Pelo menos no cinema, há bons filmes a serem lançados.
Soberano - Seis vezes São Paulo, dia 17 de setembro nos cinemas.
Abraços,
Celso Roth finalmente ganhou seu título. E por cima. Fez o Inter jogar bem, soube organizar os talentos do Colorado e conseguiu virar o jogo na finalíssima.
De quebra, vai para Dubai.
Desde 2000, depois da Copa do Nordeste com o Sport, Roth tentava ser campeão. Ele já havia conseguido bons trabalhos com times medianos, mas a falta de títulos lhe pôs a etiqueta de pé-frio, de técnico que "morre na praia".
Nos últimos anos, por exemplo, com Grêmio e Atlético, conseguiu bons resultados com elencos fracos. Mas o título não veio. Não se sabe se ele perdeu a mão no final ou se o máximo que aquelas podiam era o que conseguiram, ou menos sem ele.
Será que Grêmio e Atlético estão arrependidos?
O futebol é o reduto da insensatez.
O torcedor não pensa, ama. Por isso, explicações míticas são sempre mais aceitas do que análises. Quando dá certo, a escrita se conserva. Quando não, procura-se um outro motivo.
Exemplo disso, são os "Meninos da Vila". Há explicações de todos os tipos para tentar justificar o fato de "o raio cair tantas vezes no mesmo lugar". Mas, olhando bem as três gerações (1978, 2002 e 2009), há um grande ponto em comum: a falta de recursos do clube praiano nessas épocas. Das três vezes, o clube havia perdido dinheiro e era preciso uma solução emergencial. Curiosamente, a melhor geração - a de 78 - foi a que menos venceu pelo Santos. A de 2002, pela relevância dos títulos, pode ser considerada a mais vencedora. E rendeu bons dividendos ao clube. Dividendos que foram gastos numa comissão técnica caríssima. E, na falta de dinheiro, mais jovens são lançados. O que será feito com o dinheiro de agora?
Curiosamente, também, quando crescem, os "Meninos da Vila" não se tornam tão grandes quanto prometiam. A geração de Pita rendeu cerca de dez anos num futebol de bom nível. Mas, no conjunto da obra, seus integrantes ficaram distantes dos da Gávea ou do Inter da mesma época, por exemplo.
A geração de 2002 coloca seus dois destaques patinando no Velho Mundo. O City tenta fazer dinheiro de qualquer forma com Robinho e Diego é moeda de troca em qualquer negociação da Juventus. O mais regular e discreto é o único que consegue se manter numa liga de primeira linha, mas num time menor: Renato, no Sevilla.
Parece acontecer com os "Meninos da Vila" - assim como com tantos outros meninos - a força da novidade: encantam durante certo tempo, depois se tornam previsíveis ou não se desenvolvem no mesmo nível com que surgiram.
Ganso parece Pita jogando, mas o Pita já experiente, líder dos Menudos. Tudo faz crer que manterá a condição de craque. Mas. olhando um pouco para trás, Giovanni também surgiu mais velho do que o habitual e jogando com classe e estilo diferenciados. Mas passou o período do ápice de um jogador na Grécia, escondido.
Com Neymar, a preocupação é maior porque, sem a maturidade de Ganso (tanto futebolística quanto pessoal), pode repetir o caminho de Pato: surgir meteoricamente e, tornando-se milionários antes de se tornar um jogador, contentar-se em "fazer parte do grupo" de um grande time.
Em tempo: outro dia, um leitor deste espaço indagou sobre jogadores que tiveram uma ascensão tão rápida quanto Neymar. Recorrendo apenas à memória, é possível lembrar de Adriano (no Guarani), Gil (Corinthians), Elivélton (São Paulo), Gilmar Popoca (Flamengo). Denílson (São Paulo), André Cruz (Ponte Preta), Geovani (Vasco). Hoje pode parecer estranho colocá-los no mesmo nível do "craque Neymar", mas quando surgiram eram até maiores.

O episódio das molecagens virtuais da Vila coloca à prova algumas ideias.
A primeira é de que Dorival Jr. não tem firmeza no comando do elenco. Mas, quando se pensa que treinando o Vasco ele não teve tantos problemas, percebe-se que mais do que firmeza, falta-lhe apoio.
Chega-se à segunda ideia: dirigentes dão muito respaldo aos atletas. O atual presidente do Santos me faz lembrar de um professor de sociologia que tive na faculdade. O homem era amigo do FHC, mas disse que, entre um operário e um intelectual, tinha votado no operário, pois acadêmicos não seriam bons de prática. O dirigente santista, com sua fala cuidadosa, faz par com o palmeirense e esse conjunto parece sugerir que o futebol não se dá bem com professores.
Estamos, hoje, a meio de um caminho esquisito: não se chegou à direção profissional, mas os dirigentes amadores se postam como gestores do mundo moderno. Andres é um Vicente Matheus menos divertido e mais arrogante. E JJ torna mais evidente a cada dia como Marcelo Portugal era diferenciado.
A terceira ideia é a de que o comportamento dos jogadores é o da juventude atual. Mas é de estranhar que outros ídolos esportivos como os do vôlei ou da ginástica não apareceram em tantas "polêmicas" - como diria o Madson.
A quarta é a sobrestima que temos com os "craques" surgidos a cada ano, pois, olhando bem, o único jogador excepcional desse time do Santos é o Ganso. Neymar, por exemplo, é menos efetivo do que André.
Ano após anos, os primeiros semestres enganam o torcedor. O bom desempenho nos estaduais e na Copa do Brasil fazem crer em bons times, quando o que existe são adversários ruins.
A quinta é a de que a juventude está arrogante, conforme se veria nas afirmações: eu ganho tanto, ninguém vai sentir sua falta, eu sou o bom. Mas, nesse caso, não parece ser privilégio dos novos, pois a resposta do veterano Robinho dá ideia da falta de noção de realidade de um jogador que só brilha em dois lugares: no Santos e no videogame.
A sexta é a de que Fabio Costa daria jeito na situação. Mas essa prefiro não comentar.
Este espaço nunca refletiu muito sobre a Fórmula 1.
Talvez porque, na palavra de Sidarta, o Editor, "corrida de carro é um saco".
Particularmente já gostei mais do espetáculo. E antes que alguém especule: não parei de ver corrida com a morte de Senna. Não sou da turma dos idólatras, dos que participam de sua canonização global. Embora tenha se tornado um tabuísmo, não concordo com a etiqueta de "maior piloto de todos os tempos" posta e imposta.
Senna está no mesmo nível dos outros tricampeões e de alguns bicampeões, como Hill e Fittipaldi.
Acima desse grupo, estão Prost, Fangio e Schumacher.
O alemão, aliás, disputou com Senna por pouco tempo. O suficiente para mostrar que estava no fim a era dos campeões-rivais (Senna, Piquet e Prost), que de 81 a 93 só deram espaço para Lauda, Rosberg e Mansell.
Em 88, Prost fez mais pontos, mas as regras de descartes deram o campeonato a Senna.
Fundamental na conquista dos campeonatos seguintes foi Berger. Em 90 e 91, o austríaco fez o que se esperava de um escudeiro e protegeu Senna como pôde.
E aí, chegamos a Massa. Numa equipe em que seu companheiro é um bicampeão, parece claro que seu papel é o de segundo piloto. Papel ainda mais nítido, quando são analisadas as chances de conquista de cada um.
Para a equipe, especialmente a Ferrari, o título vale independente do piloto, que é, cada vez mais, um mero jóquei do cavalo rompante. Mas há os jóqueis que ganham e os que reclamam, os que sabem ser os melhores, e os que se enganam dizendo estar no mesmo nível.
Definitivamente, o automobilismo não é um esporte. É um brinquedo de milionários, um programa dominical de magnatas barulhento e poluente, transmitido via satélite. Querer ver esportividade ou nacionalismo nesse cenário é utopia. O tempo da cortesia entre os cavaleiros, se existiu, já acabou. Quem decide é o dono dos cavalos.