Portugal sofreu apenas um gol, o da eliminação. Marcou apenas em uma partida também: contra os cones da Coreia do Norte. Equipe desencontrada, muitas mudanças de jogadores nas 4 partidas que disputou. Teve nas três posições de ataque Liédson, Danny, Hugo Almeida, Simão e Cristiano Ronaldo, que chegou cheio de nome e marra, mas pouco apareceu na Copa.
Cristiano é sim um dos melhores do mundo. Tem habilidades incríveis, velocidade, força, drible perfeito e chutes fortes e perigosos. Não precisa nem de espaço para jogar. Mas precisa de um bom time e de um papel tático definido, preferencialmente como um atacante aberto pela direita. No esquema várzea do "jogue como quiser" em que foi escalado no Mundial tende mesmo a desaparecer. Especialmente quando a equipe é totalmente envolvida pelo adversário. O placar apertado é muito devido às ótimas defesas do goleiro Eduardo, o destaque do jogo.
Além do goleiro português brilhou a Espanha como um conjunto. A equipe chegou favorita à Copa justamente pela força de seu conjunto. Por jogar um futebol envolvente, botar o adversário na roda e trocar passes até que os marcadores se cansem de correr atrás e permitam o espaço para a infiltração ou a conclusão. Jogadores como Xavi, Iniesta ou Fabregas trocam posição no meio e passes desconcertantes. Xavi altera o ritmo da partida, quebra a sequencia lógica dos passes e costuma colocar os atacantes na cara do gol. Pelo Barcelona dá um passe brilhante a cada cinco minutos. Na seleção o rendimento cai um pouco [os passes não encontram Messi ou Ibrahimovich], mas ainda faz o futebol de David Villa crescer. Espero ansiosamente o encontro dos dois com os outros craques no Barça. Mas na Copa Villa já faz a festa. Marcou mais um, alcançou os artilheiros e ainda levou mais calor pro adversário. Torres é que não se encontrou ainda. O esquema de hoje começou meio confuso. Se na partida passada Villa abria pela esquerda, Iniesta pela direita e Torres posicionava-se como o centroavante, recebendo de costas para fazer pivô ou virar batendo, hoje Iniesta centralizava pelo meio com Xavi e Torres abria pela direita, estando muito menos incisivo. Ainda se recuperando de contusão é a decepção espanhola na Copa.
Paraguai não é adversário pra esse time. Seu grande jogo será a semi contra Argentina ou Alemanha. Aí sim, hora de confirmar favoritismo.
Terça-feira, Junho 29, 2010
paraguai 0 x 0 japão
Enfim, penaltis!
O jogo não foi dos melhores [e também não era lá muito aguardado], mas Japão e Paraguai entraram em campo com muito mais prudência que vontade de ganhar. E justamente por isso que nos 30 minutos de prorrogação rolou muito mais jogo que nos 90 regulamentares. Muita gente congestionando o meio campo, pouca objetividade e raras ameaças de gol dos dois lados.
O time japonês é bem equilibrado. Alternou momentos na fase de classificação, mostrando que sabe se fechar, mas que sabe também sair pro jogo e toca bem a bola. O atacante Honda é técnico e veloz. Bom pro Japão. Todos muito esforçados e aguerridos, ficaram no azar dos penaltis.
O time paraguaio é de fato mais forte. Com mais recursos humanos, conta com Santa Cruz, Barrios ou Valdez, e passa por preparação muito mais forte: as eliminatórias sulamericanas. Mas acho um time sem criatividade. Não deve apresentar mais que resistência a Espanha ou Portugal.
O jogo não foi dos melhores [e também não era lá muito aguardado], mas Japão e Paraguai entraram em campo com muito mais prudência que vontade de ganhar. E justamente por isso que nos 30 minutos de prorrogação rolou muito mais jogo que nos 90 regulamentares. Muita gente congestionando o meio campo, pouca objetividade e raras ameaças de gol dos dois lados.
O time japonês é bem equilibrado. Alternou momentos na fase de classificação, mostrando que sabe se fechar, mas que sabe também sair pro jogo e toca bem a bola. O atacante Honda é técnico e veloz. Bom pro Japão. Todos muito esforçados e aguerridos, ficaram no azar dos penaltis.
O time paraguaio é de fato mais forte. Com mais recursos humanos, conta com Santa Cruz, Barrios ou Valdez, e passa por preparação muito mais forte: as eliminatórias sulamericanas. Mas acho um time sem criatividade. Não deve apresentar mais que resistência a Espanha ou Portugal.
brasil 3 x 0 chile
Apesar de sair da Copa com apenas 3 gols marcados, a palavra "ofensivo" foi a que mais se usou para definir a equipe chilena. Bielsa ousou mandar a equipe armada com vários atacantes e meias ofensivos em todas as partidas, inclusive contra o Brasil. Algumas vezes no 4-3-1-2, com Valdívia e um par de atacantes de movimentação, outras no 4-3-3, sem Valdívia, mas com Suazo representando maior poder de fogo. Contra o Brasil, um adversário de defesa forte, pouco ameaçaram. Alguns erros de escalação [depois corrigidos com substituições] atrapalharam o rendimento da equipe. Os desfalques defensivos pouco fariam falta. Ruins por ruins, que joguem os reservas. Mas o que fez muita falta ao time foi a criatividade de Matías Fernandez.
Reforçado pelas contusões de Felipe Melo e Elano, o Brasil convenceu e venceu fácil. Com Dani Alves e Ramires tem um time mais rápido, leve e bem menos brucutu. Destaque nas outras partidas, Maicon esteve apagado, mas nem fez falta. Lúcio é o dono da bola: desarma, grita e corre para o ataque.
O obaoba em função da vitória elástica sobre um time fraco de mentalidade ofensiva me parece perigoso. O ataque continua sem jogar bem. Kaká ainda não é sombra do que deve ser e Luis Fabiano e Robinho erram mais que acertam. O grande trunfo de todos eles é vestir a camisa amarela.
Reforçado pelas contusões de Felipe Melo e Elano, o Brasil convenceu e venceu fácil. Com Dani Alves e Ramires tem um time mais rápido, leve e bem menos brucutu. Destaque nas outras partidas, Maicon esteve apagado, mas nem fez falta. Lúcio é o dono da bola: desarma, grita e corre para o ataque.
O obaoba em função da vitória elástica sobre um time fraco de mentalidade ofensiva me parece perigoso. O ataque continua sem jogar bem. Kaká ainda não é sombra do que deve ser e Luis Fabiano e Robinho erram mais que acertam. O grande trunfo de todos eles é vestir a camisa amarela.
Segunda-feira, Junho 28, 2010
Complexo de vira-lata na nossa imprensa

Pode até ser que não, mas a impressão que dá é que os da imprensa desportiva brasileira não leram nem as frases famosas do melhor cronista esportivo que o Brasil já leu. É claro que estou a falar de Nelson Rodrigues! Ele é o criador do conceito: complexo de vira-lata:
Por que eu coloco isso? Depois da vitória do Brasil sobre o Chile, passeei pela imprensa desportiva alienígena e, depois, pela indígena.
Dê uma olhada nas manchetes lá de fora primeiro:
Brasile, che lezione al Cile Tre gol, corsa, potenza... (Gazzetta Dello Sport)
Be It Rhythmic or Ruthless, Beauty Is in the Eye of Brazil (New York Times)
Brasile, che spettacolo! Cile travolto, ora l'Olanda (Corriere Dello Sport)
Fue un Robinho, Bielsa (Olé)
Agora, a brasileira:
Brasil passeia contra maior freguês da era Dunga e agora pega Holanda nas quartas (ESPN Brasil)
Brasil segue roteiro, vence o freguês Chile por 3 a 0 e avança às quartas (Globo Esporte)
Opinião: Brasil vence, convence, mas podia ter enfiado mais três (da TV Bandeirantes)
Fiquei impressionado com o respeito que a seleção brasileira tem na Inglaterra e na Itália e não há nada a me mostrar que não se pense assim no resto do Mundo.
As manchetes mostram esse jeito oblíquo de dizer que não gostam do Dunga. Ou pedir mais gols ou falar que o Chile é freguês não é bem diferente de falar em potência, beleza ou espetáculo?
O mais engraçado é ver as mesas redondas a elogiar o Dunga e seu time. E tudo aquilo que os caras falaram da Seleção? Era mentira? Ou, pelo menos, será que não haverá um pedido de desculpas?
Abraços,
Vuvuzela a ganhar os Reinos de J.R.R. Tolkien
Neste jogo, Batata trouxe a Vuvuzela aqui para casa. Era isso que faltava pra faturarmos esse Hexa!
Abraços,
holanda 2 x 1 eslováquia
É, Bert van Maarwijk não surpreendeu ninguém [e também ousou muito pouco]: colocou Robben no time, mas no lugar de van der Vaart. O pretenso equilíbrio, mantendo um meio campo com De Jong e van Bommel, imperou e fomos privados de uma versão mais ofensiva, com apenas um volante [De Jong ou van Bommel], dois meias [van der Vaart e Sneijder] e três atacantes. Mas os três atacantes estavam lá. O que me surpreendeu foi jogar com Kuyt na esquerda e Robben na direita. Apesar do sucesso deste na última temporada jogando pelo lado direito no Bayern, normalmente Kuyt é quem ocupa essa faixa na Laranja, fazendo Robben as jogadas de velocidade pela esquerda. Tanto mais objetivo escalá-lo na direita. É letal a jogada em que corta para o meio e chuta, como no 1º gol. Especialmente se tem um Sneijder atrás pra lançar a bola.
Decepcionante foi mais uma vez a atuação de van Persie, pouco participativo e nada eficaz. Ainda que seja preocupação constante para qualquer defesa que se preze, o craque do Arsenal ainda não entrou na Copa. Huntelaar é mais o tipo centroavante, mas é bem mais limitado.
O goleirão Stekelenburg foi finalmente testado e fez boas defesas. O sistema holandês é menos brilhante [o que causa crise com a imprensa local] e nem é tão mais seguro quanto tentam fazer acreditar. Ao menos a volta de Robben propicia mais jogadas de definição e torna o ataque mais forte.
Não entendo a marcação tão atrás como aconteceu hoje. Imagino que uma marcação pressão dos quatro homens de frente poderia render lances de perigo tomando a bola mais à frente.
A Eslováquia fez menos do que se esperava dela. Imaginava uma equipe mais aguerrida. Que mesmo consciente da derrota que sofreria entraria em campo para lutar muito. Marcou bastante e criou poucas chances de gol. Em alguns momentos parecia aceitar as trocas de passes holandesas. Apesar de ser sensato não partir pra cima e dar aos holandeses a possibilidade dos contraataques, tanta sensatez não é o futebol que me interessa.
Decepcionante foi mais uma vez a atuação de van Persie, pouco participativo e nada eficaz. Ainda que seja preocupação constante para qualquer defesa que se preze, o craque do Arsenal ainda não entrou na Copa. Huntelaar é mais o tipo centroavante, mas é bem mais limitado.
O goleirão Stekelenburg foi finalmente testado e fez boas defesas. O sistema holandês é menos brilhante [o que causa crise com a imprensa local] e nem é tão mais seguro quanto tentam fazer acreditar. Ao menos a volta de Robben propicia mais jogadas de definição e torna o ataque mais forte.
Não entendo a marcação tão atrás como aconteceu hoje. Imagino que uma marcação pressão dos quatro homens de frente poderia render lances de perigo tomando a bola mais à frente.
A Eslováquia fez menos do que se esperava dela. Imaginava uma equipe mais aguerrida. Que mesmo consciente da derrota que sofreria entraria em campo para lutar muito. Marcou bastante e criou poucas chances de gol. Em alguns momentos parecia aceitar as trocas de passes holandesas. Apesar de ser sensato não partir pra cima e dar aos holandeses a possibilidade dos contraataques, tanta sensatez não é o futebol que me interessa.
Domingo, Junho 27, 2010
Juizes-ladrões e México e Inglaterra bundões
Na rodada de hoje da Copa, México e Inglaterra foram roubados por erros das arbitragens, não há dúvidas. Mas que ambas as equipes também bambearam diante dos adversários após os erros.
Pelo jeito, pesou, principalmente pro México, o time que enfrentavam.
Pra Inglaterra, já é uma clássica atuação dos bretões entregarem o jogo. Se os caras perderam até no Flushed Away.
Esse negócio de peso de camisa é sério no futebol de Copa do Mundo. Dê um olhada na manchete do chileno La Tercera:
Bielsa: "El partido de mañana es a todo o nada"
El entrenador de la selección chilena señaló que, ante Brasil, saldrá a buscar el partido y que Humberto Suazo "está en condiciones" de jugar.
O es a todo o nada do Bielsa, técnico chileno, já deixa claro que ele quer tudo de seus jogadores. Só em situações limites o todo é cobrado. E só é cobrado o todo porque o brasil tem um respeito incontornável dentro dos gramados. Ainda mais dos chilenos que tomaram várias piabas do Brasil nos últimos jogos entre esses dois selecionados.
Os golos roubados de Argentina e Alemanha não eram uma trava inquebrável. Ambos os tentos só abriram uma diferença de um gol de vantagem. Os dois times perdedores podem botar a culpa nos juízes, mas foram eles quem fraquejaram e não tiveram espírito, força de vontade pra correr atrás do prejuízo.
Dessas derrotas, também é interessante ver as diferenças entre o sangue latino e o inglês.
Manchetes:
Terrível Inglaterra humilhada pelos Alemanha (uk.eurosport.yahoo.com)
"Hubo un antes y después" del polémico gol argentino, dice Aguirre (g.mx.sports.yahoo.com)
Enquanto a imprensa mexicana prefere dar voz ao treinador mexicano, de sangue fervendo, que bota a culpa no árbitro, a inglesa faz uma auto-crítica.
Não há um jeito melhor ou pior, só quero mostrar as diferenças culturais que vejo.
Abraços,
Pelo jeito, pesou, principalmente pro México, o time que enfrentavam.
Pra Inglaterra, já é uma clássica atuação dos bretões entregarem o jogo. Se os caras perderam até no Flushed Away.
Esse negócio de peso de camisa é sério no futebol de Copa do Mundo. Dê um olhada na manchete do chileno La Tercera:
Bielsa: "El partido de mañana es a todo o nada"
El entrenador de la selección chilena señaló que, ante Brasil, saldrá a buscar el partido y que Humberto Suazo "está en condiciones" de jugar.
O es a todo o nada do Bielsa, técnico chileno, já deixa claro que ele quer tudo de seus jogadores. Só em situações limites o todo é cobrado. E só é cobrado o todo porque o brasil tem um respeito incontornável dentro dos gramados. Ainda mais dos chilenos que tomaram várias piabas do Brasil nos últimos jogos entre esses dois selecionados.
Os golos roubados de Argentina e Alemanha não eram uma trava inquebrável. Ambos os tentos só abriram uma diferença de um gol de vantagem. Os dois times perdedores podem botar a culpa nos juízes, mas foram eles quem fraquejaram e não tiveram espírito, força de vontade pra correr atrás do prejuízo.
Dessas derrotas, também é interessante ver as diferenças entre o sangue latino e o inglês.
Manchetes:
Terrível Inglaterra humilhada pelos Alemanha (uk.eurosport.yahoo.com)
"Hubo un antes y después" del polémico gol argentino, dice Aguirre (g.mx.sports.yahoo.com)
Enquanto a imprensa mexicana prefere dar voz ao treinador mexicano, de sangue fervendo, que bota a culpa no árbitro, a inglesa faz uma auto-crítica.
Não há um jeito melhor ou pior, só quero mostrar as diferenças culturais que vejo.
Abraços,
argentina 3 x 1 méxico
Os times ofensivos, que buscam sempre o gol e mostram grande variação de jogadas, têm sido os destaques do Mundial. Eliminado hoje, o México era mais um deles. Sempre contando com três jogadores de frente e meias que arrematavam à distância, trocavam passes na proximidade da área e forçavam verticalmente jogadas de infiltração. Contavam com bom apoio do lateral esquerdo Salcido [que hoje exagerou nas tentativas de chutes de longe] e com a imprevisibilidade de Giovanny Dos Santos, cada dia mais parecido [fisicamente] com Ronaldinho, seu espelho no começo de carreira no Barcelona. Aliás, lembrei-me há pouco que ele e Messi se revezavam entrando no lugar do craque brasileiro nos segundos tempos de jogos resolvidos do Barcelona quando o nosso craque era o melhor do mundo. Os dois cresceram na sombra de Ronaldinho. Messi procurou a objetividade, a busca do gol. Giovanny ficou com a imprevisibilidade. Mas lhe falta muito talento pra chegar perto de Ronaldinho.
No jogo de hoje o México apostou mais na velocidade. Mais uma vez sem Vela no ataque, não lançou Blanco nem Franco e lançou Bautista [de atuação apagada] e Hernández, um dos destaques da partida. No meio teve Guardado para arriscar tiros perigosos de longe aberto pela esquerda, enquanto Giovanny era a opção de jogada individual na direita. Não tivesse o adversário tanto poderio ofensivo e certamente criariam tantas jogadas ofensivas que venceriam "por pontos".
Mas do outro lado estava a Argentina. E cada dia Maradona mostra que tem mais o time na mão e que sabe usar muito bem os recursos humanos de que dispõe. Se Jonas Gutierrez era insegurança na defesa [e os mexicanos mostravam força nas jogadas de ponta], lançou Otamendi, mais forte na defesa. Se o adversário é um time de velocidade, lançou o veloz Maxi Rodriguez no meio, no lugar do lento Verón. O ataque é tão forte que mesmo nas más atuações de Messi parece não sentir falta: lá estão Tevez e Higuaín para marcar os gols.
Quem ainda não encontrou seu espaço no time é o ótimo Di Maria. No Benfica a maioria das jogadas terminam nele, que normalmente conclui forte e certeiro a gol. Já na Argentina parece haver uma insistência em jogadas de penetração pelo meio. Pouco se ajeita para quem vem de trás chutar. Talvez contra a Alemanha, um time mais perigoso e que envolve na passagem do meio para o ataque, Maradona deva sacá-lo e escalar Verón ao lado de Maxi Rodriguez imediatamente à frente de Mascherano. Teria um meio campo que seguraria mais a bola, conteria melhor os contraataques e perderia quase nada em potencial ofensivo. Tão bom ter opções pra mexer no time, não?
Diante de vitórias com propriedade [tanto da Argentina quanto da Alemanha], acho desnecessário falar dos erros da arbitragem. Dois casos em que com ou sem ajudinha a vitória viria...
O chute do Lampard, aliás, nem foi gol: http://www.oleole.com/media/main/images/member_photos/group1/subgrp388/lampardwasntscoredag_388986.jpg
No jogo de hoje o México apostou mais na velocidade. Mais uma vez sem Vela no ataque, não lançou Blanco nem Franco e lançou Bautista [de atuação apagada] e Hernández, um dos destaques da partida. No meio teve Guardado para arriscar tiros perigosos de longe aberto pela esquerda, enquanto Giovanny era a opção de jogada individual na direita. Não tivesse o adversário tanto poderio ofensivo e certamente criariam tantas jogadas ofensivas que venceriam "por pontos".
Mas do outro lado estava a Argentina. E cada dia Maradona mostra que tem mais o time na mão e que sabe usar muito bem os recursos humanos de que dispõe. Se Jonas Gutierrez era insegurança na defesa [e os mexicanos mostravam força nas jogadas de ponta], lançou Otamendi, mais forte na defesa. Se o adversário é um time de velocidade, lançou o veloz Maxi Rodriguez no meio, no lugar do lento Verón. O ataque é tão forte que mesmo nas más atuações de Messi parece não sentir falta: lá estão Tevez e Higuaín para marcar os gols.
Quem ainda não encontrou seu espaço no time é o ótimo Di Maria. No Benfica a maioria das jogadas terminam nele, que normalmente conclui forte e certeiro a gol. Já na Argentina parece haver uma insistência em jogadas de penetração pelo meio. Pouco se ajeita para quem vem de trás chutar. Talvez contra a Alemanha, um time mais perigoso e que envolve na passagem do meio para o ataque, Maradona deva sacá-lo e escalar Verón ao lado de Maxi Rodriguez imediatamente à frente de Mascherano. Teria um meio campo que seguraria mais a bola, conteria melhor os contraataques e perderia quase nada em potencial ofensivo. Tão bom ter opções pra mexer no time, não?
Diante de vitórias com propriedade [tanto da Argentina quanto da Alemanha], acho desnecessário falar dos erros da arbitragem. Dois casos em que com ou sem ajudinha a vitória viria...
O chute do Lampard, aliás, nem foi gol: http://www.oleole.com/media/main/images/member_photos/group1/subgrp388/lampardwasntscoredag_388986.jpg
alemanha 4 x 1 inglaterra
A Inglaterra passou da 1ª fase no aperto, sem acertar o time, com Rooney, Gerrard e Lampard jogando muito pouco e pegou a Alemanha de cara nas oitavas. Mantendo o acerto com Defoe no ataque com Rooney, mas ainda desequilibrado no meio com o fraco Milner aberto na direita e Gerrard perdido entre a esquerda e o meio, o time dependeu de algumas jogadas de Lampard para levar algum perigo ao gol alemão [inclusive no belíssimo gol não validado, posto por tantos na conta do gol de Hirst na Copa de 66].
Com a volta de Klose a Alemanha volta a ser espetacular. Falam pouco deste centroavante. Klose ganhou a fama de durão, jogador que só faz gols de cabeça, mas está anos-luz à frente da maioria dos concorrentes: Klose tem um posicionamento fabuloso e visão de jogo sem igual na posição. Hoje se movimentou muito, aparecendo sempre como opção de finalização, além de ter invertido e lançado bolas incríveis nos contraataques, resultando inclusive em gols. A linha de três atacantes imediatamente atrás del brilhou outra vez. Müller marcou dois gols e chegou várias vezes. Movimentação e bons passes. Özil mais uma vez foi a estrela da companhia. Jogador que desequilibra, inventa, improvisa. Podolski foi o mais fraco deles, mas tem muita força na definição e domina o lado esquerdo do ataque. Depois de duas partidas fracas [sentiu a ausência de Klose e foi atrapalhado por Cacau] volta a crescer no Mundial. Schweinsteiger e Kedira formam a dupla de volantes que marca, fecha e se apresenta à frente. O primeiro tem qualidades técnicas e passe excepcional. Jogador muito interessante num time leve e de movimentação. Sempre pode encontrar alguém em boas condições num lançamento em profundidade ou jogada de infiltração. Bom passe, visão de jogo, movimentação e contraataques mortais fazem da Alemanha o melhor time do Mundial.
Não apenas pelo placar elástico, mas por tudo o que mostrou, a Alemanha assusta sim à fraca defesa argentina numa eventual quarta de final. Promessa de jogo ainda melhor!
Com a volta de Klose a Alemanha volta a ser espetacular. Falam pouco deste centroavante. Klose ganhou a fama de durão, jogador que só faz gols de cabeça, mas está anos-luz à frente da maioria dos concorrentes: Klose tem um posicionamento fabuloso e visão de jogo sem igual na posição. Hoje se movimentou muito, aparecendo sempre como opção de finalização, além de ter invertido e lançado bolas incríveis nos contraataques, resultando inclusive em gols. A linha de três atacantes imediatamente atrás del brilhou outra vez. Müller marcou dois gols e chegou várias vezes. Movimentação e bons passes. Özil mais uma vez foi a estrela da companhia. Jogador que desequilibra, inventa, improvisa. Podolski foi o mais fraco deles, mas tem muita força na definição e domina o lado esquerdo do ataque. Depois de duas partidas fracas [sentiu a ausência de Klose e foi atrapalhado por Cacau] volta a crescer no Mundial. Schweinsteiger e Kedira formam a dupla de volantes que marca, fecha e se apresenta à frente. O primeiro tem qualidades técnicas e passe excepcional. Jogador muito interessante num time leve e de movimentação. Sempre pode encontrar alguém em boas condições num lançamento em profundidade ou jogada de infiltração. Bom passe, visão de jogo, movimentação e contraataques mortais fazem da Alemanha o melhor time do Mundial.
Não apenas pelo placar elástico, mas por tudo o que mostrou, a Alemanha assusta sim à fraca defesa argentina numa eventual quarta de final. Promessa de jogo ainda melhor!
Sábado, Junho 26, 2010
gana 2 x 1 eua
Raça, esforço, correria, superação. Acho que não dava pra esperar nada além disso de EUA x Gana. E foi exatamente o que vimos. Dois times fracos, cheios de jogadores sem recursos e tentando fazer a bola chegar na frente de qualquer jeito.
Por um erro do meiocampo estadunidense Gana abriu o placar logo aos 5' e a partir daí restou aos adversários correr muito atrás do resultado. Melhoraram no segundo tempo, mas ainda pouco para virar a partida.
Na prorrogação o atacante grosso e limitado Gyan ganhou na força um domínio e acertou um chute forte na saída do goleiro.
Os EUA pareciam depender sempre de um lampejo de Donovan, ainda a aguardada promessa de dez anos atrás. Gana até apresentava alguns lampejos de talento com Ayew e Boateng, mas muito pouco para chegar a uma semifinal.
O 4-5-1, com muita gente na frente da área e apenas Gyan isolado na frente parece mais esquema de pelada: todo mundo defende e quando recupera a bola metade corre pra frente. Acho que nessa semifinal o Uruguai sai muito na frente [como também sairia diante dos EUA].
Por um erro do meiocampo estadunidense Gana abriu o placar logo aos 5' e a partir daí restou aos adversários correr muito atrás do resultado. Melhoraram no segundo tempo, mas ainda pouco para virar a partida.
Na prorrogação o atacante grosso e limitado Gyan ganhou na força um domínio e acertou um chute forte na saída do goleiro.
Os EUA pareciam depender sempre de um lampejo de Donovan, ainda a aguardada promessa de dez anos atrás. Gana até apresentava alguns lampejos de talento com Ayew e Boateng, mas muito pouco para chegar a uma semifinal.
O 4-5-1, com muita gente na frente da área e apenas Gyan isolado na frente parece mais esquema de pelada: todo mundo defende e quando recupera a bola metade corre pra frente. Acho que nessa semifinal o Uruguai sai muito na frente [como também sairia diante dos EUA].
uruguai 2 x 1 coreia
Luis Suárez é o primeiro destaque dos matamatas na África do Sul. O atacante do Ajax marcou os dois gols da vitória que classifica o Uruguai para as quartas de final.
Numa ótima partida, entre duas equipes que preferem atacar a esperar a possibilidade do contraataque, os uruguaios se mostraram mais sólidos e mesmo passando a maior parte do tempo correndo atrás dos adversários mataram a partida contando com uma falha do goleiro coreano e com o oportunismo de Suárez.
Muito se falava antes da partida no confronto das estrelas Forlán e Park Ji-sung, que embora não tenham decepcionado passaram meio apagados.
Destaque para o Uruguai, que mantém desde a segunda rodada a formação com Forlán de enganche e Cavani com Suárez no ataque.
Gosto de como jogam os coreanos: um futebol voluntarioso, com grande movimentação dos jogadores e arriscando infiltrações e arremates de longe. Um time interessante e com bastante variação de jogadas. Pena que ficam pelo caminho.
Numa ótima partida, entre duas equipes que preferem atacar a esperar a possibilidade do contraataque, os uruguaios se mostraram mais sólidos e mesmo passando a maior parte do tempo correndo atrás dos adversários mataram a partida contando com uma falha do goleiro coreano e com o oportunismo de Suárez.
Muito se falava antes da partida no confronto das estrelas Forlán e Park Ji-sung, que embora não tenham decepcionado passaram meio apagados.
Destaque para o Uruguai, que mantém desde a segunda rodada a formação com Forlán de enganche e Cavani com Suárez no ataque.
Gosto de como jogam os coreanos: um futebol voluntarioso, com grande movimentação dos jogadores e arriscando infiltrações e arremates de longe. Um time interessante e com bastante variação de jogadas. Pena que ficam pelo caminho.
Sexta-feira, Junho 25, 2010
Segurar o oba-oba é bom
Como você, caro leitor atento, os eventos deste final de semana da contenda entre Dunga e os Jornalistas fizeram com que este blogue mudasse a sua linha editorial.
Abraços,
Por óbvio, após a convocação feita e, principalmente, com o início da Copa, não dá pra ficar a criticar a convocação. O elenco já está dado e ficar a levantar essa lebre é um belo exemplo da metralhadora que Dunga disse que não lhe deixa em paz.
O empate tem um aspecto interessante, pra mim, pelo menos.
Impede que o oba-oba no elenco e, principalmente, nos meios de comunicação, que adora fazer uma festa.
O time do Dunga tem um mérito que não vi nenhum comentarista contestar. É claro, eles também não falam porque a linha editorial da massa jornalística desportiva também tem sua linha editorial clara.
O mérito do Dunga foi ter montado um grupo muito fechado. Não ter convocado Ganso e Ronaldinho, por exemplo, garantiu ou, pelo menos, reforçou a união do grupo.
Seguindo os comentários, é engraçado ver o povo da tevê elogiar o Elano. O que eles falavam a um tempo atrás já foi esquecido. Coerência é algo para os Deuses e não para os humanos pelo jeito.
Só pra deixar um momento de descontração com a figura principal da Copa, dê uma olhada neste vídeo:
Abraços,
rumo às oitavas 3
Definidas as oitavas de final com os dois principais favoritos em campo. O Brasil teve desfalques importantes no confronto contra Portugal e jogou sua pior partida. Sem Kaká, Robinho e Elano jogaram Julio Batista [péssimo, esse cara não é jogador nem pro Guarani!], Nilmar [esse sim tentou algumas jogadas e até acertou uma na trave] e Dani Alves [fraco, não se encontrou em campo e arriscou uns chutes despretensiosos]. Lúcio foi o destaque, anulando Cristiano Ronaldo. Mais uma vez a equipe mostra que não sabe atacar. Sorte é que Portugal tem um treinador muito fraco. Queiroz quis anular o único ponto forte da seleção brasileira [o apoio de Maicon pela direita] e abriu mão de um jogador ofensivo para conter os avanços do lateral. Escalou Coentrão na esquerda e centralizou Ronaldo, que poderia render bem mais aberto, tanto nas costas de Maicon [e aí já seguraria o lateral brasileiro] quanto no mano a mano com o Michel Bastos. Mas se o técnico preferia ele batendo de frente com o Lúcio...
Não vi nem um instante de Costa do Marfim x Coreia do Norte, mas achei pouco a vitoria dos africanos contra os cones de olho puxado, ainda que na prática só cumprissem tabela.
Os retranqueiros da Suíça não conseguiram fazer gol em Honduras e estão fora! Melhor pro futebol, que tem Espanha e Chile classificados no grupo H. Mesmo com o final de jogo sem-vergonha entre ambos. A Espanha levava por 2 x 1, resultado suficiente pra classificação dos dois, e a partir dos 70' ninguém mais quis jogar. Espanhois com Villa e Iniesta abertos e Torres na área. Chilenos ofensivos como nas outras partidas. Golaço de Villa numa bobagem sem tamanho do goleiro. Bela jogada pela esquerda no gol de Iniesta. A Espanha já apresenta lampejos de grande time. Falta Torres começar a jogar.
Agora, com as oitavas definidas, vemos duas chaves: uma esvaziada, com apenas Brasil e Holanda, outra repleta de grandes times tem Argentina, Alemanha, Inglaterra, Portugal e Espanha. Sei lá o que esperar agora, mas pelo que mostraram na 1ª fase os favoritos são Argentina e Holanda. Se tudo der certo repetiriam a final da última Copa no inverno. Curiosamente na tabelinha que tou preenchendo a final é laranja e azul. Verde e amarelo estão nas quartas de final [quando Brasil e Holanda se enfrentariam].
Não vi nem um instante de Costa do Marfim x Coreia do Norte, mas achei pouco a vitoria dos africanos contra os cones de olho puxado, ainda que na prática só cumprissem tabela.
Os retranqueiros da Suíça não conseguiram fazer gol em Honduras e estão fora! Melhor pro futebol, que tem Espanha e Chile classificados no grupo H. Mesmo com o final de jogo sem-vergonha entre ambos. A Espanha levava por 2 x 1, resultado suficiente pra classificação dos dois, e a partir dos 70' ninguém mais quis jogar. Espanhois com Villa e Iniesta abertos e Torres na área. Chilenos ofensivos como nas outras partidas. Golaço de Villa numa bobagem sem tamanho do goleiro. Bela jogada pela esquerda no gol de Iniesta. A Espanha já apresenta lampejos de grande time. Falta Torres começar a jogar.
Agora, com as oitavas definidas, vemos duas chaves: uma esvaziada, com apenas Brasil e Holanda, outra repleta de grandes times tem Argentina, Alemanha, Inglaterra, Portugal e Espanha. Sei lá o que esperar agora, mas pelo que mostraram na 1ª fase os favoritos são Argentina e Holanda. Se tudo der certo repetiriam a final da última Copa no inverno. Curiosamente na tabelinha que tou preenchendo a final é laranja e azul. Verde e amarelo estão nas quartas de final [quando Brasil e Holanda se enfrentariam].
Globo x Dunga - A Guerra esfriou, mas continua
É bem interessante ver as mesas redondas, os comentaristas e repórteres esportivos de todos os canais que cobrem a Copa constrangidos pelo maciço apoio que o Dunga ganhou na internet após o confronto aberto de domingo passado.
Como é natural em todo conflito, há momentos onde a luta é aberta e outros em que é disputada de modo mais dissimulado.
A Guerra Fria, que rolou do final da 2a Guerra Mundial até a queda do Muro de Berlin, foi o exemplo de disputas estratégicas e conflitos indiretos entre Estados. Nada de exércitos soviéticos contra os americanos, só através marionetes se lutava.
O grande Norberto Bobbio definiu a guerra aberta deste modo:
A Guerra merece uma consideração particular como instrumento político. Enquanto a Guerra absoluta tem como objetivo a destruição total do adversário, a Guerra limitada (a que R. Aron chama de "Guerra real") é instrumental, ligada a uma finalidade desejada. (Verbete Guerra do Dicionário de Política)
É interessante ver que a Globo pode fazer uma guerra absoluta contra o Dunga e o técnico só pode fazer uma limitada contra a emissora.
A matéria, após dar várias indiretas no técnico brasileiro, termina a falar que os lusitanos dão bons exemplos ao fazerem um treino aberto e tratarem com simpatia a imprensa. No contexto em que foi veiculada, foi um direto no queixo do Dunga.
O próprio Dunga, ontem, mandou outras indiretas na Globo ao liberar a visita de crianças pobres no treino da seleção e pedir desculpas só aos torcedores e não ao jornalista e nem à Globo.

Ao permitir ser fotografado com as crianças, não dá pra falar que o cara é malvado. Grande golpe na imprensa.
O cara virou a mesa e é herói para o povo que está na internet e a Globo está por baixo.
Uma hora, não tem jeito, isso iria acontecer. O campo de jogo nas comunicações de massa mudou com a internet e mudará cada vez mais na medida em que cada vez mais pessoas têm acesso à rede mundial.
A respostas aos fatos são imediatas e a estrutura da Globo não está pronta para isso e nem considerou essa possibilidade. Não há mais aquelas falas da imprensa que não tinham respostas perceptíveis do seu público. Agora o público responde de modo a ser notado e, quando não gosta do que a imprensa faz, é algo bem novo e constrangedor para os que não estavam acostumado a isso.
Muito blogues dos comentaristas dos canais de televisão falaram que Dunga teria agredido o cidadão brasileiro e que a imprensa defenderia um interesse social. Ontem, foi interessante ver um desses comentaristas, ao ser indagado sobre o pedido de desculpas do Dunga, colocou, antes de tudo, que não falava em nome dos torcedores e nem da imprensa, ele só estava a dar a sua opinião pessoal e nada mais. Na resposta, somente disse rapidamente que gostou das desculpas. O cara tava a pisar em ovos de um jeito que eles não estão acostumados.
Como é natural em todo conflito, há momentos onde a luta é aberta e outros em que é disputada de modo mais dissimulado.
A Guerra Fria, que rolou do final da 2a Guerra Mundial até a queda do Muro de Berlin, foi o exemplo de disputas estratégicas e conflitos indiretos entre Estados. Nada de exércitos soviéticos contra os americanos, só através marionetes se lutava.
O grande Norberto Bobbio definiu a guerra aberta deste modo:
A Guerra merece uma consideração particular como instrumento político. Enquanto a Guerra absoluta tem como objetivo a destruição total do adversário, a Guerra limitada (a que R. Aron chama de "Guerra real") é instrumental, ligada a uma finalidade desejada. (Verbete Guerra do Dicionário de Política)
É interessante ver que a Globo pode fazer uma guerra absoluta contra o Dunga e o técnico só pode fazer uma limitada contra a emissora.
Bem, de todo modo, agora há um conflito nas entrelinhas das ações e declarações dos contendores. Há uma guerra fria rolando agora, depois da aberta de domingo.
Na terça, a Globo mandou uma matéria sobre o treino dos Portugueses aberto para a imprensa e para o público. Veja:
A matéria, após dar várias indiretas no técnico brasileiro, termina a falar que os lusitanos dão bons exemplos ao fazerem um treino aberto e tratarem com simpatia a imprensa. No contexto em que foi veiculada, foi um direto no queixo do Dunga.
O próprio Dunga, ontem, mandou outras indiretas na Globo ao liberar a visita de crianças pobres no treino da seleção e pedir desculpas só aos torcedores e não ao jornalista e nem à Globo.

Ao permitir ser fotografado com as crianças, não dá pra falar que o cara é malvado. Grande golpe na imprensa.
O cara virou a mesa e é herói para o povo que está na internet e a Globo está por baixo.
Uma hora, não tem jeito, isso iria acontecer. O campo de jogo nas comunicações de massa mudou com a internet e mudará cada vez mais na medida em que cada vez mais pessoas têm acesso à rede mundial.
A respostas aos fatos são imediatas e a estrutura da Globo não está pronta para isso e nem considerou essa possibilidade. Não há mais aquelas falas da imprensa que não tinham respostas perceptíveis do seu público. Agora o público responde de modo a ser notado e, quando não gosta do que a imprensa faz, é algo bem novo e constrangedor para os que não estavam acostumado a isso.
Muito blogues dos comentaristas dos canais de televisão falaram que Dunga teria agredido o cidadão brasileiro e que a imprensa defenderia um interesse social. Ontem, foi interessante ver um desses comentaristas, ao ser indagado sobre o pedido de desculpas do Dunga, colocou, antes de tudo, que não falava em nome dos torcedores e nem da imprensa, ele só estava a dar a sua opinião pessoal e nada mais. Na resposta, somente disse rapidamente que gostou das desculpas. O cara tava a pisar em ovos de um jeito que eles não estão acostumados.
Quinta-feira, Junho 24, 2010
rumo às oitavas 2
A Itália se deu mal! Num dos grupos mais fáceis da Copa a Azzurra terminou em último lugar e não ganhou um jogo sequer. Hoje, pela primeira vez, jogou algo próximo de futebol, botou Pirlo em campo, mas ainda assim perdeu pra Eslováquia que agora espera ansiosamente o domingo para ser eliminada pela Holanda. Sem mostrar-se intimidada pela tradição do adversário, a Eslováquia mandou a campo a equipe no seu ousado 4-2-3-1 e acertou jogadas como não conseguiu nas primeiras partidas, pra azar dos italianos.
No outro jogo do grupo o Paraguai até pressionou um pouco, mas não saiu do 0 x 0 com a Nova Zelândia que, por incrível que pareça, caiu invicta.
A Holanda confirma-se como favorita e vence fácil Camarões. Robben entra por alguns minutos e já participa de boas jogadas, acerta a trave... Se o time já estava forte sem ele, agora é HOLANDA! Bom pra contornar a apatia de van der Vaart.
E pela outra vaga o Japão atropelou a Dinamarca. Com a vantagem do empate os japoneses já terminaram o 1º tempo com dois gols de falta de vantagem. Corriam bastante e tinham o jogo na mão. Aos europeus faltou inspiração.
E amanhã decidem-se os dois últimos grupos. Enquanto no G a definição se dá no jogão Brasil x Portugal [a não ser que a Costa do Marfim dê um jeito de fazer uns 10 nos cones nortecoreanos], no H o negócio ferve. A favorita Espanha precisa vencer o bom time do Chile. A Suíça pega os pernas de pau de Honduras e pode atropelar todo mundo. Tomara que tropece, quebre a perna e deixe o caminho livre pros times ofensivos.
No outro jogo do grupo o Paraguai até pressionou um pouco, mas não saiu do 0 x 0 com a Nova Zelândia que, por incrível que pareça, caiu invicta.
A Holanda confirma-se como favorita e vence fácil Camarões. Robben entra por alguns minutos e já participa de boas jogadas, acerta a trave... Se o time já estava forte sem ele, agora é HOLANDA! Bom pra contornar a apatia de van der Vaart.
E pela outra vaga o Japão atropelou a Dinamarca. Com a vantagem do empate os japoneses já terminaram o 1º tempo com dois gols de falta de vantagem. Corriam bastante e tinham o jogo na mão. Aos europeus faltou inspiração.
E amanhã decidem-se os dois últimos grupos. Enquanto no G a definição se dá no jogão Brasil x Portugal [a não ser que a Costa do Marfim dê um jeito de fazer uns 10 nos cones nortecoreanos], no H o negócio ferve. A favorita Espanha precisa vencer o bom time do Chile. A Suíça pega os pernas de pau de Honduras e pode atropelar todo mundo. Tomara que tropece, quebre a perna e deixe o caminho livre pros times ofensivos.
Dionísio goleia Apolo nos gramados
Toda hora se escuta que a gente vive em uma civilização grega e não se explica. Só se repete esse mantra sem entender o que se tenta dizer isso.
Pra mim, o pulo do gato dos gregos foi criarem uma civilização que gosta da mudança, do novo.
Pra mim, o pulo do gato dos gregos foi criarem uma civilização que gosta da mudança, do novo.
Eles fizeram bem ao contrário das outras civilizações que existiam na Terra naquela época. Nas outras, não se inovava, a vida era sempre regrada rigidamente pelas mesmas regras milenares. Ou seja, não havia nenhuma mudança fora do espaço helênico.
No Egito, na China, era justamente ao contrário do que rola hoje em dia em que a cada surge algo novo na música, no comportamento e nas tecnologias. Pelo menos, essa foi a lição que tirei de dois ótimos livros que li recentemente e recomendo: A_Little History of the World, de Gombrich, e Cultura Geral - Tudo O Que Se Deve Saber.
Não sei se esse mundo livre para o novo será pra sempre, parece que a Natureza não tá a aguentar mais esse estilo de vida.
Não sei se esse mundo livre para o novo será pra sempre, parece que a Natureza não tá a aguentar mais esse estilo de vida.
Mas, de volta aos gregos, apesar de Zeus ser o capo do Olimpo, para modelos de comportamento, quem tinha valor era Dionísio, o Deus da desordem, e Apolo, o da ordem.
O futebol não é um desporto apolíneo como a natação, a ginástica artística, o basquete ou o volei. Nestes outros esportes, o imponderável não tem o espaço que tem dentro dos gramados.
Escrevo isso em função de dois textos que li nestes dias e do jogo da desclassificação da Itália e, claro, os livros que citei ali em cima.
O grande Nelson Rodrigues coloca:
Sempre digo, nas minhas crônicas, que a arbitragem normal e honesta confere às partidas um tédio profundo, uma mediocridade irremediável. Só o juiz gatuno, o juiz larápio dá ao futebol uma dimensão nova e, se me permitem, shakespeareana. O espetáculo deixa de se resolver em termos chatamente técnicos, táticos e esportivos. Passa a ter uma grandeza específica e terrível. Eis a verdade: – o juiz ladrão revolve no time prejudicado e respectiva torcida esse fundo de crueldade, de insânia, de ódio que existe adormecido no mais íntegro dos seres. O mínimo que nos ocorre é beber-lhe o sangue. (Nelson Rodrigues, na crônica “Brasil x Áustria” publicada na Manchete Esportiva em 21/4/1956)
Já o articulista David Brooks do Times defende:
The World Cup calls this parochialism to mind because soccer is not just a sport, it is an entire mentality. We in this country prefer pastimes that are rational and quantifiable. Football plays can be drawn up in a playbook and baseball lends itself to statistical analysis.
But the rest of the world follows a sport that rewards resilience and neuroticism. Soccer is a sport perfectly designed to reinforce a tragic view of the universe, because basically it is a long series of frustrations leading up to near certain heartbreak.
The author Nick Hornby once had the brains to turn around while at an Arsenal match to watch the faces of the fans instead of the game. He observed that over the course of 15 minutes, the fans reflected frustration, rage, bitterness, despair, false hopes and discouragement. That’s because the players are perpetually pushing the ball forward, and it often looks like something is about to happen, but in reality it almost never does.
The goals are never scored.
Opinator Blog
Retomando os livros, ambos colocam bem que Itália e Alemanha desembocaram no Fascismo e no Nazismo em função de serem os últimos dos grandes países europeus a se consolidarem como estados nacionais e não tiveram tempo para desenvolverem práticas cidadãs, uma cultura de respeito aos direitos das pessoas.
Cabe lembrar também que por volta da metade do século passado, neste canto do Mundo, Brasil e Argentina também tiveram o Getulismo e o Peronismo.
Tem-se, assim, um interessante paralelo entre as grandes forças nas Copas e países que tem a memória de regimes de força que anulam as pessoas.
Quando uma sociedade não dá espaço para as suas mulheres e seus homens, não há como fazer grandes projetos pessoais, não há o sonho do crescimento pessoal sem liberdade. Assim, só resta uma dionisíaca tragic view of the universe para quem o destino não está em suas mãos.
Mesmo dentro das sociedades onde há mais espaço para as pessoas em que o futebol faz sucesso, não há como não notar que foi o povão inglês quem primeiro abraçou o futebol e não os seus patrões.
Por isso, tenho a impressão que o Deus Dionísio é quem ganha dentro dos gramados de seu colega Apolo. Quem quiser ir cartesianamente pisar na Lua, seja apolineo; mas se a idéia é ganhar uma Copa, melhor ir de Dionísio mesmo.
O futebol não é um desporto apolíneo como a natação, a ginástica artística, o basquete ou o volei. Nestes outros esportes, o imponderável não tem o espaço que tem dentro dos gramados.
Escrevo isso em função de dois textos que li nestes dias e do jogo da desclassificação da Itália e, claro, os livros que citei ali em cima.
O grande Nelson Rodrigues coloca:
Sempre digo, nas minhas crônicas, que a arbitragem normal e honesta confere às partidas um tédio profundo, uma mediocridade irremediável. Só o juiz gatuno, o juiz larápio dá ao futebol uma dimensão nova e, se me permitem, shakespeareana. O espetáculo deixa de se resolver em termos chatamente técnicos, táticos e esportivos. Passa a ter uma grandeza específica e terrível. Eis a verdade: – o juiz ladrão revolve no time prejudicado e respectiva torcida esse fundo de crueldade, de insânia, de ódio que existe adormecido no mais íntegro dos seres. O mínimo que nos ocorre é beber-lhe o sangue. (Nelson Rodrigues, na crônica “Brasil x Áustria” publicada na Manchete Esportiva em 21/4/1956)
Já o articulista David Brooks do Times defende:
The World Cup calls this parochialism to mind because soccer is not just a sport, it is an entire mentality. We in this country prefer pastimes that are rational and quantifiable. Football plays can be drawn up in a playbook and baseball lends itself to statistical analysis.
But the rest of the world follows a sport that rewards resilience and neuroticism. Soccer is a sport perfectly designed to reinforce a tragic view of the universe, because basically it is a long series of frustrations leading up to near certain heartbreak.
The author Nick Hornby once had the brains to turn around while at an Arsenal match to watch the faces of the fans instead of the game. He observed that over the course of 15 minutes, the fans reflected frustration, rage, bitterness, despair, false hopes and discouragement. That’s because the players are perpetually pushing the ball forward, and it often looks like something is about to happen, but in reality it almost never does.
The goals are never scored.
Opinator Blog
Retomando os livros, ambos colocam bem que Itália e Alemanha desembocaram no Fascismo e no Nazismo em função de serem os últimos dos grandes países europeus a se consolidarem como estados nacionais e não tiveram tempo para desenvolverem práticas cidadãs, uma cultura de respeito aos direitos das pessoas.Cabe lembrar também que por volta da metade do século passado, neste canto do Mundo, Brasil e Argentina também tiveram o Getulismo e o Peronismo.
Tem-se, assim, um interessante paralelo entre as grandes forças nas Copas e países que tem a memória de regimes de força que anulam as pessoas.
Quando uma sociedade não dá espaço para as suas mulheres e seus homens, não há como fazer grandes projetos pessoais, não há o sonho do crescimento pessoal sem liberdade. Assim, só resta uma dionisíaca tragic view of the universe para quem o destino não está em suas mãos.
Mesmo dentro das sociedades onde há mais espaço para as pessoas em que o futebol faz sucesso, não há como não notar que foi o povão inglês quem primeiro abraçou o futebol e não os seus patrões.
Por isso, tenho a impressão que o Deus Dionísio é quem ganha dentro dos gramados de seu colega Apolo. Quem quiser ir cartesianamente pisar na Lua, seja apolineo; mas se a idéia é ganhar uma Copa, melhor ir de Dionísio mesmo.
Abraços,
Quarta-feira, Junho 23, 2010
rumo às oitavas 1
Começam a se definir as oitavas de final e já temos a formação de uma chave muito fraca. Uruguai, Coreia do Sul, EUA e Gana disputam uma vaga nas semifinais. Na outra ponta estão Argentina, México, Alemanha e Inglaterra disputando vaga equivalente. Tamanho denível entre as chaves pode ser explicado pelo fracasso francês e pelo surpreendente 2º lugar da Inglaterra. Surpreendeu-me a Alemanha vencer sua partida sabendo que podia escolher a chave mais fraca...
Time de repescagem há anos, o Uruguai parece forte na chave, contando com Forlán, o jogador mais relevante dela. Venceu bem o México para garantir o 1º lugar do grupo A, ousando inclusive entrar em campo com a ofensiva formação 4-3-1-2, com Forlán e dois homens de frente. Venceu o veloz e ofensivo time mexicano e empurrou-o para o confronto contra a Argentina.
O time de Maradona entrou sem 7 titulares e em ritmo de treino venceu fácil à Grécia. Jogo que pouco vale para analisar a equipe, mas foi suficiente para mostrar a enorme gama de opções de reserva que dispõem.
No grupo C as decisões foram mais interessantes, no último instante. A Inglaterra finalmente jogou bem, criou várias chances e perdeu muitos gols. Capello continua com problemas na formação de seu meio-campo. Barry, Gerrard e Lampard parecem ser titulares. Mas a presença certa dos dois últimos obriga-o a abrir mão de um jogador aberto pela esquerda e diminui as opções de jogadas. Ao menos sacou o fraco Heskey e lançou Defoe ao lado de Rooney na frente. Assim o time fica mais rápido e leve, chegando de trás e chutando de frente para o gol. Talvez a escalação de Joe Cole no lugar de Milner desse mais poder ofensivo à equipe, com Barry, Lampard e Gerrard fazendo o meio e Cole com Defoe e Rooney se movimentando na frente. Mas é demais esperar tanta ofensividade de Capello.
Os EUA garantiram o 1º lugar do grupo com um gol nos acréscimos marcado por sua estrela Landon Donovan. Há duas Copas o rapaz era uma grande promessa. Hoje é apenas o melhor jogador de um time esforçado.
Por fim, a Sérvia conseguiu a proeza de perder para a Austrália depois de pressionar, e as vagas acabaram com a favorita Alemanha e com Gana, mesmo sendo derrotada. Os africanos têm um time forte, rápido, mas de pouco talento. Devem embalar na chave fraca para defender a honra do continente [e contar com muita torcida]. Os alemães não reencontraram o futebol da 1ª partida, mas apareceram com força na frente em algumas possibilidades. Klose fez falta, já que Cacau saía muito da áerea e abria pelo lado esquerdo, ocupando o espaço de ataque de Podolski e deixando a área vazia. Özil teve então que crescer na equipe e marcar o gol decisivo. Arriscou também alguns passes ousados, mas sem o centroavante e as infiltradas de Podolski acabou limitado. Num confronto direto contra a Inglaterra espero ao menos que voltem a brilhar. Veremos duas equipes sendo questionadas. Quem vencer sai forte, mas deve pegar a Argentina.
Nos próximos dias teremos Itália e Espanha correndo atrás de suas vagas. Brasil e Holanda cumprem tabela ainda tentando se acertar. Preocupante é a situação do Chile, time de futebol ofensivo, mas que não conseguiu vencer a Suíça por mais de um gol. Agora os europeus enfrentam a fraca Honduras enquanto os sulamericanos têm que conter a Espanha.
Time de repescagem há anos, o Uruguai parece forte na chave, contando com Forlán, o jogador mais relevante dela. Venceu bem o México para garantir o 1º lugar do grupo A, ousando inclusive entrar em campo com a ofensiva formação 4-3-1-2, com Forlán e dois homens de frente. Venceu o veloz e ofensivo time mexicano e empurrou-o para o confronto contra a Argentina.
O time de Maradona entrou sem 7 titulares e em ritmo de treino venceu fácil à Grécia. Jogo que pouco vale para analisar a equipe, mas foi suficiente para mostrar a enorme gama de opções de reserva que dispõem.
No grupo C as decisões foram mais interessantes, no último instante. A Inglaterra finalmente jogou bem, criou várias chances e perdeu muitos gols. Capello continua com problemas na formação de seu meio-campo. Barry, Gerrard e Lampard parecem ser titulares. Mas a presença certa dos dois últimos obriga-o a abrir mão de um jogador aberto pela esquerda e diminui as opções de jogadas. Ao menos sacou o fraco Heskey e lançou Defoe ao lado de Rooney na frente. Assim o time fica mais rápido e leve, chegando de trás e chutando de frente para o gol. Talvez a escalação de Joe Cole no lugar de Milner desse mais poder ofensivo à equipe, com Barry, Lampard e Gerrard fazendo o meio e Cole com Defoe e Rooney se movimentando na frente. Mas é demais esperar tanta ofensividade de Capello.
Os EUA garantiram o 1º lugar do grupo com um gol nos acréscimos marcado por sua estrela Landon Donovan. Há duas Copas o rapaz era uma grande promessa. Hoje é apenas o melhor jogador de um time esforçado.
Por fim, a Sérvia conseguiu a proeza de perder para a Austrália depois de pressionar, e as vagas acabaram com a favorita Alemanha e com Gana, mesmo sendo derrotada. Os africanos têm um time forte, rápido, mas de pouco talento. Devem embalar na chave fraca para defender a honra do continente [e contar com muita torcida]. Os alemães não reencontraram o futebol da 1ª partida, mas apareceram com força na frente em algumas possibilidades. Klose fez falta, já que Cacau saía muito da áerea e abria pelo lado esquerdo, ocupando o espaço de ataque de Podolski e deixando a área vazia. Özil teve então que crescer na equipe e marcar o gol decisivo. Arriscou também alguns passes ousados, mas sem o centroavante e as infiltradas de Podolski acabou limitado. Num confronto direto contra a Inglaterra espero ao menos que voltem a brilhar. Veremos duas equipes sendo questionadas. Quem vencer sai forte, mas deve pegar a Argentina.
Nos próximos dias teremos Itália e Espanha correndo atrás de suas vagas. Brasil e Holanda cumprem tabela ainda tentando se acertar. Preocupante é a situação do Chile, time de futebol ofensivo, mas que não conseguiu vencer a Suíça por mais de um gol. Agora os europeus enfrentam a fraca Honduras enquanto os sulamericanos têm que conter a Espanha.
Terça-feira, Junho 22, 2010
Impressionante ver Dunga descer a lenha na Globo e nada de mais acontecer com ele.
Mais ainda é ver que a resposta da Globo surtiu um efeito inverso no Twitter com o CALA BOCA TADEU SCHMIDT bombando.
A jornalista Cristina Padiglione, do Estado de S. Paulo, que tem um blogue sobre tevê, entende que é tudo piada o que rolou no Twitter. Não sei, talvez não seriam só graceijos.
Mas ela também coloca algo bem explicativo:
O (não ) acesso aos treinos tem provocado a ira de jornalistas em geral, mas a Globo, acostumada que estava a pisar no mesmo terreno dos canarinhos, tem se queixado mais que os outros.
E o técnico, jogo duro no zelo à privacidade de seus atletas, tem reagido à altura.
O Dunga pode ser tudo, menos burro, no sentido não-futebolístico do termo. Ele conhece a imprensa brasileira e mundial a um bom tempo e até foi comentarista na Copa passada. Ou seja, ele sabe bem com quem está a lidar e não deve utilizar táticas muito diversas da que utiliza em campo.
Ou seja, é muito improvável que ele esteja a dar passos em falso, de modo irrefletido. Os ataques aos nossos jornalistas deve ser, ao que parece, uma ação bem estruturada de um xadrez maior.
Gostei deste quadro pra retratar o ocorrido:

GOYA Y LUCIENTES, Francisco de, The Bewitched Man, c. 1798, Oil on canvas, 42,5 x 30,8 cm, National Gallery, London.
Abraços,
Mais ainda é ver que a resposta da Globo surtiu um efeito inverso no Twitter com o CALA BOCA TADEU SCHMIDT bombando.
A jornalista Cristina Padiglione, do Estado de S. Paulo, que tem um blogue sobre tevê, entende que é tudo piada o que rolou no Twitter. Não sei, talvez não seriam só graceijos.
Mas ela também coloca algo bem explicativo:
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E o técnico, jogo duro no zelo à privacidade de seus atletas, tem reagido à altura.
O Dunga pode ser tudo, menos burro, no sentido não-futebolístico do termo. Ele conhece a imprensa brasileira e mundial a um bom tempo e até foi comentarista na Copa passada. Ou seja, ele sabe bem com quem está a lidar e não deve utilizar táticas muito diversas da que utiliza em campo.
Ou seja, é muito improvável que ele esteja a dar passos em falso, de modo irrefletido. Os ataques aos nossos jornalistas deve ser, ao que parece, uma ação bem estruturada de um xadrez maior.
Gostei deste quadro pra retratar o ocorrido:

GOYA Y LUCIENTES, Francisco de, The Bewitched Man, c. 1798, Oil on canvas, 42,5 x 30,8 cm, National Gallery, London.
Abraços,
Segunda-feira, Junho 21, 2010
copa do mundo 8
E terminada a segunda rodada temos vários grupos embolados e poucas certezas quanto aos mata-matas. A grande surpresa dos últimos dias foi o fracasso italiano diante da Nova Zelândia, que deve levar a atual campeã a um confronto com os holandeses já na próxima fase. Jogando outra vez com um 4-3-3 sem jogadores criativos, a Azzura sofreu pra conseguir um empate feio por 1 x 1 e não estimula ninguém... Parece que a entrada de Pirlo será pouco para que joguem futebol. Talvez seja suficiente para aumentarem a eficiência nas bolas paradas e arranjarem umas vitórias feias.
Os sulamericanos é que continuam dando as cartas, todos liderando seus grupos até aqui. Paraguai, Brasil e Chile venceram, mas os chilenos, que com um futebol ofensivo e vistoso é um dos destaques da Copa, desperdiçaram muitas oportunidades de gol [principalmente com Paredes] e terão pela frente a Espanha, que recuperou-se da derrota para a Suíça vencendo a fraca Honduras. Com Torres e Villa no ataque o time é mais incisivo, mas mais uma vez perdeu muitos gols e até um penalti. Ainda que os acusem de preciosismo, gosto desse futebol de toques rápidos, ultrapassagens, tabelas e poucas finalizações dos espanhois. Deixam de fazer gols que podem fazer falta, mas quando marcam são golaços.
Já a Suíça deve se defender muito, mais uma vez, e vencer os hondurenhos em algum gol achado. O suficiente para roubar dos chilenos a classificação. Uma pena.
Depois de sofrer contra a marcação apertada dos marfinenses Portugal sobrou contra a Coreia do Norte. Já no jogo contra o Brasil tive a impressão que o time coreano parecia aquele amigo que não sabe marcar no videogame: é só pegar a bola e entrar com ela no gol. Só o Brasil não sacou isso. Mas, por mais fraco que seja o adversário, uma vitória por 7 x 0 é sempre assustadora e estimulante. Certamente os manoéis vêm babando pra cima do Brasil, que venceu a Costa do Marfim mesmo apanhando muito. Luis Fabiano desencantou. Depois disso valeu até jogar com a mão. Kaká melhorou durante o jogo e fez boa jogada no gol de Elano, mas no começo do jogo parecia mais fácil tomar a bola dele que do meu primo de dez anos.
Não entendi porque os marfinenses não marcaram naquele sistema de quarto de campo que usaram contra Portugal. Creio que minaria todas as jogadas do time sem criatividade do Brasil. Sorte nossa. Sorte também que não conseguiram encaixar jogadas. A tal defesa intransponível anda causando preocupação, não?
Amanhã, última rodada dos grupos A e B já definem dois confrontos das oitavas. México e Uruguai fazem um dos típicos jogos do "arriscar ou não?". Se empatam, ambos passam. Mas a Argentina sobra pro México. Acho que os mexicanos vão pra cima do Uruguai, nem que com isso arrisquem a classificação. Já os uruguaios acho difícil repetirem a ofensividade do último jogo, com Forlán vindo de trás e mais dois no ataque. França e África do Sul promete ser um jogo horrível entre equipes em crise.
No B a Argentina vai poupar todo mundo. Espero uma goleada diante dos gregos, com os reservas querendo mostrar serviço. Coreia do Sul x Nigéria é jogo de correria. Pelo que mostraram até aqui o legado de Hiddink mantém a Coreia um passo à frente dos nigerianos.
Os sulamericanos é que continuam dando as cartas, todos liderando seus grupos até aqui. Paraguai, Brasil e Chile venceram, mas os chilenos, que com um futebol ofensivo e vistoso é um dos destaques da Copa, desperdiçaram muitas oportunidades de gol [principalmente com Paredes] e terão pela frente a Espanha, que recuperou-se da derrota para a Suíça vencendo a fraca Honduras. Com Torres e Villa no ataque o time é mais incisivo, mas mais uma vez perdeu muitos gols e até um penalti. Ainda que os acusem de preciosismo, gosto desse futebol de toques rápidos, ultrapassagens, tabelas e poucas finalizações dos espanhois. Deixam de fazer gols que podem fazer falta, mas quando marcam são golaços.
Já a Suíça deve se defender muito, mais uma vez, e vencer os hondurenhos em algum gol achado. O suficiente para roubar dos chilenos a classificação. Uma pena.
Depois de sofrer contra a marcação apertada dos marfinenses Portugal sobrou contra a Coreia do Norte. Já no jogo contra o Brasil tive a impressão que o time coreano parecia aquele amigo que não sabe marcar no videogame: é só pegar a bola e entrar com ela no gol. Só o Brasil não sacou isso. Mas, por mais fraco que seja o adversário, uma vitória por 7 x 0 é sempre assustadora e estimulante. Certamente os manoéis vêm babando pra cima do Brasil, que venceu a Costa do Marfim mesmo apanhando muito. Luis Fabiano desencantou. Depois disso valeu até jogar com a mão. Kaká melhorou durante o jogo e fez boa jogada no gol de Elano, mas no começo do jogo parecia mais fácil tomar a bola dele que do meu primo de dez anos.
Não entendi porque os marfinenses não marcaram naquele sistema de quarto de campo que usaram contra Portugal. Creio que minaria todas as jogadas do time sem criatividade do Brasil. Sorte nossa. Sorte também que não conseguiram encaixar jogadas. A tal defesa intransponível anda causando preocupação, não?
Amanhã, última rodada dos grupos A e B já definem dois confrontos das oitavas. México e Uruguai fazem um dos típicos jogos do "arriscar ou não?". Se empatam, ambos passam. Mas a Argentina sobra pro México. Acho que os mexicanos vão pra cima do Uruguai, nem que com isso arrisquem a classificação. Já os uruguaios acho difícil repetirem a ofensividade do último jogo, com Forlán vindo de trás e mais dois no ataque. França e África do Sul promete ser um jogo horrível entre equipes em crise.
No B a Argentina vai poupar todo mundo. Espero uma goleada diante dos gregos, com os reservas querendo mostrar serviço. Coreia do Sul x Nigéria é jogo de correria. Pelo que mostraram até aqui o legado de Hiddink mantém a Coreia um passo à frente dos nigerianos.
Sábado, Junho 19, 2010
copa do mundo 7
Passada mais de metade da segunda rodada, a única equipe matematicamente classificada é a Holanda, que venceu sem problemas [e também sem encantos] o Japão. Mais uma vez a equipe sentiu a falta de Robben como jogador incisivo e van der Vaart mais à frente teve atuação apagada. Na derradeira rodada, contra os eliminados camaroneses, o craque do Bayern deve jogar. Espero que junto de van der Vaart, Sneijder, van Persie e Kuyt, no time mais ofensivo do mundial.
Mais ofensivo até que a Argentina, que contra a Coreia do Sul não teve Verón e jogou ainda mais ofensiva que na estreia, com a entrada de Maxi Rodriguez em seu lugar. Messi apareceu menos que contra a Nigéria, mas participou de jogadas importantes e Higuaín livrou-se das desconfianças e libertou Maradona das pressões para botar Milito em seu lugar ao marcar três dos quatro gols argentinos. As jogadas funcionavam muito bem e até a defesa pareceu mais segura, apesar da derrapada de Demichelis.
A Alemanha, sensação da primeira rodada, naufragou ante a Sérvia, mas jogou bem mais uma vez. Derrotas nem sempre significam atuações ruins, como vitórias também não significam boas. Perderam pela péssima partida de Podolski, talvez seu principal jogador, que errou o gol em todos os chutes que tentou com exceção de um: o penalti defendido pelo goleiro. Além disso jogaram quase toda a partida com um jogador a menos, já que Klose [a referência do ataque] foi expulso num lance ridículo. Mas Müller e principalmente Özil fizeram boas jogadas.
As decepções são França e Inglaterra. Os ingleses não conseguiram vencer à frágil Argélia e mesmo com a entrada de Barry, dando mais liberdade a Gerrard e Lampard, o time pouco criou e levou perigo ao adversário. Lennon e Heskey outra vez foram nulos e agora resta a obrigação de vencer para continuar no torneio.
Já para os franceses a situação está mais difícil. Montada como no primeiro jogo, mas com o veloz Malouda no lugar de Gourcuff, ainda apresentou o mesmo grave defeito: isolar na frente o centroavante Anelka, onde poucas bolas chegavam. Domenech insistiu em manter Henry no banco mesmo vendo a Copa ir embora.
Ao menos os jogos melhoraram. Menos retrancas, mais gols e até boas jogadas.
Mais ofensivo até que a Argentina, que contra a Coreia do Sul não teve Verón e jogou ainda mais ofensiva que na estreia, com a entrada de Maxi Rodriguez em seu lugar. Messi apareceu menos que contra a Nigéria, mas participou de jogadas importantes e Higuaín livrou-se das desconfianças e libertou Maradona das pressões para botar Milito em seu lugar ao marcar três dos quatro gols argentinos. As jogadas funcionavam muito bem e até a defesa pareceu mais segura, apesar da derrapada de Demichelis.
A Alemanha, sensação da primeira rodada, naufragou ante a Sérvia, mas jogou bem mais uma vez. Derrotas nem sempre significam atuações ruins, como vitórias também não significam boas. Perderam pela péssima partida de Podolski, talvez seu principal jogador, que errou o gol em todos os chutes que tentou com exceção de um: o penalti defendido pelo goleiro. Além disso jogaram quase toda a partida com um jogador a menos, já que Klose [a referência do ataque] foi expulso num lance ridículo. Mas Müller e principalmente Özil fizeram boas jogadas.
As decepções são França e Inglaterra. Os ingleses não conseguiram vencer à frágil Argélia e mesmo com a entrada de Barry, dando mais liberdade a Gerrard e Lampard, o time pouco criou e levou perigo ao adversário. Lennon e Heskey outra vez foram nulos e agora resta a obrigação de vencer para continuar no torneio.
Já para os franceses a situação está mais difícil. Montada como no primeiro jogo, mas com o veloz Malouda no lugar de Gourcuff, ainda apresentou o mesmo grave defeito: isolar na frente o centroavante Anelka, onde poucas bolas chegavam. Domenech insistiu em manter Henry no banco mesmo vendo a Copa ir embora.
Ao menos os jogos melhoraram. Menos retrancas, mais gols e até boas jogadas.
Sexta-feira, Junho 18, 2010
Quinta-feira, Junho 17, 2010
Um certo jogo entre argentinos e coreanos
O 11 era o Valdano. O time ainda tinha Ruggeri e Burruchaga. Além de Pumpido, que quebrou a perna em 1990.
Quarta-feira, Junho 16, 2010
copa do mundo 6
E hoje finalmente as últimas equipes estrearam e parece que a zebra deixou para aparecer só no último dia de estreias: a favoritíssima Espanha foi surpreendida pela fraca Suíça.
Sem Fernando Torres e Fábregas, Vicente Del Bosque armou a equipe no 4-3-2-1 e apesar de manter a posse de bola e dar poucas chances a uma equipe bem mais fraca e marcando com as tradicionais duas linhas de quatro bem recuadas deslizou numa bola direta do goleiro e tomou um gol inesperado. Ainda antes os espanhois trocavam passes e sofriam com a falta de objetividade. Poucas vezes ameaçaram de fato o gol suíço até as entradas de Torres e Navas. A partir daí, com Torres e Villa nas proximidades da área e Navas aberto na direita e muito acionado o time passou a pressionar com mais efetividade. Mais ainda assim com muitas dificuldades para concluir ao gol suíço, sempre muito bem protegido por inúmeros defensores.
Já os suíços parecem ter poucas opções além da defesa sólida. Barnetta, do Bayer Leverkusen, é o jogador por quem passam as jogadas. Muito pouco pra almejar alguma coisa além de um segundo lugar no grupo para enfrentar o Brasil.
No outro jogo do grupo o ofensivo Chile de El Loco Bielsa venceu fácil Honduras por 1 x 0, mas podia ter sido muito mais. Enquanto o time centroamericano mostrava-se perdido em campo, com apenas um atacante e um meio de campo cheio de cabeças de bagre [a exceção Wilson Palacios desaparecia no meio dos outros], os chilenos faziam várias jogadas com passes rápidos, infiltrações e jogadas em profundidade, contando não apenas com os jogadores de ataque, mas também com o eficiente apoio do lateral direito Islas. Na formação 4-3-1-2, Matías Fernandes fazia parte do 3 do meio, mas aparecia na frente com mais eficiência que Vladívia, o 1, e articulava as jogadas, quase todas terminando nas conclusões de Sánchez, atacante rápido, voluntarioso e quase onipresente.
O 4-3-1-2 também foi o esquema com que o Uruguai surpreendeu e massacrou os anfitriões da África do Sul na partida de abertura da segunda rodada. Depois do 3-5-2 usado contra a França, um adversário mais duro e que exigia maiores cuidados defensivos, Oscar Tabárez abriu mão do terceiro zagueiro, recuou seu atacante mais forte, Forlán, e lançou um ataque de velocidade formado por Suárez e Cavani para exercer maior pressão sobre um adversário mais fraco. E funcionou muito bem, desastabilizando o time de Carlos Alberto Parreira e criando inúmeras jogadas ofensivas, principalmente nas chegadas de Forlán e com a velocidade de Suárez.
Não que fosse grande coisa, mas a África do Sul não foi nem sombra do time que estreou contra o México, não marcou bem, deixou jogar e não criou qualquer jogada digna de nota. A classificação agora depende de milagres. Parece que pela primeira vez o anfitrião é eliminado ainda na 1ª fase. Alguém esperava mais?
Sem Fernando Torres e Fábregas, Vicente Del Bosque armou a equipe no 4-3-2-1 e apesar de manter a posse de bola e dar poucas chances a uma equipe bem mais fraca e marcando com as tradicionais duas linhas de quatro bem recuadas deslizou numa bola direta do goleiro e tomou um gol inesperado. Ainda antes os espanhois trocavam passes e sofriam com a falta de objetividade. Poucas vezes ameaçaram de fato o gol suíço até as entradas de Torres e Navas. A partir daí, com Torres e Villa nas proximidades da área e Navas aberto na direita e muito acionado o time passou a pressionar com mais efetividade. Mais ainda assim com muitas dificuldades para concluir ao gol suíço, sempre muito bem protegido por inúmeros defensores.
Já os suíços parecem ter poucas opções além da defesa sólida. Barnetta, do Bayer Leverkusen, é o jogador por quem passam as jogadas. Muito pouco pra almejar alguma coisa além de um segundo lugar no grupo para enfrentar o Brasil.
No outro jogo do grupo o ofensivo Chile de El Loco Bielsa venceu fácil Honduras por 1 x 0, mas podia ter sido muito mais. Enquanto o time centroamericano mostrava-se perdido em campo, com apenas um atacante e um meio de campo cheio de cabeças de bagre [a exceção Wilson Palacios desaparecia no meio dos outros], os chilenos faziam várias jogadas com passes rápidos, infiltrações e jogadas em profundidade, contando não apenas com os jogadores de ataque, mas também com o eficiente apoio do lateral direito Islas. Na formação 4-3-1-2, Matías Fernandes fazia parte do 3 do meio, mas aparecia na frente com mais eficiência que Vladívia, o 1, e articulava as jogadas, quase todas terminando nas conclusões de Sánchez, atacante rápido, voluntarioso e quase onipresente.
O 4-3-1-2 também foi o esquema com que o Uruguai surpreendeu e massacrou os anfitriões da África do Sul na partida de abertura da segunda rodada. Depois do 3-5-2 usado contra a França, um adversário mais duro e que exigia maiores cuidados defensivos, Oscar Tabárez abriu mão do terceiro zagueiro, recuou seu atacante mais forte, Forlán, e lançou um ataque de velocidade formado por Suárez e Cavani para exercer maior pressão sobre um adversário mais fraco. E funcionou muito bem, desastabilizando o time de Carlos Alberto Parreira e criando inúmeras jogadas ofensivas, principalmente nas chegadas de Forlán e com a velocidade de Suárez.
Não que fosse grande coisa, mas a África do Sul não foi nem sombra do time que estreou contra o México, não marcou bem, deixou jogar e não criou qualquer jogada digna de nota. A classificação agora depende de milagres. Parece que pela primeira vez o anfitrião é eliminado ainda na 1ª fase. Alguém esperava mais?
A melhor defesa do mundo
Muito tem sido falado sobre as qualidades defensivas do escrete brasileiro.
O goleiro é o melhor do mundo; os laterais, idem; os zagueiros, o mesmo.
Fala-se também da semelhança entre o time do Pé de Uva em 94 e este de agora.
Mas a comparação é falha. Não há como botar lado a lado Romário e Luís Fabiano.
Além disso, as opções do banco naquela época eram Ronaldo, Muller, Viola e Paulo Sérgio. Ou seja, seis atacantes, contra quatro de hoje.
Talvez a grande semelhança seja o fato de Kaká repetir Raí, ou piorar.
Olhando bem, o Brasil-10 se parece com a Itália-94. Ou a de 90, quando Zenga tomou o gol que não podia depois de bater o recorde de invencibilidade.
Mas, voltando a 94, a defesa azzurra era ótima e tentava garantir que Baggio, baleado como Kaká, pudesse decidir.
Sobre "il codino divino", diziam que, desde pequeno, parecia um brasileiro jogando. Ele repetiu o roteiro de seu ídolo, Zico, e errou o pênalti que não podia.
Desde então, repetem-se reportagens e documentários sobre os grandes jogadores daquele embate, Baggio e Romário.
Esquece-se de quem garantiu que o jogo fosse para as penalidades. E foi penalizado.
O goleiro é o melhor do mundo; os laterais, idem; os zagueiros, o mesmo.
Fala-se também da semelhança entre o time do Pé de Uva em 94 e este de agora.
Mas a comparação é falha. Não há como botar lado a lado Romário e Luís Fabiano.
Além disso, as opções do banco naquela época eram Ronaldo, Muller, Viola e Paulo Sérgio. Ou seja, seis atacantes, contra quatro de hoje.
Talvez a grande semelhança seja o fato de Kaká repetir Raí, ou piorar.
Olhando bem, o Brasil-10 se parece com a Itália-94. Ou a de 90, quando Zenga tomou o gol que não podia depois de bater o recorde de invencibilidade.
Mas, voltando a 94, a defesa azzurra era ótima e tentava garantir que Baggio, baleado como Kaká, pudesse decidir.
Sobre "il codino divino", diziam que, desde pequeno, parecia um brasileiro jogando. Ele repetiu o roteiro de seu ídolo, Zico, e errou o pênalti que não podia.
Desde então, repetem-se reportagens e documentários sobre os grandes jogadores daquele embate, Baggio e Romário.
Esquece-se de quem garantiu que o jogo fosse para as penalidades. E foi penalizado.
Terça-feira, Junho 15, 2010
E o 2x0 é um resultado perigoso até na África do Sul
A verdade do narrador do ”pelo amor dos meus filhinhos” quase se materializou na estréia do Brasil nesta Copa que rola por agora.
Foi uma ótima estrear contra o time dos ”ping”, ”park” e ”pong” do norte. Foram um belo boi de piranha que serviu, espero, para acabar com o nervosismo natural em qualquer estréia.
Dos norte-coeanos, cumpriram seu papel de aplicação tática. Mas contra o talento brasileiro, é complicado.
Cabe destacar que os jogadores do oriente estavam com chuteiras ”capitalistas”. Será que irão sofrer por irem contra os ”interesses” do povo deles?
Os dois gols foram fruto da técnica do jogador brasileiro e não de qualquer esquema tático do anão.
Agora é esperar jogadores mais soltos e um plano tático mais efetivo na próxima peleja.
Abraços,
Foi uma ótima estrear contra o time dos ”ping”, ”park” e ”pong” do norte. Foram um belo boi de piranha que serviu, espero, para acabar com o nervosismo natural em qualquer estréia.
Dos norte-coeanos, cumpriram seu papel de aplicação tática. Mas contra o talento brasileiro, é complicado.
Cabe destacar que os jogadores do oriente estavam com chuteiras ”capitalistas”. Será que irão sofrer por irem contra os ”interesses” do povo deles?
Os dois gols foram fruto da técnica do jogador brasileiro e não de qualquer esquema tático do anão.
Agora é esperar jogadores mais soltos e um plano tático mais efetivo na próxima peleja.
Abraços,
copa do mundo 5
E hoje o dia começou com mais um jogo daqueles que não dava vontade de acordar pra ver. E que depois deu arrependimento. Não que eu esperasse algo de Eslováquia x Nova Zelândia, mas foi um jogo dos menos proveitáveis. Os neozelandeses são muito ruins e sem qualquer esquema tático ou opção de jogada. Se defendem com todo mundo raçudo e correndo atrás da bola e dos adversários e atacam cruzando bolas de qualquer lugar. No fim acabou dando certo e num cruzamento de sorte empataram o jogo com um time bem melhor e organizado.
Talvez seja pela fragilidade do adversário, mas gostei mais da Eslováquia que do Paraguai. É mais um time que joga com três meias municiando um único atacante. Os dois abertos são habilidosos e possibilitam jogadas: Hamsik, jogador do Napoli e craque do time, pela esquerda e Weiss, o filho do técnico, se movimentando e inventando jogadas de efeito e até driblezinhos. Mas um time que apresenta pouco perigo a qualquer defesa bem organizada.
Próximos adversários do Brasil, Portugal e Costa do Marfim fizeram um dos jogos mais fortes da Copa até aqui, considerando-se os jogadores em combate. Enquanto Portugal entrou, como a maioria dos times no mundo hoje, no 4-3-2-1, os africanos atacavam num 4-3-3 e defendiam num curioso 4-6-0, concentrando todos os seus jogadores num único quarto de campo e fazendo uma barreira difícil de transpor. Pelo exagerado número de jogadores numa única faixa do campo [entre a entrada da área marfinense e a linha central do campo] era difícil fazer qualquer jogada ali e dificilmente sobrava espaço para que os jogadores criativos de Portugal fizessem qualquer coisa, sendo a principal jodada dos patrícios um chute de muito longe que morreu na trave, disparado por Cristiano Ronaldo [que, a propósito, apanhou bastante]. Os africanos marcavam ele e Deco sempre de perto, não permitindo aos portugueses criarem, e partiam para contrataques velozes, chegando várias vezes com o firuleiro Gervinho. Com a entrada de Drogba achei que esse sistema de defesa intensa o deixaria um pouco mais adiantado, mas mesmo com a estrela em campo o time mantinha a obediência tática defensiva e a falta de poder de conclusão.
Os dois times são fortes e apresentam ameaça real aos planos brasileiros, que terá que jogar muuuuuuuuuuuito melhor que hoje para não perder feio pra qualquer um deles.
Vencer por 2 x 1 o pior time do Mundial soa no mínimo preocupante. A tal defesa intransponível parecia bem, com desarmes espetaculares de Lúcio e Juan e com Maicon chegando no apoio, mas os nortecoreanos tiveram tantas chances que acabaram guardando uma. Já os brasileiros criaram pouco diante da fragilidade do adversário. Ainda confuso sobre como armar-se, o time depende unicamente dos contraataques para pegar a defesa adversária desprevenida. A maioria das possibilidades apareciam devido à enorme diferença física entre as equipes. As exceções foram os gols: bons lançamentos de Elano e Robinho que desmontaram a defesa e encontraram Maicon e Elano em condições de marcar.
No segundo tempo me surpreendi com a "ousadia" do Dunga, que, pasmem, sacou um dos sagrados volantes e botou mais um atacante. Mas sem o Kaká, que jogou bem mal, sem encontrar o espaço para jogar. No sistema ideal ele é o jogador que puxa, junto com o Robinho, os contraataques. Quando o Brasil precisa tomar a iniciativa ele não sabe qual a sua função. Parece estranho, mas foi assim que entendi a sua confusão. Já Robinho foi um dos melhores do time: forçou jogadas, deus algumas pedaladas inúteis, mas foi o mais efetivo. Ele e Maicon. Este sempre entre os melhores, não?
E amanhã é o último dia de estreias. Honduras e Chile é outro jogo que promete na disputa dos piores. Já a Espanha é a última esperança. Que brilhe a Fúria!
Talvez seja pela fragilidade do adversário, mas gostei mais da Eslováquia que do Paraguai. É mais um time que joga com três meias municiando um único atacante. Os dois abertos são habilidosos e possibilitam jogadas: Hamsik, jogador do Napoli e craque do time, pela esquerda e Weiss, o filho do técnico, se movimentando e inventando jogadas de efeito e até driblezinhos. Mas um time que apresenta pouco perigo a qualquer defesa bem organizada.
Próximos adversários do Brasil, Portugal e Costa do Marfim fizeram um dos jogos mais fortes da Copa até aqui, considerando-se os jogadores em combate. Enquanto Portugal entrou, como a maioria dos times no mundo hoje, no 4-3-2-1, os africanos atacavam num 4-3-3 e defendiam num curioso 4-6-0, concentrando todos os seus jogadores num único quarto de campo e fazendo uma barreira difícil de transpor. Pelo exagerado número de jogadores numa única faixa do campo [entre a entrada da área marfinense e a linha central do campo] era difícil fazer qualquer jogada ali e dificilmente sobrava espaço para que os jogadores criativos de Portugal fizessem qualquer coisa, sendo a principal jodada dos patrícios um chute de muito longe que morreu na trave, disparado por Cristiano Ronaldo [que, a propósito, apanhou bastante]. Os africanos marcavam ele e Deco sempre de perto, não permitindo aos portugueses criarem, e partiam para contrataques velozes, chegando várias vezes com o firuleiro Gervinho. Com a entrada de Drogba achei que esse sistema de defesa intensa o deixaria um pouco mais adiantado, mas mesmo com a estrela em campo o time mantinha a obediência tática defensiva e a falta de poder de conclusão.
Os dois times são fortes e apresentam ameaça real aos planos brasileiros, que terá que jogar muuuuuuuuuuuito melhor que hoje para não perder feio pra qualquer um deles.
Vencer por 2 x 1 o pior time do Mundial soa no mínimo preocupante. A tal defesa intransponível parecia bem, com desarmes espetaculares de Lúcio e Juan e com Maicon chegando no apoio, mas os nortecoreanos tiveram tantas chances que acabaram guardando uma. Já os brasileiros criaram pouco diante da fragilidade do adversário. Ainda confuso sobre como armar-se, o time depende unicamente dos contraataques para pegar a defesa adversária desprevenida. A maioria das possibilidades apareciam devido à enorme diferença física entre as equipes. As exceções foram os gols: bons lançamentos de Elano e Robinho que desmontaram a defesa e encontraram Maicon e Elano em condições de marcar.
No segundo tempo me surpreendi com a "ousadia" do Dunga, que, pasmem, sacou um dos sagrados volantes e botou mais um atacante. Mas sem o Kaká, que jogou bem mal, sem encontrar o espaço para jogar. No sistema ideal ele é o jogador que puxa, junto com o Robinho, os contraataques. Quando o Brasil precisa tomar a iniciativa ele não sabe qual a sua função. Parece estranho, mas foi assim que entendi a sua confusão. Já Robinho foi um dos melhores do time: forçou jogadas, deus algumas pedaladas inúteis, mas foi o mais efetivo. Ele e Maicon. Este sempre entre os melhores, não?
E amanhã é o último dia de estreias. Honduras e Chile é outro jogo que promete na disputa dos piores. Já a Espanha é a última esperança. Que brilhe a Fúria!
Segunda-feira, Junho 14, 2010
copa do mundo 4
Mais um dia de jogos e mais dois favoritos estreando hoje.
O primeiro deles, a Holanda, demorou um pouco pra engrenar, tocando bola sem objetividade e vendo a Dinamarca atacar com mais perigo no 1º tempo. Dinamarca que, como a Alemanha, é adepta do centroavante enfiado [Bendtner, do Arsenal] com três jogadores ofensivos chegando de trás, com destaques para os experientes Rommedahl e Jorgensen. Porém a qualidade técnica de seus jogadores está muito aquém da Alemanha. E o adversário muuuuito além da Austrália.
Desfalcada de Robben, talvez seu principal jogador, a Holanda torna-se um time menos incisivo. O que no papel tenderia ao seu tradicional 4-3-3 com pontas velozes e meias de chegada acabou se transformando num 4-2-3-1 também, com van Persie isolado na frente [e muito mal na partida] mas com Sneijder pouco incisivo pelo meio e van der Vaart e Kuyt fechando também e embolando o jogo no centro. O time melhorou depois da entrada do ponteiro Elija pela esquerda, fazendo uma função mais próxima da de Robben. A necessidade dos dinamarqueses saírem para o jogo depois do gol contra também facilitou a vida dos holandeses e abriu espaços para as jogadas acontecerem. Não sei como van Maarwick organizará o time com a entrada de Robben, mas seria espetacular se mantivesse van der Vaart fazendo a linha do meio-campo com van Bommel e abrindo mão do volante mais pegador De Jong. Com a fragilidade demonstrada pelos próximos adversários seriam um bom campo de testes para tamanha ofensividade.
Japão e Camarões, os próximos adversários de Holanda e Dinamarca, fizeram um jogo muito faltoso e bem chato de assistir. Camarões conta com alguns jogadores talentosos, mas esteve completamente perdido taticamente enquanto os japoneses marcaram pressão. Não conseguiam sair tocando bola e pouco criaram jogadas de ataque. Estão armados no 4-3-3 com atacantes abertos nos lados e meio campistas pouco técnicos porém voluntariosos e um lateral esquerdo que apoia e bate bem na bola. Porém, com a saída de jogo pressionada não organizavam as jogadas e Eto'o, isolado na direita, pouco apareceu. Num time assim Eto'o deveria estar fora da tática, como um agente livre se movimentanto para receber a bola. Talvez estar perto do gol pra chutar como a bola viesse. Mas aberto numa ponta parece desperdício.
Os japoneses venceram por acertarem uma jogada repetida à exaustão: jogada de fundo pela direita e cruzamento no segundo pau. Quando a defesa furou Honda, seu principal jogador, não desperdiçou. Começaram o jogo num ousado 4-1-4-1, marcando pressão no campo adversário com os cinco jogadores de frente. Tão logo fizeram o gol e o fôlego esvaiu o time se fechou atrás e aproveitou a desorganização do adversário e a partida pouco inspirada de Eto'o. Venceram um jogo, mas dificilmente seguram a Dinamarca. Menos ainda a Holanda. Já Camarões pode fazer uma partida interessante contra os dinamarqueses.
Por fim, a atual campeã Itália não conseguiu vencer o Paraguai. E olha que os paraguaios não têm um bom ataque e nem uma defesa que chegue aos pés da famosa retaguarda de 98. Um time bem sem sal, que não imagino outra forma de fazerem gols sem ser de bola parada. Ou não, já que terão a Nova Zelandia pela frente. Mas é um time que sem o voluntarioso Cabañas não assusta ninguém.
Aos italianos faltou técnica. Jogam no 4-3-2-1, o esquema da moda, só que sem Pirlo perdem o passe imprevisível no meio e só tentam jogadas fáceis de marcar. No segundo tempo, com a entrada de Camoranesi e Di Natale, ficaram um pouco mais inventivos. Time sólido, deve ganhar corpo com a entrada de Pirlo e tem substitutos à altura dos titulares. Pode se impor sobre os adversários pela melhor condição física dos jogadores que entrarem descansados. Não muito mais que isso. A defesa, claro, é muito forte e tem Cannavaro ousando botes inimagináveis [alguém se lembra de um lance na lateral direita em que ele pula em direção à bola como uma cobra dando o bote?]. Zambrotta apesar de veterano apoia bem e De Rossi marca e parte com a bola quando necessário. Fez o gol e cresce como o principal jogador da equipe na ausência de Pirlo. No ataque, Iaquinta é fraco para fazer a função de municiador. Ele deveria disputar com Gilardino a função de último 1 do esquema. Pepe é rápido e foi quem mais improvisou jogadas. Se do outro lado tiver Camoranesi ou Di Natale deve crescer [como aconteceu hoje]. O empate na estreia não assusta, os italianos são fortes e favoritos sim! Um time que tradicionalmente se acerta durante a competição.
E amanhã é a vez do Brasil enfrentar cones.
O primeiro deles, a Holanda, demorou um pouco pra engrenar, tocando bola sem objetividade e vendo a Dinamarca atacar com mais perigo no 1º tempo. Dinamarca que, como a Alemanha, é adepta do centroavante enfiado [Bendtner, do Arsenal] com três jogadores ofensivos chegando de trás, com destaques para os experientes Rommedahl e Jorgensen. Porém a qualidade técnica de seus jogadores está muito aquém da Alemanha. E o adversário muuuuito além da Austrália.
Desfalcada de Robben, talvez seu principal jogador, a Holanda torna-se um time menos incisivo. O que no papel tenderia ao seu tradicional 4-3-3 com pontas velozes e meias de chegada acabou se transformando num 4-2-3-1 também, com van Persie isolado na frente [e muito mal na partida] mas com Sneijder pouco incisivo pelo meio e van der Vaart e Kuyt fechando também e embolando o jogo no centro. O time melhorou depois da entrada do ponteiro Elija pela esquerda, fazendo uma função mais próxima da de Robben. A necessidade dos dinamarqueses saírem para o jogo depois do gol contra também facilitou a vida dos holandeses e abriu espaços para as jogadas acontecerem. Não sei como van Maarwick organizará o time com a entrada de Robben, mas seria espetacular se mantivesse van der Vaart fazendo a linha do meio-campo com van Bommel e abrindo mão do volante mais pegador De Jong. Com a fragilidade demonstrada pelos próximos adversários seriam um bom campo de testes para tamanha ofensividade.
Japão e Camarões, os próximos adversários de Holanda e Dinamarca, fizeram um jogo muito faltoso e bem chato de assistir. Camarões conta com alguns jogadores talentosos, mas esteve completamente perdido taticamente enquanto os japoneses marcaram pressão. Não conseguiam sair tocando bola e pouco criaram jogadas de ataque. Estão armados no 4-3-3 com atacantes abertos nos lados e meio campistas pouco técnicos porém voluntariosos e um lateral esquerdo que apoia e bate bem na bola. Porém, com a saída de jogo pressionada não organizavam as jogadas e Eto'o, isolado na direita, pouco apareceu. Num time assim Eto'o deveria estar fora da tática, como um agente livre se movimentanto para receber a bola. Talvez estar perto do gol pra chutar como a bola viesse. Mas aberto numa ponta parece desperdício.
Os japoneses venceram por acertarem uma jogada repetida à exaustão: jogada de fundo pela direita e cruzamento no segundo pau. Quando a defesa furou Honda, seu principal jogador, não desperdiçou. Começaram o jogo num ousado 4-1-4-1, marcando pressão no campo adversário com os cinco jogadores de frente. Tão logo fizeram o gol e o fôlego esvaiu o time se fechou atrás e aproveitou a desorganização do adversário e a partida pouco inspirada de Eto'o. Venceram um jogo, mas dificilmente seguram a Dinamarca. Menos ainda a Holanda. Já Camarões pode fazer uma partida interessante contra os dinamarqueses.
Por fim, a atual campeã Itália não conseguiu vencer o Paraguai. E olha que os paraguaios não têm um bom ataque e nem uma defesa que chegue aos pés da famosa retaguarda de 98. Um time bem sem sal, que não imagino outra forma de fazerem gols sem ser de bola parada. Ou não, já que terão a Nova Zelandia pela frente. Mas é um time que sem o voluntarioso Cabañas não assusta ninguém.
Aos italianos faltou técnica. Jogam no 4-3-2-1, o esquema da moda, só que sem Pirlo perdem o passe imprevisível no meio e só tentam jogadas fáceis de marcar. No segundo tempo, com a entrada de Camoranesi e Di Natale, ficaram um pouco mais inventivos. Time sólido, deve ganhar corpo com a entrada de Pirlo e tem substitutos à altura dos titulares. Pode se impor sobre os adversários pela melhor condição física dos jogadores que entrarem descansados. Não muito mais que isso. A defesa, claro, é muito forte e tem Cannavaro ousando botes inimagináveis [alguém se lembra de um lance na lateral direita em que ele pula em direção à bola como uma cobra dando o bote?]. Zambrotta apesar de veterano apoia bem e De Rossi marca e parte com a bola quando necessário. Fez o gol e cresce como o principal jogador da equipe na ausência de Pirlo. No ataque, Iaquinta é fraco para fazer a função de municiador. Ele deveria disputar com Gilardino a função de último 1 do esquema. Pepe é rápido e foi quem mais improvisou jogadas. Se do outro lado tiver Camoranesi ou Di Natale deve crescer [como aconteceu hoje]. O empate na estreia não assusta, os italianos são fortes e favoritos sim! Um time que tradicionalmente se acerta durante a competição.
E amanhã é a vez do Brasil enfrentar cones.
2o tempo de Paraguai e Itália ao vivo
De Florença, vejo o coração dos carcamanos apertados nesse início de 2o tempo depois do gol paraguaio.
10:00 O cavalo guarani mete um balõn na trave e o povo ítalo faz mais barulho que fez nos pífios ataques da seleção deles.
15 o cartão amarelo faz a bota sair do velório.
20 O gol e o conentário do garçon é: cosi vá itália.
Depois não teve mais niente.
O Dunga deveria dar graças a Deus e parar de reclamar.
O técnico da seleção italiana está a ser fritado vivo na coletiva pós jogo e nos comentários das mesas redondas da bota.
Copa no Brasil é muito mais emoção no povo. Aqui teve até caminhão de lixo a trabalhar durante o jogo da seleção deles.
Abraços,
10:00 O cavalo guarani mete um balõn na trave e o povo ítalo faz mais barulho que fez nos pífios ataques da seleção deles.
15 o cartão amarelo faz a bota sair do velório.
20 O gol e o conentário do garçon é: cosi vá itália.
Depois não teve mais niente.
O Dunga deveria dar graças a Deus e parar de reclamar.
O técnico da seleção italiana está a ser fritado vivo na coletiva pós jogo e nos comentários das mesas redondas da bota.
Copa no Brasil é muito mais emoção no povo. Aqui teve até caminhão de lixo a trabalhar durante o jogo da seleção deles.
Abraços,
Domingo, Junho 13, 2010
copa do mundo 3
Bem, com o terceiro dia de jogos finalmente aparece um time que encanta: a Alemanha!
Jogando com quatro jogadores de frente e volantes que saem pro jogo os alemães mostraram muita alternância de jogadas e possibilidades mil para chegar ao gol. Venceram por 4 x 0 a fraca Austrália e acredito que jogam bem contra qualquer um. Quando atacados terão a possibilidade do contraataque e então creio que a forte movimentação de seus avantes pode se aproveitar das defesas desarmadas.
A formação da defesa é tradicional, mas conta com Lahm na lateral direita chegando no apoio e cruzando de 3/4 do campo. Schweinsteiger, meia na Copa passada, é um volante com passe sensacional e que chuta muito bem a gol. Klose é o centroavante, aparecendo como homem mais adiantado, mas é ele quem recebe centralizado os passes para trás que vêm das jogadas de fundo, propiciadas pela movimentação dos três jogadores que jogam imediatamente atrás dele: Podolski pela esquerda, Özil pelo centro e Müller pela direita, todos muito rápidos, ágeis e com bom drible e criatividade.
Já espero muito desse time, que parece ter melhorado muito com a saída de Ballack, que cadenciava o jogo e diminuia muito a mobilidade do time.
Logo pela manhã juntei muita coragem para acordar e ver Eslovênia x Argélia, esperado como um dos piores jogos da Copa. Não foi muito além disso. Times fracos e sem opções de jogadas. O único bom jogador em campo foi o 10 esloveno: Birsa, do Auxerre. A vitória dos europeus veio, claro, num frango do goleiro africano em um chute despretensioso.
No outro jogo do dia tivemos dois bons times, mas totalmente ofuscados depois pelo brilho alemão. Gana tem vigor físico e mesmo sem ter contado com suas estrelas, os volantes Essien e Muntari, venceu a Sérvia de tantos bons jogadores que não foram bem. Dois adversários duros para testar a força desse sistema assombrosamente ofensivo dos alemães.
Vendo pelos nomes dos jogadores presentes, a derrota sérvia ante os ganeses me impressionou também, mas ambos os times criaram jogadas e falharam nas conclusões. Faltou Stankovic, o principal jogador do país dos ics, aparecer no jogo. Pouco brilhou também o atacante do Ajax Pantelic, de quem esperava ao menos que desse algum calor nos africanos. Agora os sérvios têm que vencer a Alemanha para ainda terem chances no Mundial. Pelo que vimos hoje, estão fora.
E para amanhã tem estreia da campeã e sempre favorita Itália, mas toda a minha ansiedade está para a Holanda. Sem Robben o time deve adiantar van der Vaart e ter menos velocidade. Vamos ver como se viram.
Jogando com quatro jogadores de frente e volantes que saem pro jogo os alemães mostraram muita alternância de jogadas e possibilidades mil para chegar ao gol. Venceram por 4 x 0 a fraca Austrália e acredito que jogam bem contra qualquer um. Quando atacados terão a possibilidade do contraataque e então creio que a forte movimentação de seus avantes pode se aproveitar das defesas desarmadas.
A formação da defesa é tradicional, mas conta com Lahm na lateral direita chegando no apoio e cruzando de 3/4 do campo. Schweinsteiger, meia na Copa passada, é um volante com passe sensacional e que chuta muito bem a gol. Klose é o centroavante, aparecendo como homem mais adiantado, mas é ele quem recebe centralizado os passes para trás que vêm das jogadas de fundo, propiciadas pela movimentação dos três jogadores que jogam imediatamente atrás dele: Podolski pela esquerda, Özil pelo centro e Müller pela direita, todos muito rápidos, ágeis e com bom drible e criatividade.
Já espero muito desse time, que parece ter melhorado muito com a saída de Ballack, que cadenciava o jogo e diminuia muito a mobilidade do time.
Logo pela manhã juntei muita coragem para acordar e ver Eslovênia x Argélia, esperado como um dos piores jogos da Copa. Não foi muito além disso. Times fracos e sem opções de jogadas. O único bom jogador em campo foi o 10 esloveno: Birsa, do Auxerre. A vitória dos europeus veio, claro, num frango do goleiro africano em um chute despretensioso.
No outro jogo do dia tivemos dois bons times, mas totalmente ofuscados depois pelo brilho alemão. Gana tem vigor físico e mesmo sem ter contado com suas estrelas, os volantes Essien e Muntari, venceu a Sérvia de tantos bons jogadores que não foram bem. Dois adversários duros para testar a força desse sistema assombrosamente ofensivo dos alemães.
Vendo pelos nomes dos jogadores presentes, a derrota sérvia ante os ganeses me impressionou também, mas ambos os times criaram jogadas e falharam nas conclusões. Faltou Stankovic, o principal jogador do país dos ics, aparecer no jogo. Pouco brilhou também o atacante do Ajax Pantelic, de quem esperava ao menos que desse algum calor nos africanos. Agora os sérvios têm que vencer a Alemanha para ainda terem chances no Mundial. Pelo que vimos hoje, estão fora.
E para amanhã tem estreia da campeã e sempre favorita Itália, mas toda a minha ansiedade está para a Holanda. Sem Robben o time deve adiantar van der Vaart e ter menos velocidade. Vamos ver como se viram.
Sábado, Junho 12, 2010
copa do mundo 2
Segudo dia de Copa do Mundo e as coisas parecem melhorar.
A Coreia venceu bem a fraquíssima Grécia. mostrando velocidade e uma boa versatilidade de jogadas. Claramente ainda herança dos tempos de Guus Hiddink, quando a equipe assumiu disciplina tática e chegou às semifinais do Mundial. O time joga um futebol ofensivo, baseado na velocidade e com muita eficiência nos contraataques [algo muito importante quando se assume rapidamente uma vantagem no marcador, como aconteceu hoje]. Ainda que a Grécia seja um time bem fraco, que deve perder também as próximas partidas diante de Argentina e Nigéria, a vitória coreana foi deveras convinvente e o time aparece como candidato à vaga nas oitavas e talvez até a complicar a vida da França. Park Ji-sung é um belo jogador, com domínio do jogo e jogadas ousadas. O outro Park, o Young, arrisca jogadas e chutes de longe, podendo desequilibrar partidas. A tônica da equipe é a disciplina tática voltada para agredir o adversário.
No segundo jogo do dia houve a estreia da sempre favorita Argentina, que apesar de vencer a Nigéria por apenas 1 x 0 mostrou que chega como uma das grandes forças. Seu craque, Messi, forçou jogadas, criou muitas chances e desponta como esperança de um dos melhores do Mundial. A equipe ousou num esquema com três atacantes [Messi, Higuaín e Tevez], mas teve atuação apagada dos meias, os ofensivos e talentosos Verón e Di Maria. Num dia inspirado dos dois promete goleada. Pra estreia a vitória ficou de bom tamanho. Especialmente pela ousadia de Messi. O grande problema, como já era esperado, foi a atuação da defesa. A escalação de um meia como lateral direito [Jonás Gutierrez] desestabiliza a defesa e permite ao adversário diversas possibilidades de ataque. Contra a Nigéria deu pra resistir mesmo quando apostaram muito no ataque [chegaram a ter quatro atacantes em determinado momento do jogo], mas contra adversários mais fortes isso pode preocupar.
A Nigéria não parece muito mais que adversário da Coreia a uma vaga nas oitavas. Depende muito do atacante Yakubu, que lidera todas as suas ações ofensivas.
Por fim, o dia teve a estreia da Inglaterra diante dos Estados Unidos, num jogo decepcionante. Se os americanos chegam fortes, com a moral de finalistas da última Copa das Confederações, os ingleses têm um dos times mais fortes do mundo há pelo menos uma década.
Jogo feio, 1 x 1 devido a boa jogada de Gerrard e um frangaço do goleiro Green.
Rooney e Lampard pouco apareceram. Do time americano pouco espero além do segundo lugar deste grupo fraco cuja rodada se encerra amanhã com Argélia x Eslovênia.
Além desse, amanhã estreia a Alemanha, eternamente favorita e prometendo um time renovado e veloz.
Até lá.
A Coreia venceu bem a fraquíssima Grécia. mostrando velocidade e uma boa versatilidade de jogadas. Claramente ainda herança dos tempos de Guus Hiddink, quando a equipe assumiu disciplina tática e chegou às semifinais do Mundial. O time joga um futebol ofensivo, baseado na velocidade e com muita eficiência nos contraataques [algo muito importante quando se assume rapidamente uma vantagem no marcador, como aconteceu hoje]. Ainda que a Grécia seja um time bem fraco, que deve perder também as próximas partidas diante de Argentina e Nigéria, a vitória coreana foi deveras convinvente e o time aparece como candidato à vaga nas oitavas e talvez até a complicar a vida da França. Park Ji-sung é um belo jogador, com domínio do jogo e jogadas ousadas. O outro Park, o Young, arrisca jogadas e chutes de longe, podendo desequilibrar partidas. A tônica da equipe é a disciplina tática voltada para agredir o adversário.
No segundo jogo do dia houve a estreia da sempre favorita Argentina, que apesar de vencer a Nigéria por apenas 1 x 0 mostrou que chega como uma das grandes forças. Seu craque, Messi, forçou jogadas, criou muitas chances e desponta como esperança de um dos melhores do Mundial. A equipe ousou num esquema com três atacantes [Messi, Higuaín e Tevez], mas teve atuação apagada dos meias, os ofensivos e talentosos Verón e Di Maria. Num dia inspirado dos dois promete goleada. Pra estreia a vitória ficou de bom tamanho. Especialmente pela ousadia de Messi. O grande problema, como já era esperado, foi a atuação da defesa. A escalação de um meia como lateral direito [Jonás Gutierrez] desestabiliza a defesa e permite ao adversário diversas possibilidades de ataque. Contra a Nigéria deu pra resistir mesmo quando apostaram muito no ataque [chegaram a ter quatro atacantes em determinado momento do jogo], mas contra adversários mais fortes isso pode preocupar.
A Nigéria não parece muito mais que adversário da Coreia a uma vaga nas oitavas. Depende muito do atacante Yakubu, que lidera todas as suas ações ofensivas.
Por fim, o dia teve a estreia da Inglaterra diante dos Estados Unidos, num jogo decepcionante. Se os americanos chegam fortes, com a moral de finalistas da última Copa das Confederações, os ingleses têm um dos times mais fortes do mundo há pelo menos uma década.
Jogo feio, 1 x 1 devido a boa jogada de Gerrard e um frangaço do goleiro Green.
Rooney e Lampard pouco apareceram. Do time americano pouco espero além do segundo lugar deste grupo fraco cuja rodada se encerra amanhã com Argélia x Eslovênia.
Além desse, amanhã estreia a Alemanha, eternamente favorita e prometendo um time renovado e veloz.
Até lá.
copa do mundo 1
Terminado o primeiro dia de jogos da Copa do Mundo, pouca coisa a se falar.
Poucos gols em partidas pouco movimentadas: África do Sul 1 x 1 México e França 0 x 0 Uruguai.
França e México se mostraram adeptos do agora tão popular 4-3-2-1 [o 4!], com um centroavante sozinho no meio dos beques adversários servindo como referência na área e dois meias-atacantes abertos nos lados e tentando jogadas de abertura. O que era falho no esquema das duas equipes era a chegada dos jogadores de meio. Pouco se consegue produzir atacando assim às duas linhas de quatro defensores usadas pelos adversários.
Enquanto a França deixa Henry no banco, centraliza Anelka e abre Ribery e o fraco Govou [melhor opção seria adiantar esta linha, mover Ribery para a direita e jogar com Henry na esquerda, como ele jogava no Barcelona antes de perder espaço], o México investe na geração campeã do Sub-17 de alguns anos atrás, com Giovanny dos Santos [cada dia mais parecido com Ronaldinho, até no jeito de sorrir e andar] e Vela. Os dois são rápidos e técnicos. Tornam-se incisivos pelo bom drible. Mas as jogadas parecem não fluir assim e o time só ameaçou mesmo os fracos sul-africanos após a entrada de Guardado e do figurão Blanco. Tiveram sorte de numa saída errada da defesa africana a bola ter sobrado limpa para o Rafa Márquez empatar a partida. Não fosse isso [e algum azar dos atacantes sul-africanos] e o time de Parreira teria saído vencedor na estreia.
Apoiada pela torcida, a equipe, apesar de bem fraca, pode crescer e atrapalhar os planos de uruguaios e franceses nas próximas rodadas. O sistema tático é tão sem graça quanto os jogadores sem atrativos. Sequer Steve Pienaar [aquele "véry gudi preyer" que jogava "in the left, in the right, in the midiu" no time do Joel Santana] faz algo como homem entre as duas linhas de trás e o cara da frente. Tudo o que têm é um contraataque rápido e que funcionou muito bem na jogada do gol.
Mas tudo bem, quem é que esperava algo desse jogo mesmo, não é?
Já França e Uruguai decepcionaram. Menos os sulamericanos, claro, já que a expectativa era menor. Jogam num 4-4-2 clássico, as famosas duas linhas e uma dupla de atacantes do tipo em rápido e um forte. O destaque, claro, Forlán, cujas jogadas individuais parecem ser as únicas de que a equipe dispõe. Decisivo nas finais da Liga Europa, o atacante ainda deve fazer mais estrago diante das defesas mais fracas que enfrentará nas próximas partidas.
Sem Henry a França perde muito de seu peso e carisma. Perde também quase toda a sua capacidade de desequilibrar. Tem ótimos jogadores em todas as posições, com destaques para Evra, Diaby e Ribéry. Gallas significa segurança na defesa e Gourcuff e Toulalan têm qualidade na saída de jogo. Não devem ter problemas para vencer a África do Sul na última rodada e garantir a vaga. Difícil será o próximo jogo contra o México, com a equipe ainda procurando suas jogadas.
Pra amanhã as coisas prometem bem mais.
Teremos Inglaterra e, principalmente, Argentina em campo.
Há muito tempo que os ingleses têm um dos melhores times do mundo e desperta muito interesse ver Rooney, Gerrard e Lampard.
Mas o que quero mesmo é ver os argentinos jogando no ataque, com Messi, Higuaín, Tevez, Di Maria e Verón. Tomara que funcione.
Poucos gols em partidas pouco movimentadas: África do Sul 1 x 1 México e França 0 x 0 Uruguai.
França e México se mostraram adeptos do agora tão popular 4-3-2-1 [o 4!], com um centroavante sozinho no meio dos beques adversários servindo como referência na área e dois meias-atacantes abertos nos lados e tentando jogadas de abertura. O que era falho no esquema das duas equipes era a chegada dos jogadores de meio. Pouco se consegue produzir atacando assim às duas linhas de quatro defensores usadas pelos adversários.
Enquanto a França deixa Henry no banco, centraliza Anelka e abre Ribery e o fraco Govou [melhor opção seria adiantar esta linha, mover Ribery para a direita e jogar com Henry na esquerda, como ele jogava no Barcelona antes de perder espaço], o México investe na geração campeã do Sub-17 de alguns anos atrás, com Giovanny dos Santos [cada dia mais parecido com Ronaldinho, até no jeito de sorrir e andar] e Vela. Os dois são rápidos e técnicos. Tornam-se incisivos pelo bom drible. Mas as jogadas parecem não fluir assim e o time só ameaçou mesmo os fracos sul-africanos após a entrada de Guardado e do figurão Blanco. Tiveram sorte de numa saída errada da defesa africana a bola ter sobrado limpa para o Rafa Márquez empatar a partida. Não fosse isso [e algum azar dos atacantes sul-africanos] e o time de Parreira teria saído vencedor na estreia.
Apoiada pela torcida, a equipe, apesar de bem fraca, pode crescer e atrapalhar os planos de uruguaios e franceses nas próximas rodadas. O sistema tático é tão sem graça quanto os jogadores sem atrativos. Sequer Steve Pienaar [aquele "véry gudi preyer" que jogava "in the left, in the right, in the midiu" no time do Joel Santana] faz algo como homem entre as duas linhas de trás e o cara da frente. Tudo o que têm é um contraataque rápido e que funcionou muito bem na jogada do gol.
Mas tudo bem, quem é que esperava algo desse jogo mesmo, não é?
Já França e Uruguai decepcionaram. Menos os sulamericanos, claro, já que a expectativa era menor. Jogam num 4-4-2 clássico, as famosas duas linhas e uma dupla de atacantes do tipo em rápido e um forte. O destaque, claro, Forlán, cujas jogadas individuais parecem ser as únicas de que a equipe dispõe. Decisivo nas finais da Liga Europa, o atacante ainda deve fazer mais estrago diante das defesas mais fracas que enfrentará nas próximas partidas.
Sem Henry a França perde muito de seu peso e carisma. Perde também quase toda a sua capacidade de desequilibrar. Tem ótimos jogadores em todas as posições, com destaques para Evra, Diaby e Ribéry. Gallas significa segurança na defesa e Gourcuff e Toulalan têm qualidade na saída de jogo. Não devem ter problemas para vencer a África do Sul na última rodada e garantir a vaga. Difícil será o próximo jogo contra o México, com a equipe ainda procurando suas jogadas.
Pra amanhã as coisas prometem bem mais.
Teremos Inglaterra e, principalmente, Argentina em campo.
Há muito tempo que os ingleses têm um dos melhores times do mundo e desperta muito interesse ver Rooney, Gerrard e Lampard.
Mas o que quero mesmo é ver os argentinos jogando no ataque, com Messi, Higuaín, Tevez, Di Maria e Verón. Tomara que funcione.
Hangeul x Alfabeto Grego
Há uma personagem em Casamento Grego que, orgulhosa de sua cultura, diz que todas as palavras são oriundas da antiga língua helênica.
Um exagero ufanista, é claro.
Mas sua fala encobre uma realidade: a influência do grego sobre as línguas é enorme, principalmente, na etimologia. A sintaxe e a morfologia perderam espaço para o latim, muito mais simples. Algo mais ou menos parecido como a batalha inglês x francês: uma língua com conjugações mais simples e sem acentuação é mais palatável aos estrangeiros.
Soma-se a isso, evidentemente, o poder dos respectivos impérios.
Assim, nas línguas ocidentais, o alfabeto latino prosperou. O grego ficou esquecido, reservado para as ciências exatas.
Na Coreia, a história é bastante interessante. Para substituir os caracteres chineses, o rei Sejong criou o Hangeul, um sistema que mistura alfabeto e escrita silábica.
O sistema é inovador, prático e rápido. Como foi o time da Coreia do Sul hoje.
Um exagero ufanista, é claro.
Mas sua fala encobre uma realidade: a influência do grego sobre as línguas é enorme, principalmente, na etimologia. A sintaxe e a morfologia perderam espaço para o latim, muito mais simples. Algo mais ou menos parecido como a batalha inglês x francês: uma língua com conjugações mais simples e sem acentuação é mais palatável aos estrangeiros.
Soma-se a isso, evidentemente, o poder dos respectivos impérios.
Assim, nas línguas ocidentais, o alfabeto latino prosperou. O grego ficou esquecido, reservado para as ciências exatas.
Na Coreia, a história é bastante interessante. Para substituir os caracteres chineses, o rei Sejong criou o Hangeul, um sistema que mistura alfabeto e escrita silábica.
O sistema é inovador, prático e rápido. Como foi o time da Coreia do Sul hoje.
Sexta-feira, Junho 11, 2010
Estreia
Na primeira Copa depois do acordo ortográfico, a estreia é pelo Grupo da Morte.
Se em outros grupos, há times mais vistosos se enfrentando, o A é o Grupo mais equilibrado, mas por causa da imprevisibilidade de seus componentes.
Se entre Holanda, Camarões e Dinamarca, ou entre Alemanha, Gana e Sérvia, o difícil é arriscar quem ganha, entre os Celestaes, os Bleus, os donos da casa e os Mexicanos, é complicado apontar quem está mais próximo de perder.
A África do Sul é provavelmente o pior anfitrião de todos os tempos. Mesmo a Coreia do Sul era um pouco mais qualificada.
A França, classificada no finzinho, com as mãos de Henry e do árbitro, dá mostras de desgaste. Dos jogadores, do técnico, da confiança.
O México é aquela coisa de sempre. É como a Espanha. Como político em campanha. Só promessas.
O Uruguai é o time da respecagem. Já faz tempo. Mas, na Copa, não tem segunda chance.
Se em outros certames, as previsões foram para o espaço logo na estreia, como em 90 e 98, hoje a zebra estará em descanso na África, pois qualquer resultado significará, mais do que a queda, o início de uma sobrevida.
Se em outros grupos, há times mais vistosos se enfrentando, o A é o Grupo mais equilibrado, mas por causa da imprevisibilidade de seus componentes.
Se entre Holanda, Camarões e Dinamarca, ou entre Alemanha, Gana e Sérvia, o difícil é arriscar quem ganha, entre os Celestaes, os Bleus, os donos da casa e os Mexicanos, é complicado apontar quem está mais próximo de perder.
A África do Sul é provavelmente o pior anfitrião de todos os tempos. Mesmo a Coreia do Sul era um pouco mais qualificada.
A França, classificada no finzinho, com as mãos de Henry e do árbitro, dá mostras de desgaste. Dos jogadores, do técnico, da confiança.
O México é aquela coisa de sempre. É como a Espanha. Como político em campanha. Só promessas.
O Uruguai é o time da respecagem. Já faz tempo. Mas, na Copa, não tem segunda chance.
Se em outros certames, as previsões foram para o espaço logo na estreia, como em 90 e 98, hoje a zebra estará em descanso na África, pois qualquer resultado significará, mais do que a queda, o início de uma sobrevida.
Quinta-feira, Junho 10, 2010
Mircea Eliade na Copa
Quando Mircea Eliade escreveu O mito do eterno retorno, dedicou-se à análise das chamadas sociedades tradicionais e primitivas. Para elas, cada evento era repetição de um arquétipo de um grande acontecimento vivido pelo ancestral, pelo deus ou pelo heroi.
Além disso, havia a magia do ciclo: o constante recomeço, a purgação dos erros da última rodada. A nova colheita e o novo ano simbolizavam a oportunidade para acertar e a expiação das falhas anteriores.
O pensamento judaico, a ideologia cristã, a dialética hegeliana e o marxismo, entre outros, tentaram, cada um a seu modo, limpar a vida da ideia de repetição, historicizando os acontecimentos.
Mas, para dar algum sentido a essa insensatez que é a vida, o que fizeram foi apenas remeter a salvação para um fim dos tempos. E, como esperar não é uma grande virtude humana, Eliade já percebera que História é um problema para as elites, pois o homem comum, o bonus pater familias, está mais envolto com a idéia de ciclo e repetição, com o modo de vida "primitivo", do que podem imaginar nossas posturas modernas.
A primeira edição do livro é de 1949; a segunda, de 1965. A primeira, em Paris; a segunda, em Chicago.
Infelizmente, não houve ocasião para que o escritor romeno tivesse percebido que o grande ciclo da vida do homem comum é o futebol, pois, a cada campeonato, renova-se a chance do êxito. E, enquanto ele não chega, vai-se combatendo resignadamente o Mal, ou melhor, o adversário.
E o evento máximo desse ciclo é a Copa do Mundo, evento que passa a ser um filtro na vida do homem moderno-primitivo. Por ele, são marcados os fatos da história pessoal e geral: onde você estava em 1970, quem era o presidente em 1994, e tal e coisa.
Não é por acaso que os "analistas" insistem em coincidências dos 12 anos: no Brasil, 1958, 1970, 1982, 1994; na Itália, 1970, 1982, 1994, 2006.
É um ciclo dentro de outro, dentro de outro, dentro de outro.
Mas Mircea não jogava bola. O heroi romeno, Hagi, apareceu algumas rodadas depois.
Além disso, havia a magia do ciclo: o constante recomeço, a purgação dos erros da última rodada. A nova colheita e o novo ano simbolizavam a oportunidade para acertar e a expiação das falhas anteriores.
O pensamento judaico, a ideologia cristã, a dialética hegeliana e o marxismo, entre outros, tentaram, cada um a seu modo, limpar a vida da ideia de repetição, historicizando os acontecimentos.
Mas, para dar algum sentido a essa insensatez que é a vida, o que fizeram foi apenas remeter a salvação para um fim dos tempos. E, como esperar não é uma grande virtude humana, Eliade já percebera que História é um problema para as elites, pois o homem comum, o bonus pater familias, está mais envolto com a idéia de ciclo e repetição, com o modo de vida "primitivo", do que podem imaginar nossas posturas modernas.
A primeira edição do livro é de 1949; a segunda, de 1965. A primeira, em Paris; a segunda, em Chicago.
Infelizmente, não houve ocasião para que o escritor romeno tivesse percebido que o grande ciclo da vida do homem comum é o futebol, pois, a cada campeonato, renova-se a chance do êxito. E, enquanto ele não chega, vai-se combatendo resignadamente o Mal, ou melhor, o adversário.
E o evento máximo desse ciclo é a Copa do Mundo, evento que passa a ser um filtro na vida do homem moderno-primitivo. Por ele, são marcados os fatos da história pessoal e geral: onde você estava em 1970, quem era o presidente em 1994, e tal e coisa.
Não é por acaso que os "analistas" insistem em coincidências dos 12 anos: no Brasil, 1958, 1970, 1982, 1994; na Itália, 1970, 1982, 1994, 2006.
É um ciclo dentro de outro, dentro de outro, dentro de outro.
Mas Mircea não jogava bola. O heroi romeno, Hagi, apareceu algumas rodadas depois.
Dunga é mais respeitado do estrangeiro
Muitos eram vendedores, mas outros não brasileiros com quem conversei sobre a Copa também têm um respeito cerimonioso, quase religioso, por Dunga.
No Brasil eu vejo os que gostam do anão do fundo do coração, os puxa-saco tradicionais, os que suportam o técnico da Seleção e os anti-patrióticos que não aceitariam-o mesmo que tivesse convocado Ganso e Neymar.
Parece que rola algo assim com Obama. Também deveria ser assim na Argentina, mas não sei o que os hermanos piensam do manos de deus.
Essa situação é a normal mesmo. Porque só quem é da casa que sabe dos tombos que o Dunga levou e não fica vendo unicamente as pingas que ele mandou pra drentro.
De qualquer forma, alea jacta est. Futebol, Copa só são o que são porque a sorte é importante.
Abraços,
No Brasil eu vejo os que gostam do anão do fundo do coração, os puxa-saco tradicionais, os que suportam o técnico da Seleção e os anti-patrióticos que não aceitariam-o mesmo que tivesse convocado Ganso e Neymar.
Parece que rola algo assim com Obama. Também deveria ser assim na Argentina, mas não sei o que os hermanos piensam do manos de deus.
Essa situação é a normal mesmo. Porque só quem é da casa que sabe dos tombos que o Dunga levou e não fica vendo unicamente as pingas que ele mandou pra drentro.
De qualquer forma, alea jacta est. Futebol, Copa só são o que são porque a sorte é importante.
Abraços,
Terça-feira, Junho 08, 2010
Durval na Copa
Em 97, na preparação para a Copa, Carpegiani tinha um problema: arranjar um atacante para o Paraguai. Cardozo, o artilheiro daquela época, era o único que sabia fazer gols. Faltava uma opção.
Por isso, em 99, os paraguaios se entusiasmaram com Roque Santa Cruz, que, o tempo mostrou, não adiantou muita coisa.
Mas, voltando a 98, um atacante era tudo que o time paraguaio precisava no jogo contra a França, perdido na morte súbita. E, então, poderia ter havido uma final sul-americana em Paris.
Ciente de suas carências, Carpegiani dava entrevistas em que dizia sonhar com Renato na linha de frente de seu time. O Gaúcho já estava em fim de carreira, mas ainda fazia seus gols. E, convenhamos, um tento de barriga poderia ter mudado a história na França. Renato era a demonstração de nossa pujança na grande área. Um jogador que serviria para qualquer escrete de 98 não era nem cogitado por aqui.
Hoje - ironias do ludopédio - exportamos zagueiros. E quem deve cobiçar algum de nossos defensores é Maradona.
Se do meio para frente, ele tem uma linha com Di Maria, Verón, Messi, Tévez e Higuaín, a retaguarda bota medo.
Qualquer dupla de zaga paulista serviria bem a Diós. Poderia ser o baixo Chicão e o lento William, ou os seguros mas às vezes espalhafatosos Miranda e Alex Silva. Com qualquer dessas duplas, a Argentina seria um time quase completo (faltaria apenas um goleiro confiável).
Na verdade, creio que Maradona se contentaria com Durval e Dracena.
Por isso, em 99, os paraguaios se entusiasmaram com Roque Santa Cruz, que, o tempo mostrou, não adiantou muita coisa.
Mas, voltando a 98, um atacante era tudo que o time paraguaio precisava no jogo contra a França, perdido na morte súbita. E, então, poderia ter havido uma final sul-americana em Paris.
Ciente de suas carências, Carpegiani dava entrevistas em que dizia sonhar com Renato na linha de frente de seu time. O Gaúcho já estava em fim de carreira, mas ainda fazia seus gols. E, convenhamos, um tento de barriga poderia ter mudado a história na França. Renato era a demonstração de nossa pujança na grande área. Um jogador que serviria para qualquer escrete de 98 não era nem cogitado por aqui.
Hoje - ironias do ludopédio - exportamos zagueiros. E quem deve cobiçar algum de nossos defensores é Maradona.
Se do meio para frente, ele tem uma linha com Di Maria, Verón, Messi, Tévez e Higuaín, a retaguarda bota medo.
Qualquer dupla de zaga paulista serviria bem a Diós. Poderia ser o baixo Chicão e o lento William, ou os seguros mas às vezes espalhafatosos Miranda e Alex Silva. Com qualquer dessas duplas, a Argentina seria um time quase completo (faltaria apenas um goleiro confiável).
Na verdade, creio que Maradona se contentaria com Durval e Dracena.
Segunda-feira, Junho 07, 2010
Copa do Mundo na Itália sem calor
Tou dando um giro pela Península Itálica nestas férias de 2010 e deu pra perceber que as italianas e os italianos ainda seguem suas vidas sem mudar muito o cotidiano da Bota.
O assunto copeiro que mais mereceu comentários foi o fato de um jogador da Azzura ter cantado hino, no amistoso contra a ”svizera”, de uma forma pouco amistosa com Roma. O jogador inovou a letra ao acrescentar um adjetivo sacana após a referência à cidade eterne.
Espero que o roteiro de uma Itália desacreditada, que vai trupico em trupico, mas acabe beliscando mais caneco, não se repita.
CIAU,
O assunto copeiro que mais mereceu comentários foi o fato de um jogador da Azzura ter cantado hino, no amistoso contra a ”svizera”, de uma forma pouco amistosa com Roma. O jogador inovou a letra ao acrescentar um adjetivo sacana após a referência à cidade eterne.
Espero que o roteiro de uma Itália desacreditada, que vai trupico em trupico, mas acabe beliscando mais caneco, não se repita.
CIAU,
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