Papo vai, choppe desce e um cara estranho cola na roda e começa a xavecar a amiga jamaicana. A menina faz uma cara de nojo e eu entro em campo com assunto mais batido que brasileiro pode ter: football!!!
Eu não tinha noção do grau de importância do futebol brasileiro por esse Mundo a fora. Já tinha ouvido falar muito disso ou daquilo, mas quando o fato está diante dos seus olhos a coisa muda de figura.
Após dois dedos de prosa, o estranho se apresentou. O cara é sudanês, chama-se Amin e adora o Sócrates que ele viu jogar em 82. Dê uma olhada no cara:
Fora o Doutor, é lógico que ele também adora o Romário, o Bebeto, os Ronaldos...É claro que a sua pronúncia não é a mais palatável possível e necessária uma boa vontade com o cara. Ele, assim como vários ingleses, também quis saber sobre o Kaká e o Dunga.Mas a principal mensagem que ele me passou, de forma consciente, apesar das biritas dele e minhas, é que as pessoas, que não são dos países ricos, gostam do futebol brasileiro porque, dentro das quatro linhas, o Brasil é um Davi que vence os Golias dos outros esportes, da economia, da força militar, das universidades...
O povo da Afríca, da Ásia e da maior parte da América Latina se sente representado pelos jogadores brasileiros nas Copas do Mundo.
O Amin, mais de uma vez, disse-me que adora ver o Brasil derrotando Alemanha, Itália, França, Inglaterra... Ele sente como se fosse uma vitória do seu Sudão sobre uma das ex-metrópoles coloniais.
Já durante o papo, fiquei pensando na Argentina. Por que será que os hermanos, que também têm um bom futebol, não conseguiram ocupar esse espaço nos corações dos terráqueos?
Muitos argumentos me vieram à cabeça; mas, pra resumir, é porque os caras são metidos.
Depois disso, fiquei mais impressionado com a qualidade dos dirigentes do futebol brasileiro. Como os caras conseguem perder tanto dinheiro desse jeito?
Bye,





