Segunda-feira, Maio 30, 2011

vai barça!


Por conta do título da Champions League li mais uma vez o recente texto do escritor barcelonista Enrique Vila-Matas no El País sobre o recorde de gols batido por Messi e este Barcelona revolucionário.

Escritor inventivo, herdeiro de uma espetacular tradição literária marcada pelo lúdico e pelo fantástico e catalogador de anedotas sobre lendas como Rulfo, Rimbaud, Duchamp ou Walter Benjamin, Vila-Matas exalta como a forma de jogar de um time é capaz de transformar todo o pensamento sobre um jogo, talvez como ele mesmo procure fazer com a literatura: dialogando com as referências e procurando no futuro a que caminho elas poderiam levar. E seria talvez, ele diz, observando o Ajax de Cruyff, Neeskens e Rinus Michels, base da Laranja Mecânica [que depois migraria para o Barça], ou o Milan de Arrigo Sacchi, Baresi e os holandeses que Josep Guardiola encontrou os caminhos para acertar esse futebol espetacular e que tem se mostrado praticamente imbatível. Um futebol total no ritmo alucinante da contemporaneidade que rodada após rodada vem infligindo humilhantes goleadas a adversários tão fortes quanto o arqui-rival Real Madrid. E que acaba de conquistar, entre inúmeros outros títulos, a terceira Champions League das últimas seis.

Mas claro que essa magnitude não apareceu da noite para o dia. Já há décadas que no Barcelona floresce o futebol catalão, que, imagino por influência de Cruyff [técnico de Guardiola no próprio Barça], é herdeiro das melhores características do ofensivo futebol holandês e do espírito furioso espanhol, completando-o com o brilhantismo e a capacidade de improviso fora do comum das estrelas latino-americanas. Um futebol que ainda carrega consigo a bandeira de um povo oprimido e o orgulho de uma tradição de lutas que fez frente a uma sangrenta ditadura e que tem sua representação máxima na camisa azul e grená do time de Camp Nou, muito mais que um clube. ´

E é esse clube que vem moldando já desde que arrancou Cruyff do Ajax no início dos 70 esse filhote do futebol total, jogo em que se faz o adversário correr atrás de si a todo instante sob a ameaça de infligir-lhe as goleadas humilhantes. A bola é sempre do Barcelona e o adversário que a tome antes que ela chegue ao Messi, senão estão ferrados. Porque, como Cruyff nos seus grandes momentos, Messi é um jogador bestial, aquele que parte para cima dos adversários com eficácia impressionante e sempre que a bola chega. Os recordes de gols estão aí para confirmar. Aos vinte e quatro anos já pode ser afirmado como um dos cinco maiores da história porque é a estrela daquele que penso ser o maior time da história do futebol. É a estrela maior de um time que é uma Revolução. Não que Puyol, Vila, Xavi e Iniesta sejam meros coadjuvantes, mas é a capacidade letal de Messi que faz com que o espetacular jogo coletivo deles consiga ser tão incisivo, goleador e talvez até vencedor [a despeito de mesmo sem Messi terem vencido a última Copa do Mundo].

Mas imagino impossível pensar nessa filosofia de jogo barcelonista sem considerar a influência de Johann Cruyff [hoje técnico da seleção da Catalunha, onde conta com muitos jogadores das canchas culés], que foi também marcante como treinador do clube quando da conquista de sua primeira Champions League, no início dos anos noventa, tendo um time formado nas canchas, mas liderado por Laudrup e contando com Stoichkov e por pouco tempo Romário. Um futebol que foi se desenvolvendo, encontrando soluções e se moldando ao encontrar pelo caminho todos os melhores jogadores do mundo seguintes. Afinal, desde então qual dos craques do Barça não foi o melhor do mundo? Romário, Ronaldo, Rivaldo, Figo, Ronaldinho e Messi só nos últimos anos.

E ainda que o Barcelona sempre tenha sido grande e tradicional, contando com vários dos maiores craques da história [nos anos 80 o Barça ainda teve Maradona, mas a passagem do extraterrestre por lá foi ofuscada por contusões e suspensões], nunca antes o time foi tão espetacular quanto este, formado após várias brilhantes fornadas das canchas regidas por essa filosofia. A filosofia de um clube que manteve seu uniforme livre de marcas de patrocinadores até outro dia, mas que agora resolveu capitalizá-la. Ao menos para pagar como merecem seus custos sem precisar vender os jogadores. Porque sabemos que quase todo esse time histórico do Barça começou a jogar lá. E educados na filosofia do clube se adequaram perfeitamente a esta revolução que imprimem atualmente ao futebol com um sucesso poucas vezes visto.

Se o Barcelona joga há anos esse futebol total no ritmo alucinado do contemporâneo, com trocas constantes de posição, muitos passes [características mantidas como base da seleção campeã do mundo] e botando o adversário na roda, é porque conseguiu encontrar o sempre tão sonhado equilíbrio se baseando na ofensividade. É porque foi encontrando esse estilo de jogo e essa filosofia de basear o elenco nos jogadores formados na base, completando-os com os grandes talentos que trazia de fora. É porque nunca se intimidou com ‘a posição de orgulho de um povo a que foi alçado.

Para não me alongar mais, soube pelo texto de Vila-Matas que Cruyff disse que "Solo dos equipos, el Madrid de Di Stéfano y el Ajax de los años 70, habían sido capaces hasta ahora de reinventar el fútbol como lo está haciendo el de Guardiola" e escrevo este texto por concordar plenamente. E por ser exatamente por isso, por revolucionar ofensivamente o futebol, por sua filosofia sustentável do esporte, por ser bandeira de um povo e expressão de orgulho e pensamento, que hoje eu grito com toda a Catalunha, com Cruyff, Messi, Xavi, Iniesta e Vila-Matas: “vai Barça!”.

Cenas de uma despedida

Como os comentaristas mais qualificados deste blogue nada disseram sobre a bela final de sábado, lá vamos nós.
1) Não houve falha de Van der Sar em sua última partida e, mesmo perdendo, não haveria melhor jogo para a despedida de um arqueiro revolucionário como ele. Porém, sua hesitação ao deixar o gramado tinha algo de descrença, como se o jogo de verdade ainda fosse começar. Lembrou Zubizarreta, quando este falhou no Mundial pela Espanha e ficou sentado no campo após o final do jogo.
2) O gol de Pedro depois do passe de Xavi deixa para os clubes brasileiros, com muito menos dinheiro para gastar,a certeza de que o caminho é aquele que trilhavam na década de 80, mas hoje parecem abandonar. O Flamengo não precisa comprar Ronaldinho se pode produzir outro Zico em sua base.
3) É estranho dizer, mas não foi a partida mais brilhante de Messi. Ao menos, não tão brilhante como poderia ser. Mas o craque argentino tem aparecido menos e melhor.
4) Messi tem com ele um time que Maradona nunca pôde pensar em ter. Isso é um ponto. O outro é que esse elenco grandioso é bem treinado. Para os que pensam que Guardiola não faz nada, uma pergunta: quem aprovaria a venda de Ronaldinho, Deco e Eto´o para apostar em jovens como Pedro?
5) Em 25 anos, Ferguson ganhou "apenas" dois torneios continentais, mas mudou o time e o clube. Quanto tempo demoraria para ser demitido no Brasil?
6) Rooney (cada vez mais parecido com Eliot Stabler) fez o que podia. Mas o melhor que tem a fazer é se transferir para Barcelona.
7) A homenagem de Puyol a Abidal explica por que ele é o capitão num time com tantas estrelas.
8) Se perdesse a final, não seria o campeão. Mas continuaria sendo a melhor equipe. Isso faz diferença para seguir.

Quinta-feira, Maio 26, 2011

Será lógico?

Às vezes no futebol dá a lógica.
E ontem foi uma noite em que isso ocorreu.
Os favoritos na Copa do Brasil venceram e a final será entre Coritiba e Vasco. Se fosse para apostar, cravaria Coxa, mas ontem o Gigante da Colina deu provas de que melhorou muito e, se não é um time como o Santos, já não é aquele do início do Estadual.
Coxa e Vasco repetem a história dos rebaixados que retornam briosos.
No Pacaembu, o Santos garantiu a vitória. E, ainda que seja um resultado magro, a pressão agora está com o Cerro, que precisa fazer gol. E como fazer isso sem correr riscos, quando do outro lado há Neymar e Elano? Ou, de outro modo, como fazer gols em um time que consertou seu último defeito, a defesa?
Hoje há Vélez e Penãrol. O time argentino é melhor. Será que hoje a Lógica descansa?

Domingo, Maio 22, 2011

Cenas de uma estreia

Cena 1: Ronaldinho Gaúcho, gordo, caminhando em campo, acelera um pouco e faz um gol. O locutor diz que o lance lembra os melhores momentos do jogador nos tempos de Barcelona. Ronaldinho chama os colegas para comemorar. Eles hesitam e, por fim, se unem à estrela. O Gaúcho parece ter mais cartaz com a mídia do que com seus companheiros.
Cena 2: Lúcio, do Grêmio, à beira do gramado, assume a culpa pela penalidade que terminou no gol de empate do Corinthians. Lúcio, numa só frase, foge do choramingo tradicional dos derrotados e, como réu confesso, derruba os comentaristas reticentes.
Cena 3: Kléber dribla o zagueiro e faz um belo gol. Se o time do Palmeiras ainda não dá pinta de favorito, conquistou seus primeiros pontos numa goleada por 1 a 0 e repete, com Scolari, os ensinamentos do futebol italiano: quem não toma gol nunca perde.
Cena 4: Rogério Ceni conversa com seus companheiros de time. Há um certo olhar de descrença. O goleiro, depois de jogar todas as partidas do campeonato passado, é substituído no segundo tempo. Desacostumado, sai de campo com a braçadeira, que depois foi dada a Rodrigo Souto. Por alguns instante, o São Paulo ficou sem seu capitão e sem qualquer substituto.
Cena 5: Justificando os pedidos da torcida por sua entrada, Alessandro chuta cruzado dentro da área e vira o jogo para o América diante do Bahia, que abriu o placar com gol de Souza, em pênalti duvidoso. Se, como pensam os analistas, os dois realmente brigarem para não cair, o América ganha pontos importantes e sai na frente. Como Coelho que é.
Numa estreia em que quinze clubes só se preocupam com ele, o Campeonato Brasileiro pede atenção desde o começo e promete boas cenas.

Sexta-feira, Maio 20, 2011

Antiga Escola Uruguaia


Será a velha escola uruguaia voltando a ensinar o verdadeiro futebol aguerrido?

No jogo de ontem, deu para perceber nitidamente a evolução do Futebol Uruguaio que há muito tempo vinha demonstrando um futebol sem técnica, garra e paixão.

Após a Copa do Mundo de 2010, o futebol uruguaio vem dando uma “guinada” total na maneira de jogar. Pelo que pude perceber ontem a qualidade dos jogadores uruguaios melhorou e muito, a postura do time do Peñarol era excelente demonstrando também a qualidade e disciplina tática do técnico que soube montar a sua equipe diante do bom time do Universidad Católica do Chile.

É tão bom ver novamente o futebol de um país tão simpático ganhando força e nos trazendo a competitividade que tanto esperamos quando assistimos a um jogo de futebol.

O jogo foi bom, as duas equipes jogando para ganhar, o Universidad saindo na frente no primeiro tempo e com esperanças de se classificar para a outra fase da Libertadores e o Peñarol segurando a vantagem conquistada no jogo de ida. No final do jogo, selando assim a sua classificação, o Peñarol empatou deixando claramente estampada a sua superioridade no jogo.

Mais um ponto interessante a ser destacado, é o atacante Martinuccio, sondado pelo Palmeiras, teve ótima participação no jogo de ontem se movimentando muito bem por todo o ataque e em jogadas importantes.

Bom, esperamos mais evolução do futebol Uruguaio e o Peñarol tenha sucesso na próxima fase da Libertadores que está chegando nos seus momentos finais.

Abraços.
Eduardo Vidoti Perlatti
Twitter: @eduvidoti

Amanhã como em 62?

É claro que pode dar Cerro e Vélez, mas a simples possibilidade de uma final entre Peñarol e Santos é de deixar atento qualquer saudosista. Principalmente os saudosistas do que não viveram. O embate, que foi a final do primeiro título brasileiro na Libertadores, reúne duas das escolas mais prestigiosas do futebol sul-americano: a garra uruguaia e a classe santista.
Garra e classe que ressurgem neste princípio de século, representadas no quarto lugar da última Copa, no bom papel do Nacional no torneio de 2009, na ascensão dos novos craques da Vila.
Em 2003, o Santos frequentou a final depois de uma ausência de quatro décadas. Perdeu para o Boca e, principalmente, para Carlos Bianchi. A juventude e a imaturidade daquela geração ficou estampada no gesto destemperado de Paulo Almeida de expulsar o árbitro.
Novos meninos pintam na Vila. Porém, desta vez, melhores. Neymar já é um jogador mais completo do que Robinho foi em toda a sua carreira. E se Robinho não se transformou no jogador arrojado que demonstrou ser, quando, aos dezoito anos, tomou a bola para cobrar a penalidade contra o Corinthians, Neymar vai a cada jogo demonstrando a segurança e o equilíbrio necessários a um jogador que é caçado em campo, caminhando para ser o craque que alguns pensam que ele já é.
Some-se a isso a presença de Elano, que junto com Renato, é o jogador daquele time de 2003 que montou a carreira mais regular, pois quanto a Leo, ainda que continue sendo um bom jogador, não se sabe quando é possível confiar em seu fôlego e em seu temperamento.
Pena que Ganso, herdeiro da classe de bons meias dos 80 (Pita, Silas, Sócrates), não seja certeza no embate.
Quanto ao Peñarol, vai aos poucos trilhando o caminho que não frequentava desde 1987 e deixa uma interrogação quanto a suas possibilidades.
Por tudo isso, o reencontro desses velhos conhecidos promete um jogo que, se não acontecer, fará falta.

Segunda-feira, Maio 16, 2011

Quanto vale um estadual

Muricy Ramalho, que ontem conquistou seu segundo título paulista, tem uma definição interessante para os estaduais: valem mais para quem perde.
De fato, se pensarmos que, dos doze clubes considerados os maiores, apenas Santos e Vasco têm algo mais a fazer do que as disputas regionais a esta altura, os jogos de ontem terão mais impacto sobre Corinthians, Atlético e Grêmio do que sobre os vencedores. Sem esquecer, é claro, daqueles que ficaram no caminho: Palmeiras, São Paulo, Fluminense e Botafogo.
Convém notar, ainda, que o êxito do Flamengo foi ofuscado por sua recente eliminação.
À parte o peso para os derrotados, Internacional, Cruzeiro e Santos se confirmaram como melhores times deste primeiro semestre, mas sem a frente tão adiantada que se afigurava.
Nos próximos meses, confirmando-se as contratações de Alex e Seedorf, o Corinthians deve se unir ao trio. O Santos, ainda que perca Ganso para o Corinthians, continuará na frente dos outros, se trouxer, como parece estar prestes a trazer, Zé Roberto.
Parabéns aos campeões! Força a todos os outros!

Quarta-feira, Maio 11, 2011

O DIA DA FÊNIX

Palmeiras entra em campo para a grande batalha

Fazendo uma analogia mitológica com a Batalha de Brunkeberg (1471), em que uma milícia sueca derrotou um exército profissional moderno, liderado pelo rei dinamarquês Cristiano, esse é o espírito que o Time do Palmeiras deve entrar em campo hoje para a façanha de conseguir êxito contra o bem armado Time do Coxa.

Ouço boatos nas ruas e vejo “posts” em vários sites de relacionamento sobre vitórias passadas, grande jogos vencidos com dificuldade, mas precisamos ser realistas e colocar os pés no chão, pois os jogadores do atual elenco do Time de Parque Antártica já não são os mesmos de eras passadas.

Á frente de tudo isso, o comandante Felipão, dizendo-se mais do que motivado para continuar a frente de seu pelotão e fazer o time ressurgir como uma Fênix, das cinzas que se encontram.

Aguardaremos o confronto de logo mais e veremos o posterior resultado. Sorte aos dois times, que vença a equipe melhor preparada.

Abraços.
Eduardo Vidoti Perlatti
Twitter: @eduvidoti

Terça-feira, Maio 10, 2011

Case de Sucesso no Futebol

Todos sabemos que uma final de campeonato é o momento mais importante que esperamos. Entramos em contato com os amigos, fazemos as chamadas "vaquinhas" para comprarmos os aperitivos, dispensamos as namoradas e pessoas que não entendem a nossa paixão, tudo isso para ser um evento perfeito.

Imagina se por uma determinada razão ou algum imprevisto, você não possa comparecer ao jogo muito menos assistí-lo? Complicado não?

Pensando nisso a Heineken com este case, que já tem um certo tempo de net, desenvolveu uma ação extraordinária durante um dos principais clássicos do planeta, a final da UEFA Champions League com AC Milan X Real Madrid.

Para quem já conhece vale a pena ver novamente e para quem ainda não conhece, é o momento de apreciar uma das ações mais interessantes dos últimos tempos linkando marketing e entreterimento.

Abraços
Eduardo Vidoti Perlatti
Twitter: @eduvidoti
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JÁ QUE TÁ QUE FIQUE!

XV de Novembro de Piracicaba é Penta Campeão da Série A2.

Na noite de sábado, dia 07/05/2011, o XV de Piracicaba confirmou o seu favoritismo e tornou-se penta campeão da séria A2 do Paulista, reafirmando a conquista do acesso para a Série A1 em 2012.

Foi um jogo que deixou a desejar na parte técnica, mas não faltou em emoção. A torcida fez uma festa maravilhosa, cantou, vibrou, apoiou o time nos momentos difíceis entusiasmando quem estava dentro e fora do gramado.

O jogo foi muito corrido e as equipes disputaram de forma raçuda o embate. O Guarani de Campinas fez uma boa partida obrigando o XV a correr atrás do placar por duas vezes. Foi um jogo no popular “lá e cá”, com expulsões, algumas jogadas bonitas, gols e tudo o que o torcedor espera de uma partida de Futebol, emoção.

O jogo terminou empatado em 2 X 2 e seguiu para a prorrogação em que manteve-se inalterado o placar. Depois de uma boa partida os times preparam-se para a disputa de pênaltis em que se sagrou Campeão o XV de Piracicaba finalizando as cobranças pelo placar de 4 x 2.

Congratulações as duas equipes que fizeram uma partida com muita raça e um especial parabéns ao time alvinegro de Piracicaba que tenha muito sucesso e ótimas partidas na série A1.

Abraços,
EDUARDO VIDOTI PERLATTI
Twitter: @eduvidoti

Quinta-feira, Maio 05, 2011

A queda

Nunca na história deste país, fomos tantas vezes eliminados numa mesma noite. E se pensarmos que o jogo do Santos terminou na quarta, a devastação só não foi maior porque o goleiro praiano jogou como jamais fizera.
Uma pena, pois dois dos melhores times deste começo de ano (Cruzeiro e Inter) se despedem precocemente de seu maior objetivo. E sobrarão dedos apontados para a novidade de Falcão e a repetição de Cuca. Como sobrarão também para Muricy, caso o Peixe (que fecha o trio de grandes equipes deste semestre) mais uma vez caia diante do Once Caldas.
Mais do que azar, fatalidade ou sina, é preciso buscar razões nas quedas de ontem. Principalmente quando, à exceção do Grêmio, todos entraram como favoritos absolutos em seus embates.
Talvez não haja motivos para sermos favoritos. Mesmo porque a última vez que um time brasileiro ganhou a Libertadores enfrentando um sul-americano na final foi com o Palmeiras em 1999. E lá se vai um horóscopo chinês completo!

Terça-feira, Maio 03, 2011

Derby Paulistano Chuvoso

O Domingo estava chuvoso para o Derby Paulistano. O clima de expectativa dominava não só na Torcida Palmeirense, que desejava a confirmação da boa fase com a vitória diante do mais honroso rival, mas também da Torcida Corinthiana que via, de forma entusiasmada, a possibilidade de chegar à mais uma final de campeonato.

Descendo para o Pacaembu, a concentração de Palmeirenses era enorme, todos discutindo combqual time o Felipão entraria em campo, como seria o esquema tático, entre estas discussões entoavam cantos e mais cantos apoiando o time do Parque Antártica.

Em contrapartida, descia timidamente ao lado do Pacaembu a pequena em número, mas enorme em coração, tendo os cantos e gritos abafados pela massa esmeraldina mas não deixando por menos e sempre erguendo a bandeira do Timão.

Todos acomodados em seus lugares cantando os seus hinos, provocando-se, eis que o estádio inteiro muda o coro com a entrada dos árbitros em campo. Assovios e palavras de baixo calão são lançados da boca do menor torcedor, já influenciado pelos pais, até da do mais experiente, já calejado pelos anos de estádio.

Os times adentram em campo, saudados por suas torcidas, a festa é completa, alegria e entusiasmo são passados para os jogadores a fim de que eles absorvam e correspondam dentro de campo. Cada torcedor, que deseja a melhor partida para cada jogador, saúda um por um dos jogadores, os quais devolvem com acenos e palmas a lembrança e carinho.

O jogo se inicia tenso, jogadores experientes parecendo meninos em uma pelada entre bairros em que a provocação é o melhor artifício para se alcançar o gol.

O time do Palmeiras começa a partida aguerrido, demonstrando que veio para ganhar o jogo, partindo para cima do Corinthians que, na mesma moeda, devolvia em contra-ataques rápidos, mas não muito objetivos.

As torcidas caminhavam junto com os times, incentivando torcendo eis que, com alguns ditos erros da arbitragem, começam a saudar de maneira frenética a progenitora do juiz, que não se abala e continua a apitar da maneira que acha mais conveniente.

O jogo segue tenso, ataques e contra-ataques, defesas e chutes ao gol, faltas em todas as extremidades do campo, discussões entre jogadores, expulsão de jogador e técnico, uma das partidas mais elétricas e disputadas que já tinha acompanhado em um estádio.

Um jogo equilibrado durante o primeiro tempo, mesmo o Palmeiras com um jogador a menos, o jogo parecia que estava com os integrantes completos. E termina o primeiro tempo com muita reclamação do lado do Palmeiras e alguns esbravejamentos do lado do Corinthians.
Na arquibancada, durante o intervalo, a discussão era quem deveria entrar quem deveria sair, será que o jogo iria acabar no zero a zero, como assim? Isso não pode acontecer em uma semifinal entre os dois times de maior rivalidade do Estado.

Na volta para o segundo tempo, inicia-se a partida e o Palmeiras joga melhor. Mesmo com um jogador a menos, Valdivia e Cicinho saindo no primeiro tempo contundidos e Felipão sendo expulso por ofensas ao árbitro, não há a nítida impressão de que o Palmeiras estava com tais dificuldades. O Corinthians é um time que joga com raça, disposição, disciplina tática, mas, mesmo assim, com palavras de torcedores alvinegros, parecia que quem estava com um jogador a menos era o time de Itaquera.

Em um escanteio bem cobrado, no meio da zaga corinthiana, Leandro Amaro sobe de cabeça e
estréia no placar, marcando um tento a zero para o time alviverde, inflamando a torcida ali presente e deixando a torcida adversária sufocada em seu pequeno canto. Após a esse momento, o técnico corinthiano fez a decisiva alteração no time, sacando o jogador Dentinho e colocando o Willian, seu amuleto em preto e branco. Não demorou muito e o Corinthians empatou a partida com o dedo de Tite e com a cabeçada de Willian em uma já anunciada falha da defesa de Parque Antártica.

Com o empate, o jogo partiu para os pênaltis. Todas as cobranças realizadas de maneira exemplar e o jovem João Vitor, por sua inexperiência, cobra de maneira que o arqueiro Julio Cesar defende e, logo após, com a conversão do último pênalti realizado por Ramirèz, fica o Palmeiras no meio do caminho e segue para a final o rival Corinthians, fazendo a festa da encurralada torcida, espremida no cantinho reservado, mas ultrapassando todas as arquibancadas com a alegria que esbanjava.

Abraços,

EDUARDO VIDOTI PERLATTI

Domingo, Maio 01, 2011

Mourinho se arma em silêncio

Mourinho não poderá contar com Pepe no jogo de volta. E isso poderá ser um perigo para o Barcelona. Como tem que ganhar por pelo menos dois gols, o Número 1 deverá montar um time ofensivo, mesmo a contragosto. E tem elenco para isso. Di Maria, Kaká, Cristiano Ronaldo formam um trio que exige respeito mesmo de Xavi, Messi e Iniesta.
Mourinho viu mais uma vez ontem que desperdiçar talentos é punido no futebol. E, assim, meio forçado, terá que usar o melhor de seu elenco. Se vencer, abandonará o discurso de favorecimento à equipe catalã e, ao contrário do "zero", que diz ser sua culpa no insucesso no Santiago Bernabeu, poderá inflar-se para afirmar que ainda é o melhor técnico do mundo. E dirá num portunhol de dar inveja a Uanderlei Luxemburgo.