente seus argumentos. As cobranças indicam que há uma relação mais intensa entre a organizada e o presidente.

Veja as notícias:

Clássico termina em confusão na torcida do Santos, na Gazeta Esportiva;
Clássico no Paulistão, fotos no Esporte UOL;
Presidente do Santos protesta contra a briga no Pacaembuvídeo no Estadão;
No Pacaembu, torcedores do Santos brigam com a Polícia Militar, vídeo no Globo.

Abraços,

Sexta-feira, Março 20, 2009

A superestrutura que persiste

Em honra aos furúnculos esquerdistas que viviam no bumbum do teórico das lutas de classes, gostaria de cometer outra heresia: aplicar Marx ao ludopédio.

 

Do pouco que sei do barbudo, as revoluções tem causas profundas e são conseqüências quase que necessárias com o passar do tempo se não se adapta às novas realidades.

 

A idéia é basicamente a seguinte: há o que ele chama de superestrutura que domina e uma base sócio-econômica que é controlada pelos de cima.

 

Para que haja uma certa forma de dominação, é preciso que haja uma compatibilidade entre as categorias. Por exemplo, não adianta a Igreja reclamar que não tem mais influência hoje em dia se as pessoas não vivem mais na Idade Média.

 

Isso, por exemplo, acontece em casa também. Aquele pai que fala para a sua filha de 6 anos que há um bicho-papão no quintal durante a noite deve mudar o seu discurso com o passar do tempo se não quiser ser vovô uma década depois.

 

Mas, passando para o futebol, o Mundo mudou muito economicamente. A China é a maior credora da dívida externa estadunidense e o Brasil, quem diria, também é um dos grandes credores do Tio Sam.

 

Assim, o futebol europeu tende a perder força para os times de fora dos tradicionais da Europa Ocidental e ser mais valorizado fora, nos mercados emergentes.

 

No entanto, não tenho certeza que essa forma de gestão que é aplicada à CBF, às Federações estaduais e à maioria dos clubes se perpetue.

 

Ao olhar para a minha bola de cristal vejo que algumas notícias de corrupção sairão das obras para a Copa nossa de 2014. A depender do volume delas, o estrago poderia ser suficiente para dar uma limpada na área futebolística.

 

Pode ser que seja muito mais uma vontade minha do que uma visão de futuro fundada em fato. Mas, enfim, vou aguardar pra ver o que rola por ai e tomar algumas atitudes práticas que possam contribuir para que tenha-se um futebol melhor administrado por aqui.

 

Abraços,

Quarta-feira, Março 18, 2009

Vídeos de Rafael: o marketing viral e o futebol

Hoje eu recebi uns vídeos por e-mail do amigo santista. Dei uma olhada no You Tube e encontrei estes:


Propaganda viral é uma idéia muio boa.

O final deste último valeu a pena.

Abraços,

Terça-feira, Março 17, 2009

Futebol brasileiro ganha o centro do Mundo

O Grande Irmão contemporâneo tem vários tentáculos. Além do Orkut e do Blogger, gosto do Google Trends.

Pesquisei a palavra FUTEBOL. Veja que resulta estranho:


É intrigante a audiência da palavra da língua portugesa FUTEBOL. Só Brasil e Portugal utilizam-na. Como todo mundo já sabe, em inglês é football ou soccer, em alemão é algo próximo a fussball e em japonês é algo que nem sei.

Ou seja, esse povo que tá bombando as buscas usa a definição do Aulete:

(fu.te.bol) sm.

1. Esp. Jogo disputado por duas equipes de 11 jogadores cada, num campo que possui dois gols, e cuja finalidade é, sem usar as mãos, fazer com que a bola entre no gol do adversário: "... quem negará ao futebol esse condão da catarse circense..." (Oswald de Andrade, Ponta de lança))

2. Fig. Técnica, estilo de jogar futebol

[F.: Do ing. football.]


Mas estranhei muito quando fui checar se eram os brazucas ou os portugas quem estava a fazer essa onda de buscas igual a de época de copa. Não fomos nós e nem os da Terrinha. Veja:




Tanto lá, quanto cá o público boleiro é o mesmo. Bem abaixo da época de copa.

Consequentemente, fiquei obrigado a descobrir a origem dessas pessoas que buscam pela palavra futebol fora CPLP. Pois, nos outros países lusoparlantes não há muitos computadores.

Esse aumento vem dos países desenvolvidos. Veja:






E, principalmente, no centro do mundo:


Acho que os migrantes começaram a ter filhos e contar as histórias sobre os grandes times das suas terras natais ou qualquer outra explicação que lhe pareça mais interessante.

Mas o ponto é que, antes da volta do Gorducho, o Mundo já olha para o que ocorre aqui com um interesse muito maior. Isso será muito bom para nós.

Abraços,

Domingo, Março 15, 2009

Carteirinhas e a Copa de 2014

É uma palhaçada essa idéia de querer impor carteirinhas aos torcedores. Minha tia me contou que viu uma pergunta interessante ao Exmo. Ministro do Esporte.

O repórter perguntou e se um amigo estrangeiro dele viesse passar férias no Brasil e quisesse ir ver um jogo, como seria?

O Excelentíssimo não respondeu à pergunta, só mandou um papinho furado dizendo que essa situação não é a regra e ele não trabalha com a exceção. Que chance de ficar quieto ele perdeu.

Mas, indo ao que interessa, creio que esse absurdo de querer impor carteirinha é só mais um bom indicador dos muitos abusos que veremos até a nossa Copa em 2014.

No Blog do jornalista Fernando Rodrigues há um bom texto que explica bem o lado autoritário dessa medida. Este é fundamental:

A carteirinha do Lula

O que chama mais a atenção nesse caso da carteirinha para 100% dos torcedores interessados em assistir jogos de futebol em estádios é o fato de muita gente achar natural um governo sair por aí fichando pessoas.

Trata-se de uma distorção na formação do Estado brasileiro. Aqui, ter documento é quase um dever, não um direito.
(...)
Ocorre a poucos que o Estado precisa, na realidade, prover segurança geral sem ter de tolher o direito de os cidadãos não aceitarem ser fichados ou catalogados.

Mas assim vai se construindo um país. O Brasil.

Fernando Rodrigues

O jornalista foi direto ao ponto com precisão.

Abraços,

Sábado, Março 14, 2009

Rede Bobo não conhece internet

Não acreditei muito quando ouvi de um funcionário da Record que o povo da televisão não sabe direito o que é a rede mundial de computadores. Ele falou que mesmo lá na dita super poderosa Rede Bobo não há muita gente preocupada com a internet.

O povo dessas grandes empresas de comunicação só reage às novidades, nunca tão na frente de nada. Particularmente, tenho a impressão que uma grande empresa não tem agilidade para propor o novo. Mas eles não precisariam concordar comigo, poderiam, pelo menos, tentar mostrar que estou errado.

Todo esse intróito foi necessário para eu confessar um pecado aos olhos de muitos do mundo futebolístico: não tinha visto os gols da goleada do São Paulo e, o pior, nem os do Corinthians de quarta!!!

Agora de pouco, fui ao sítio da rede bobo e me deparei isto:

Os caras não têm noção de nada? Será que nunca ouviram falar da histórias dos caras que fizeram o Hotmail numa época que só tinha conta de e-mail paga? A Microsoft pagou U$ 400.000.000,00 aos caras em função dos seus 20 e tantos milhões de clientes.

O resultado da minha história com os gols não assistidos é que fui ver os gols de quarta no YouTube. Empresa que também tem uma história parecida com a do Hotmail. Menos fluxo é menos grana, será não sabem disso?

Quanto ao gorducho, deu pra ver que ele não arriscou trepar no alambrado, apesar da notícia que a Prefeitura ter reforçado a divisória a espera do craque. Será que ele não confia nos políticos?

Também faltou-lhe gana para trespassar as propagandas. Como é muito mais rentoso que ele comemore junto as marcas patrocinadoras, tenho a impressão que botaram-nas um ou dois palmos mais altas para segurar a fera. Mas não se preocupem, quando ele emagrecer tudo, vai passar qualquer uma.

Abraços,

Quinta-feira, Março 12, 2009

O problema de Ibson e Fábio Luciano

Os dois são peças-chave no time. Na ausência do zagueiro, a defesa se desarticula, fica tal qual um queijo suíço, uma festa para os atacantes. O meia tem raça, é bom no desarme e também nos passes e lançamentos. Mas o que acontece com esses dois, que vivem suspensos?

Fábio Luciano é irresponsável, mostrou isso no jogo de ontem contra o Duque de Caxias, quando foi premiado com mais um cartão amarelo no pênalti que deu origem ao primeiro gol do time da Baixada. Ele é líder, sim, e comanda a zaga como ninguém. Mas precisa frequentar um psicólogo!

Já para Ibson, a única explicação que eu encontro é que ele forçou o cartão vermelho para descansar contra o Tigres e poder enfrentar o Vasco sem preocupação. Mas o cara também toma cartão demais, desfalca o time que fica sem base no meio-campo.

A notícia ruim de ontem é que o Flamengo talvez venda o Leonardo Moura. Justo agora que encontrou nele um armador, o melhor dos últimos anos, o time pode jogar o ano de 2009 pela privada. A situação financeira e desesperadora e não há sequer um administrador decente no clube. Léo parece querer ficar, mas a gente já sabe que o Márcio Braga está gagá...

A dor no futebol

Quando se é criança pequena, tem-se uma visão mágica do jogo. É algo bom porque, geralmente, o pai gosta e o pequeno quer imitá-lo. Por exemplo, tenho uma amiga, criancinha no início dos anos 80, que torcia para o Zico e para o Fluminense naquela época. Seu pai é tricolor e o Galinho de Quintino era o craque da vez naqueles tempos.

Lá pelos 7, 10 anos, é que começa-se a entender a derrota tal qual os adultos a vêem. Não sei se é um crescimento, uma evolução isso, creio que é diferente só.

Mas é a dor que marca, que impõe o desafio.

Nos 12, 14, têm-se as peneiras e, novamente, novas frustrações. Nessa idade já há peladinhas com amigos que marcam a nossa memória para sempre.

Eu me lembro de alguns lances bons que fiz e de outros que senti na pele. Sem tomar um drible, sem tomar um gol não se dá valor aos gols que você ou seu time faz.

Não tem jeito, acho, de existir o belo sem o feio como parâmetro.

Tem estas duas obras de arte que representam bem a dor que, por exemplo, o Brasil sentiu em 50.


Este quadro tem o título de As velhas ou O Tempo e a Velha Mulher e é de Goya. Se gostou, veja toda a obra dele no Web Gallery of Art.

Também gosto muito do Augusto dos Anjos. Separei, para você, da sua obra este poema:

INFELIZ

Alma viúva das paixões da vida,
Tu que, na estrada da existência em fora,
Cantaste e riste, e na existência agora
Triste soluças a ilusão perdida;

Oh! tu, que na grinalda emurchecida
De teu passado de felicidade
Foste juntar os goivos da Saudade
Às flores da Esperança enlanguescida;

Se nada te aniquila o desalento
Que te invade, e pesar negro e profundo,
Esconde a Natureza o sofrimento,

E fica no teu ermo entristecida,
Alma arrancada do prazer do mundo,
Alma viúva das paixões da vida.



O bom do futebol é que não é preciso muita bagagem para sentir o belo, o feio, as emoções. Há uma conexão direta entre o jogo e os torcedores.

Abraços,

Terça-feira, Março 10, 2009

Pelo jeito, o Planalto é pouco pra Ronaldo

Ontem foi lançada a candidatura de Ronaldo para a Presidente do Brasil aqui neste blogue.

Mas, pensando bem, pode ser que o Palácio do Planalto seja pequeno para o Ronalducho.

O Mundo todo presta atenção nele.

Mas eu não estou falando dos jornais do velho mundo ocidental caquético que a imprensa brasileira adora citar e copiar.

Veja algumas manchetes dos novos centros do poder mundial:

Роналдо забил первый гол после возвращения на поле, na Rússia;

Ronaldo golle buluştu!, na Turquia;

Kis híján tragédiát okozott Ronaldo gólja, na Hungria;

Ronaldo scores first goal in more than a year in 1-1 tie against Palmeiras, na China;

Ronaldo scores first goal for Corinthians, na Índia.

Nesta última manchete, a da Índia, até o time da marginal sem número ganhou um promoção no vácuo do ronalducho.

Mas também não dá para deixar de notar o pessoal do Parque Antártica também faturou com a notícia da China. Ou seja, há males que causam bons resultados.


De brinde, a música Sou Ronaldo, do Marcelo D2, em mp3 para download.
Abraços,

Domingo, Março 08, 2009

Ronalducho conhece seu Andrada

O os rojões no céu paulistano dão conta que algo tão grande quanto um título aconteceu. Também escuto aquelas buzinas características das conquistas.

Os palmeirenses do prédio gritam que foi só um simples empate de 1 a 1 e xingam os adversários felizes com o gol do craque.

Mas acho que os corinthianos estão certos em comemorarem.

Não falo isso para insinuar que alegria de pobre é só quando o pão cai no chão com a manteiga virada para cima.

Creio, repetindo-me mais uma vez, que o nosso futebol tem de vender imagens dos gols de seus craques e não os craques.

O Mundo inteiro vai falar do gol do gorducho lá em Presidente Prudente. O cara colocou a urbe para todos os terráqueos verem. Creio que Araçatuba vai ficar com um ciuminho.

Não sei quais são as pretensões do 9 do Coritnhians, mas se ele resolver ficar um ou dois aninhos no Parque São Jorge e parar de se acabar nas baladas de maneira pouco discreta, ele pode se candidatar a Presidente do Brasil em 2010 mesmo. Se o Túlio se elegeu vereador sem nenhum título de Copa do Mundo, não é um absurdo achar que o nosso eleitorado não o elegeria para Chefe da República.


Abraços,

Quarta-feira, Março 04, 2009

Vou assistir Quem quer ser um milhonário ao invés de ver a estréia do Ronalducho

Nada de brincadeiras hoje.

Logo mais, lá pelas 9 horas, vou ao cinema ver o filme que ganhou vários Oscares.

Não tenho bola de cristal, mas do jeito que o trem tá indo, com ou sem vitória hoje a noite, o Corinthians está a virar mulher de malandro.

O grande problema de se colocar todas as fichas em um só número quando se joga roleta é que fica muito arriscado. As fichas espalhadas por vários números diminuem o risco para o jogador.

Mas como corinthiano faz questão de se intitular sofredor, até que cai bem ter o Ronalducho em seu time. No final, os sofredores poderão entoar que emoções eu vivi! É claro que não dá para saber que tipo de emoção de antemão.

Abraços,

Em resposta ao Rafael, eu gostei bastante do filme. No sabadão, fui de novo. A história é muito bem contada; a direção é muito boa; o filme é cheio de referências à realidade mundial, mas só um olhar mais atento percebe, não atrapalham a história como nesses filmes pseudo-politizados que há por ai...

Terça-feira, Março 03, 2009

Paz no condomínio hoje

Moro na parte verde de São Paulo. Sempre que há um gol do Palmeiras os meus vizinhos nunca me deixam sem saber que as redes de seus adversários balançam.

Hoje, excepcionalmente, não houve maiores comemorações por aqui por perto. Só agora, quase meia noite, lembrei-me da partida e vi que o Colo-colo venceu e colocou o sonhado título sudamericano em sério risco.

Pelo jeito, o Lucsa não dá sorte fora dos torneios só de brasileiros. Não custa lembrar que o Felipão está a procura de um emprego.

Então, cabe prestar as honras da noite ao histórico líder indígena Colo-colo. Sempre é bom lembrar que a sociedade chilena, tal qual de outros hermanos latinos, é bem segregada entre os brancos, filhos dos espanhois dominadores, e os índios.


Não que aqui seja diferente. É só ver se a proporção de negros, mulatos, índios e mestiços dentro dos campos é a mesma nos cargos de técnicos, nas comissões técnicas ou entre os cartolas.

Imaginem quantos pelés e garrinchas da medicina os brasileiros jogam fora todo dia!? Não dá para culpar os políticos, eles não estão lá a toa. Eles não se sentem tranqüilos* para fazer o que fazem se tivessem receio de você, de mim, de todos nós.

Mas, de volta para o Palestra, um bi no paulista não seria ruim. Então, não é preciso chorar o leite derramado.

Abraços,

* Ainda a trema ainda vive!!!

Segunda-feira, Março 02, 2009

Portuguesa: onde é bom ser técnico

O Mário Sérgio Pontes de Paiva é o técnico da Lusa atualmente. O cara tem sorte se queria uma sombra. São vários fatores que conspiram para que o cargo dele seja tão bom. Veja uma lista rápida:
 
1) O Canindé é bem localizado. Nem precisa ir para os confins da ZL ou peregrinar pelo Brasil adentro, bem longe da família que viva em terras paulistanas.
 
2) A imprensa não pega no pé, não enche o saco, não inventa crise. Um sossego total. O jornalistas desportivos paulistanos adoram o lema bad news is good news. Toda hora tem crise em algum dos três grandes. Preste atenção. Eu aprendi essa lição de uns amigos mineiros que perceberam bem a diferença entre as constantes crises aqui e paz que reina por lá. Na Lusa é um pouco o clima mineiro na beira do Tietê.
 
3) A torcida tem cara. Os jogadores e a comissão técnica pode conhecer os torcedores se quiserem. Não há milhões de torcedores que tornam a relação bem impessoal.
 
4) Os torcedores dos outros times tem a Lusa como uma espécie de irmão menor. Há uma simpatia.
 
5) Ninguém espera um Projeto Tóquio na Portuguesa. Caso o time não seja rebaixado, tá tudo em casa.
 
Só é uma pena que a parte social, as piscinas, do clube estejam tão perto do acesso dos torcedores. Assim, não dá para a família usufrir das facilidades em dias de jogos.
 
Abraços,