Enquanto a CBF lança a ideia da unificação para desviar o foco das denúncias de propina veiculadas pela imprensa internacional, quase não se deu atenção à divulgação do calendário da Copa do Brasil.
Mais uma vez fica claro o critério absurdo de privilegiar a incompetência. Tem sido assim desde o aumento de 2 para 5 (ou seis) vagas brasileiras na Libertadores.
O time que tem bom desempenho num ano, ficando entre os primeiros do brasileiro ou vencendo a Libertadores, tem menos chances de se manter no ano seguinte.
Esses times terão duas chances de estar no torneio continental subsequente: vencer o próximo ou ficar entre os três (ou quatro) do nacional.
Aos que estiveram mal das pernas, são dadas as facilidades da Copa do Brasil, da Copa Sulamericana, além de jogar o Brasileirão sem ter de dividir atenção com a Libertadores.
Confirmados os favoritismos, enfrentar-se-ão em quartas-de-final em 2011, de um lado, Coritiba x Palmeiras e Flamengo x Atlético Mineiro, e de outro, Vasco da Gama x Atlético Paranaense e Botafogo x São Paulo.
Claro, há chances de zebra, mas se se repetir o que vem acontecendo, um desses oito será campeão, iludirá sua torcida durante o restante do ano e, em 2012, terá dificuldades para se classificar para o continental do ano seguinte.
Basta lembrar que, desde 2003, com o advento dos pontos corridos apenas dois campeões da Copa do Brasil se classificaram entre os quatro primeiros do Brasileirão do mesmo ano: Cruzeiro, campeão em 2003, e Fluminense, quarto de 2007, a apenas 16 pontos do campeão.
Levando-se em conta a temporada seguinte, apenas o Corinthians, neste ano, teve possibilidade real de ganhar o Brasileirão um ano depois de ser campeão da Copa do Brasil, pois , desde 2004, ano seguinte ao advento dos pontos corridos, temos um 13º (Cruzeiro), um 3º a dezesseis pontos do líder (Flamengo), um 14º (Fluminense), e um rebaixado (Sport).
Além disso, apenas o Fluminense chegou à final da Libertadores do ano seguinte e, por priorizar a competição mais importante, quase foi rebaixado.
O que se percebe é que, desde que os times participantes da Libertadores não podem participar da Copa do Brasil, esta se tornou uma competição esvaziada que premia a incompetência no ano anterior e ilude para o ano seguinte.
A solução seria disputar a Copa do Brasil junto com o Brasileirão e a Sulamericana junto com a Libertadores. Mas isso é difícil e demanda trabalho. É mais fácil agradar os associados e iludir os torcedores.
Quinta-feira, Dezembro 16, 2010
Terça-feira, Dezembro 14, 2010
São Paulo Athletic - Tricampeão Brasileiro
A história é velha, mas, de tão despropositada, ninguém deu bola.
Até hoje, quando corre por aí que, para agradar seus associados, a CBF teria resolvido (nada oficial no sítio da entidade, por enquanto) homologar os títulos da Taça do Brasil e do Robertão como títulos brasileiros.
É preciso, antes de tudo, esclarecer o que foi um e outro. Pois entre os dois já há grandes diferenças.
A Taça do Brasil era como a Copa do Brasil de hoje. Só que mais fácil. Participavam, basicamente, os campeões estaduais, que se enfrentavam em mata-mata. Em várias edições, os representantes de São Paulo e da Guanabara entravam já nas semifinais e, com quatro jogos, sagravam-se campeões.
O Robertão, embrião do Brasileirão, era o Rio-São Paulo ampliado. Uma espécie de clube dos 13 esteve presente em todas as edições, outros clubes foram convidados como campeões estaduais. A definição do campeão era feita em quadrangulares, não havia rebaixamento ou acesso.
Cumpre lembrar que, em 68, a CBD (à época, capitaneada por João Havelange) organizou uma Copa dos Campeões (reunindo os vencedores do Robertão, da Taça do Brasil, do Torneio Rio-Sul e do Torneio Norte-Nordeste). A fase final não chegou a se realizar e o Maringá foi declarado vencedor. Assim, deveria ser homologado como Supercampeão Brasileiro.
Os argumentos a favor da unificação dos títulos são de diversos tipos, mas todos pretendem igualar o que por natureza é desigual.
O primeiro argumento é o de que os times vencedores eram os melhores de sua época. De fato, é possível que sejam, mas a estrutura da competição em mata-mata possibilita que muitas vezes a sorte suplante o mérito. Que o diga o Palmeiras e suas constantes eliminações na Copa do Brasil para times sabidamente piores.
O segundo argumento é o de que tais competições indicavam o representante brasileiro para a Libertadores. Há, então, dois problemas: primeiro, não houve representantes brasileiros nas Libertadores de 1969 e 1970; segundo, outras competições como a Copa dos Campeões também classificaram para o torneio continental. Seria o Paysandu campeão brasileiro de 2002? Ou o Santos? Ou teríamos dois campeões?
O que se percebe é que a Taça Brasil era do mesmo gênero da atual Copa do Brasil e que o Robertão era um intermediário entre a Taça e o Brasileirão.
Há, ainda, o argumento de que, à época, não havia um campeonato brasileiro e que a Taça e o Robertão eram o mais próximo disso. Assim, seus campeões seriam "campeões brasileiros".
É mais ou menos o que os Uruguaios fazem, considerando como títulos mundiais os campeonatos olímpicos vencidos antes da existência da Copa do Mundo, sendo, portanto, tetracampeões muito antes de Itália e Brasil.
Com esse raciocínio, resta-nos sugerir uma campanha: de 1902 a 1904, só existia um campeonato de futebol no Brasil, o Paulista. Seu campeão foi o São Paulo Athletic Club, que nada tem a ver com o atual São Paulo, e que ainda existe, dedicando-se atualmente mais ao rúgbi (ou râguebi, como dizem e escrevem os portugueses), que um dia vai ser grande por aqui, conforme a propaganda.
Assim, não há dúvida: o São Paulo Athletic Club é o primeiro legítimo tricampeão brasileiro. A taça das bolinhas vai para Guarapiranga.
Até hoje, quando corre por aí que, para agradar seus associados, a CBF teria resolvido (nada oficial no sítio da entidade, por enquanto) homologar os títulos da Taça do Brasil e do Robertão como títulos brasileiros.
É preciso, antes de tudo, esclarecer o que foi um e outro. Pois entre os dois já há grandes diferenças.
A Taça do Brasil era como a Copa do Brasil de hoje. Só que mais fácil. Participavam, basicamente, os campeões estaduais, que se enfrentavam em mata-mata. Em várias edições, os representantes de São Paulo e da Guanabara entravam já nas semifinais e, com quatro jogos, sagravam-se campeões.
O Robertão, embrião do Brasileirão, era o Rio-São Paulo ampliado. Uma espécie de clube dos 13 esteve presente em todas as edições, outros clubes foram convidados como campeões estaduais. A definição do campeão era feita em quadrangulares, não havia rebaixamento ou acesso.
Cumpre lembrar que, em 68, a CBD (à época, capitaneada por João Havelange) organizou uma Copa dos Campeões (reunindo os vencedores do Robertão, da Taça do Brasil, do Torneio Rio-Sul e do Torneio Norte-Nordeste). A fase final não chegou a se realizar e o Maringá foi declarado vencedor. Assim, deveria ser homologado como Supercampeão Brasileiro.
Os argumentos a favor da unificação dos títulos são de diversos tipos, mas todos pretendem igualar o que por natureza é desigual.
O primeiro argumento é o de que os times vencedores eram os melhores de sua época. De fato, é possível que sejam, mas a estrutura da competição em mata-mata possibilita que muitas vezes a sorte suplante o mérito. Que o diga o Palmeiras e suas constantes eliminações na Copa do Brasil para times sabidamente piores.
O segundo argumento é o de que tais competições indicavam o representante brasileiro para a Libertadores. Há, então, dois problemas: primeiro, não houve representantes brasileiros nas Libertadores de 1969 e 1970; segundo, outras competições como a Copa dos Campeões também classificaram para o torneio continental. Seria o Paysandu campeão brasileiro de 2002? Ou o Santos? Ou teríamos dois campeões?
O que se percebe é que a Taça Brasil era do mesmo gênero da atual Copa do Brasil e que o Robertão era um intermediário entre a Taça e o Brasileirão.
Há, ainda, o argumento de que, à época, não havia um campeonato brasileiro e que a Taça e o Robertão eram o mais próximo disso. Assim, seus campeões seriam "campeões brasileiros".
É mais ou menos o que os Uruguaios fazem, considerando como títulos mundiais os campeonatos olímpicos vencidos antes da existência da Copa do Mundo, sendo, portanto, tetracampeões muito antes de Itália e Brasil.
Com esse raciocínio, resta-nos sugerir uma campanha: de 1902 a 1904, só existia um campeonato de futebol no Brasil, o Paulista. Seu campeão foi o São Paulo Athletic Club, que nada tem a ver com o atual São Paulo, e que ainda existe, dedicando-se atualmente mais ao rúgbi (ou râguebi, como dizem e escrevem os portugueses), que um dia vai ser grande por aqui, conforme a propaganda.
Assim, não há dúvida: o São Paulo Athletic Club é o primeiro legítimo tricampeão brasileiro. A taça das bolinhas vai para Guarapiranga.
Sábado, Dezembro 11, 2010
Esperando os clássicos da Libertadores 2011
Uma certa arrogância nos faz pensar que apenas argentinos e brasileiros disputam a Libertadores.
Por isso, somos surpreendidos quando um time como Once Caldas ou LDU se consagra como campeão continental.
Mas, no próximo ano, é preciso atentar aos concorrentes brasileiros.
Sim, é possível que nenhum deles seja o vencedor. Porém, o mais interessante será a disputa entre eles. Quatro bicampeões estarão no certame (Cruzeiro, Santos, Grêmio e Internacional). Junto deles, a obsessão corinthiana e o ímpeto do Fluminense.
Corinthianos, aliás, para mitigar a frustração deste ano, aderem à retórica de Ronaldo e dizem que o centenário só acabará quando o clube fizer 101 anos.
Os cariocas, por sua vez, querem provar que são capazes de mais. E Muricy, de mais ainda.
E se não bastasse o nível dos times, ainda há a rivalidade local. A possibilidade de embates entre Corinthians e Santos e entre Grêmio e Internacional é de fazer querer esperar para ver.
No fim, todos sabem, só um será campeão. É possível que não seja nenhum deles, mas que será um bom caminho, será.
Por isso, somos surpreendidos quando um time como Once Caldas ou LDU se consagra como campeão continental.
Mas, no próximo ano, é preciso atentar aos concorrentes brasileiros.
Sim, é possível que nenhum deles seja o vencedor. Porém, o mais interessante será a disputa entre eles. Quatro bicampeões estarão no certame (Cruzeiro, Santos, Grêmio e Internacional). Junto deles, a obsessão corinthiana e o ímpeto do Fluminense.
Corinthianos, aliás, para mitigar a frustração deste ano, aderem à retórica de Ronaldo e dizem que o centenário só acabará quando o clube fizer 101 anos.
Os cariocas, por sua vez, querem provar que são capazes de mais. E Muricy, de mais ainda.
E se não bastasse o nível dos times, ainda há a rivalidade local. A possibilidade de embates entre Corinthians e Santos e entre Grêmio e Internacional é de fazer querer esperar para ver.
No fim, todos sabem, só um será campeão. É possível que não seja nenhum deles, mas que será um bom caminho, será.
Quinta-feira, Dezembro 09, 2010
Quarta-feira, Dezembro 08, 2010
Fluminense na Libertadores - 2011
Dizem por aí que campeonato por pontos corridos é algo de que todos participam e, no final, só o Muricy ganha.
Na verdade, Muricy redimensiona o papel do técnico. Poucos conseguem hoje imprimir sua marca a uma equipe. Talvez Renato Portaluppi, Renê Simões, Adílson Batista. Mas, desses todos, só ele chega campeão ao final do ano.
Conca rendeu muito na mão do treinador campeão. Mas, muito além disso, Muricy provou ser um técnico com um esquema pronto, trabalhado à exaustão. Os laterais do Fluminense apoiaram e cruzaram, como era marca do São Paulo tricampeão, até hoje órfão. Os zagueiros apresentaram segurança, como no tricampeonato. Mas a isso, somaram-se os passes e lançamentos de Conca.
E, ainda que o retrospecto na Libertadores não seja bom, Muricy tem um trunfo: a recuperação de Conca. Aí, com dois ótimos, três bons atacantes, laterais regulares e a possível vinda de Diego Cavalieri, o Fluminense pode botar medo nos argentinos.
Na verdade, Muricy redimensiona o papel do técnico. Poucos conseguem hoje imprimir sua marca a uma equipe. Talvez Renato Portaluppi, Renê Simões, Adílson Batista. Mas, desses todos, só ele chega campeão ao final do ano.
Conca rendeu muito na mão do treinador campeão. Mas, muito além disso, Muricy provou ser um técnico com um esquema pronto, trabalhado à exaustão. Os laterais do Fluminense apoiaram e cruzaram, como era marca do São Paulo tricampeão, até hoje órfão. Os zagueiros apresentaram segurança, como no tricampeonato. Mas a isso, somaram-se os passes e lançamentos de Conca.
E, ainda que o retrospecto na Libertadores não seja bom, Muricy tem um trunfo: a recuperação de Conca. Aí, com dois ótimos, três bons atacantes, laterais regulares e a possível vinda de Diego Cavalieri, o Fluminense pode botar medo nos argentinos.
Sexta-feira, Dezembro 03, 2010
Santos se acerta
A notícia que vem da praia nesta semana é a do retorno de Elano ao Peixe.
Parece ser um grande acerto da diretoria santista.
Se já é uma tradição o Santos repatriar gente da Geração-2002, Elano supera em muito, em benefícios para o time, os retornos de Robinho e Léo.
Elano é meia, ponta, lateral. E tudo com uma nota razoável. Não é craque, mas um jogador valoroso.
Além disso, é o cara certo para equilibrar a juventude dos Meninos da Vila. Sereno, dedicado, calmo e sem estrelismos.
Mesmo mais experientes, os jovens praianos precisam de uma referência de calma em campo. Melhor do que Elano, só Renato.
Parece ser um grande acerto da diretoria santista.
Se já é uma tradição o Santos repatriar gente da Geração-2002, Elano supera em muito, em benefícios para o time, os retornos de Robinho e Léo.
Elano é meia, ponta, lateral. E tudo com uma nota razoável. Não é craque, mas um jogador valoroso.
Além disso, é o cara certo para equilibrar a juventude dos Meninos da Vila. Sereno, dedicado, calmo e sem estrelismos.
Mesmo mais experientes, os jovens praianos precisam de uma referência de calma em campo. Melhor do que Elano, só Renato.
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