segunda-feira, maio 28, 2012

Os líderes e seus desafios

Depois de duas rodadas, a liderança do Brasileirão é dividida por Atlético Mineiro, Botafogo e Vasco.
Obviamente, são apenas duas rodadas e isso vai mudar muito.
Santos e Corinthians - e principalmente aquele que for eliminado da Libertadores - voltarão com força para compensar os pontos perdidos até aqui.
Mas é interessante olhar para os três líderes momentâneos.
O Vasco, depois do traumático jogo da última quarta, conseguiu três pontos importantes contra a Lusa. O time cruz-maltino tem problemas sérios, que vão desde a interinidade permanente de seu técnico à idade elevada de seu elenco. Por isso, a liderança, ainda que momentânea, é revigorante. O Gigante da Colina tem apenas o Brasileirão na sua agenda, pode se dedicar a resolver os próprios problemas e fazer um campeonato forte, como o de 2011. Conseguirá?
O Botafogo é um caso interessante. Tem bons jogadores como Renato, Jefferson e Loco Abreu. E mostrou concentração e empenho nas duas viradas até aqui, contra São Paulo e Coritiba. Contudo, paira uma dúvida. Até aqui, nas duas competições de que participou, o Botafogo só perdeu quando não podia. É preciso evitar tropeços. Conseguirá?
Por fim, o Galo. Como em 2011, o Atlético inicia o campeonato com duas vitórias. Todo mundo se recorda como terminou o certame do ano passado: uma vexatória derrota diante do maior rival.
Neste ano, com estádio à disposição, o Atlético tem condições de manter uma regularidade mais confortável durante o campeonato. Conseguirá?








domingo, maio 27, 2012

O futebol e a aldeia

(publicado em Sem Cesura)

Assisti, ao menos parcialmente, a três partidas de futebol neste sábado: Brasil x Dinamarca, Portugal x Macedônia, Rosário Central x River Plate.
A oferta televisiva supera os limites de qualquer apreciador de futebol. E digo apreciador em lugar de torcedor pelo simples motivo de que apenas quem aprecia verdadeiramente futebol se dispõe a testemunhar qualquer tipo de jogo, e não apenas as partidas de seu time.
É óbvio que o apreciador acaba por ter um time de preferência e ser um torcedor, mas isso não o impossibilita de encontrar a beleza vestida com outros uniformes.
Entre os apreciadores, há diversas subespécies: o elitista, o professor, o Robin Hood, o maluco, entre outros. Para caracterizar, é suficiente dizer que o elitista só gasta seu tempo com times grandes, preferencialmente europeus; o professor analisa a tática dos jogos, sabe onde estão milhares de jogadores, é praticamente um técnico, no pior e no melhor sentidos da palavra; o Robin Hood só dá audiência para times pequenos e campeonatos menores, adora segundas divisões, e terceiras, e falta de divisões; o maluco vê simplesmente tudo que consegue.
Pouca gente, contudo, perde tempo e pestana na reflexão sobre o que cerca o jogo. Quase ninguém quer saber de história, sociologia, política e outros campos.
Um dos raros praticantes dessas conexões é o Comendador Silvio Luiz. Durante as transmissões dos jogos do Campeonato Paulista na década de 90, o locutor tinha o costume de apresentar dados extracampo da cidade em que a partida era realizada e suas cercanias. Encerrava a explanação com o célebre Futebol também é cultura. Parecia repetir ali a conclusão de Anaxágoras: Tudo está em tudo.
E assim voltamos aos embates enumerados no começo dessa digressão.
Há neles, como em todo duelo ludopédico, algo que pode fornir conversas fora do futebol. Mas algo se destaca, pelo menos aos olhos deste observador: a relação entre o local e o global.
O futebol, esporte mais popular do planeta, é responsável por eventos grandiosos como a Copa. Contudo, sua sobrevivência não é garantida apenas pelos grandes espetáculos; sua força se renova em cada partida amadora, no Desafio ao Galo, na Copa Kaiser.
Sua assunção como grande negócio provoca o choque inevitável entre o que é esporte e o que é mercado. Cabe a cada gestor decidir a política de seu produto.
A Seleção Brasileira, por exemplo, atuou como mandante na Alemanha. De lá, ruma aos Estados Unidos para outras exibições de uma das marcas mais fortes do negócio futebolístico.
No mesmo dia, o mais midiático jogador da atualidade, Cristiano Ronaldo, defendeu o selecionado de seu país na pequena cidade de Leiria. O estádio acanhado, com capacidade parecida com a do Canindé, estava repleto de adeptos gritando Puur-tu-gal.
Chegamos, então, a Rosário. A cidade do interior argentino recebeu a partida em que o mandante defendia sua liderança contra o time da capital. O Campeonato é o da Segunda Divisão. O estádio com quarenta mil lugares está cheio. Aos torcedores do time mais famoso foram reservadas cerca de três mil cadeiras. Mal comparando, é algo como o Corinthians jogar num Estádio Santa Cruz tomado apenas por torcedores do Botafogo de Ribeirão Preto.
São escolhas - ou a falta delas - diante do recorrente conflito entre a aldeia e o globo.
Obviamente, o espectador dos jogos não se importou com isso, nem com muita coisa que não fosse o resultado.
Aliás, o escrete nacional venceu por 3 a 1. Os outros jogos ficaram no famoso oxo.



sábado, maio 26, 2012

Verdades diárias

Não há dúvida de que o grande assunto das próximas semanas será o embate alvinegro pelas semifinais da Libertadores.
Palmeiras e São Paulo serão coadjuvantes nas conversas, pois seus desafios são justamente para que possam tentar sorte igual à de Santos e Corinthians no próximo ano.
Estarão em jogo também as dúvidas sobre a identidade de cada time. Quem sofrerá mais, o Corinthians se precisar fazer gols ou o Santos se não puder tomá-los?
Não chega a ser um Chelsea x Barcelona, mas há no embate algo de conceitual.
Alguns torcedores, sabe-se, não são muito chegados a conceitos, querem apenas a vitória, o título. Com a derrota, veja lá, os conceitos são revistos.
Com a pausa de duas semanas, o clássico vai tomar jornais e mesas redondas por quase um mês. Surgirão, então, verdades absolutas quase diariamente.
A primeira delas é que a parada prejudica o Corinthians, pois estaria embalado, ao passo que o Santos, cansado, teria tempo para se recompor.
O que traz a pergunta: se os confrontos fossem nas próximas semanas, o clube praiano atrasaria a cirurgia de Ganso? O meia não foi genial como é seu costume, mas participou decisivamente do lance do gol de Kardec.
Ou de outra forma: com duas semanas de treino, Tite não poderia aprimorar a marcação que inevitavelmente Neymar sofrerá? Não haveria mais tempo para entender o que eficaz Peruzzi, do Vélez, conseguiu realizar?
Há um problema geral nos torcedores e comentaristas de futebol: na falta de explicações, recorre-se a dogmas ou crendices. Assim, as novas verdades são descobertas a cada dia e repetidas incessantemente. Exauridas, são substituídas por novas, diariamente.
Com a obra feita, com o resultado pronto, os analistas descobrirão o motivo que levou a determinado fim. Ignoram que no futebol, como em quase tudo, a explicação é complexa e fastidiosa. Quando há.


Leia no Sem Cesura um poema sobre o famoso lance de Pelé e Mazurkiewicz.

sexta-feira, maio 25, 2012

As contas feitas

Fazendo bem a conta, o resultado foi bom: os quatro semifinalistas da Libertadores são, cada um à sua forma, as quatro melhores equipes do continente.
Poderiam estar nesse grupo Fluminense e Vélez. Poderiam, mas perderam suas possibilidades nos últimos instantes.
O Boca Juniors provou mais uma vez que camisa, sim, ganha jogo; principalmente se for a camisa mais temida da América. O golpe fatal foi guardado para o último instante e, minando qualquer chance de resposta, eliminou um Tricolor valente, mas muito desfalcado.
O Corinthians, à sua feição, contou com a eficiência de seu principal atacante, o volante Paulinho, para seguir. O time que quase não toma gols, fez até aqui aqueles que eram necessários.
Um corinthiano defensivista me dá sua versão: a equipe mosqueteira é a versão 2012 da Azzurra de 1990. Até o Cássio se parece com o Zenga.
(Ele não me explicou se a semelhança era física ou técnica.)
O Vasco tentou e esteve a três minutos de decidir nos pênaltis. Falta, contudo, muita coisa à equipe cruz-maltina e o que se atingiu já merece comemoração.
O Santos, atual campeão e melhor equipe da América, contou com grande dose de bravura de Ganso e Léo e com a presença de espírito de Alan Kardec, que, instantes depois de perder um gol claro, mostrou que atacante pode se recuperar em um lance.
Num dia em que Neymar não rendeu o costumeiro, o Peixe mostrou que pode contar com opções durante o jogo. A nota triste será a ausência de Ganso nos próximos embates.
Por fim, a Universidad de Chile contou com Johnny Herrera - sim, aquele - para seguir. Uma defesa salvadora nos últimos instantes e segurança nas penalidades.
Ficaram assim os chaveamentos: Corinthians X Santos e Boca Juniors X Universidad de Chile.
Como em 2000, há os campeões brasileiro e continental de um lado e o Boca do outro.
As combinações já fervilham na cabeça dos torcedores: uma final ofensiva com Santos e La U, histórica com Boca e Santos, emergente com La U e Corinthians, popular com Boca e Corinthians.
Agora, no entanto, é preciso esperar, pois as seleções interrompem o futebol.

segunda-feira, maio 21, 2012

Os Paulistas e Herrera

Os paulistas começaram mal o Brasileiro. Todos perderam pontos que podem definir suas situações lá na frente.
Palmeiras e Portuguesa terminaram num empate que foi melhor para a Lusa. O Corinthians, com time reserva, perdeu para o Fluminense, que também não estava com toda a sua força.
A Ponte Preta perdeu para o Galo, em casa, com um gol de cabeça da entrada da grande área.
O Santos, todo reserva, empatou com o Bahia.
O São Paulo tomou uma virada fantástica do Botafogo.
A rodada, como se vê, foi ruim. É só o começo, dirão; mas o início vale tanto quanto o fim.
A parte mais interessante da rodada foi saber que ainda existem jogadores com opinião, que não se deixam levar pelas tolices festivas da televisão.
Palmas para Herrera!

domingo, maio 20, 2012

O fim de certa história

Ontem a história do futebol sepultou o último resquício do modelo do século XX.
O clubismo, o apego à camisa e a tradição perderam muito.
Com a vitória do Chelsea sobre o Bayern, não há mais motivos para um torcedor se jactar. Nem a história, nem a torcida, nem a audiência da tevê.
Com a ascensão consolidada de Manchester City e Chelsea, nada disso importa mais.
Para quem não lembra, quando Abramovich começou a depositar dinheiro no Chelsea, a analogia feita pela imprensa daqui era "o clube é uma espécie de Portuguesa londrina". Tratava-se, pois, de um clube antigo, com torcida pequena e com poucos sucessos, todos perdidos no tempo.
O Manchester City não difere muito. Era um América. Qualquer América.
Mas gente endinheirada resolveu se divertir e mostrar o poder de sua grana. E escolheram clubes pequenos, pois eram mais dóceis ao controle e porque os grandes já flertavam com outros "mecenas".
E, é preciso ter atenção com este detalhe, o ressurgimento desses clubes não foi consequência de uma geração talentosa de atletas formados em casa ou de um bom gerenciamento. O que os ergue foi simplesmente o dinheiro do petróleo.
A leitura é simples: é fácil comprar uma torcida e fazer uma nova história.
A consequência não é apenas o crescimento de times pequenos. Com o êxito da empreitada do dinheiro russo, os grandes por tradição deverão se adequar a uma nova realidade que não se interessa muito por história. Hoje, Liverpool e Manchester United são presididos por norte-americanos.
E a Liga da terra da rainha é exemplo de profissionalismo. Ao menos, é o que diz a crítica especializada.
O futebol, empreendimento perdulário, vai se tornando apenas mais uma empresa.
Esperemos o dia em que Corinthians, Flamengo, São Paulo, Vasco e outros clubes de grande torcida serão substituídos pelos times de Eike, Diniz, Ermírio e outros tais quais.

sexta-feira, maio 18, 2012

Estão todos bem

Nenhum time brasileiro venceu nos primeiros jogos das quartas na Libertadores.
Tampouco qualquer deles pode ser tido como fora da competição.
Corinthians e Vasco fizeram um jogo ruim (0 x 0). Não fosse o lance do gol e impedimento de Alecsandro, pouco haveria a comentar.
Se o empate foi bom para os paulistas, que agora decidem em casa, não foi de todo ruim para os cariocas. Fazendo um gol no Pacaembu, o Vasco complica a vida do Corinthians.
Será um duelo interessante entre o time que costuma fazer gols e o que está habituado a evitá-los.
A famigerada regra do "gol fora" deixa as coisas em outro nível e faz com que qualquer alteração no placar possa mudar a história. O Corinthians sabe disso, pois já foi desclassificado vencendo o Flamengo em casa. O Vasco também sabe disso e de mais: seu histórico negativo contra o time de Tite.
Fluminense e Santos voltam de Buenos Aires vencidos, mas com uma boa semana para recuperação.
O Tricolor das Laranjeiras, mesmo desfalcado, surpreendeu. Buscou o ataque no começo do jogo e quase fez com Jean. A expulsão de Carlinhos parecia definir uma eliminação. Mas o time carioca se segurou. Quem também segurou bem foi Diego Cavalieri, mesmo quando deu alguns rebotes. A derrota para o Boca foi mínima e mantém as expectativas do time de Abel Braga.
O Santos não mostrou a mesma beleza das últimas partidas. Mas, como o Fluminense, volta com derrota perfeitamente reversível em seus domínios.
Necessariamente um time brasileiro estará nas semifinais. Oxalá sejam três!
Embora feridos e assustados, estão todos bem.

terça-feira, maio 15, 2012

cheiro de déja-vu: o sucesso dos novos-ricos







O século XX terminou com o futebol estabilizado como um grande negócio, tendo os grandes times tornado-se enormes marcas e parecia que quanto mais tradição tivesse um clube, mais potencial ele teria para atrair as grandes estrelas e os holofotes, resultando num ciclo virtuoso, em que mais tradição, mais dinheiro e mais estrelas e mais títulos e mais tradição... Até que o XXI começou e apareceu um maluco russo que resolveu comprar um time médio no campeonato mais competitivo [e lucrativo] do mundo e tê-lo como seu brinquedo pessoal. Em pouco tempo meteu a mão no cofrinho, encheu-o de bons [e caros] jogadores e colecionou títulos, invertendo a ordem do ciclo.
Claro que falamos de Roman Abramovich, que, aos 37 anos [já podre de rico, depois de ter comprado migalha por migalha de uma grande petroleira quando da reabertura do mercado russo], iniciou no Chelsea um projeto que no próximo final de semana tem boas chances de chegar ao seu grande objetivo: o título da Champions League.
Seu projeto, num primeiro momento, pareceu megalomaníaco e descabido. Embora tentasse com valores surreais seduzir os maiores jogadores do mundo, poucos se arriscavam num projeto tão incerto. Aquele ciclo virtuoso da tradição... Quem em 2003 sairia do Real Madrid para jogar no Chelsea? O jeito foi juntar à base do elenco [que tinha Lampard e Terry] os melhores jogadores de clubes médios e apostar num treinador promissor e ambicioso. Então vieram José Mourinho [campeão europeu pelo Porto], Robben, Drogba, Essien, Cech e mais alguns bons jogadores que formaram uma base que desbancou o Manchester United e dominou, ainda que brevemente, a Premier League.
Mas Mourinho se mandou, o United trouxe Cristiano Ronaldo e Rooney, se levantou, fez valer a tradição e tomou novamente as rédeas do campeonato até que outro zilhardário irresponsável chegasse fazendo escândalo.
Também turbinado pelos petrodólares, o Sheik Mansour bin Zayed Al Nahyan comprou o Manchester City, segundo time da cidade, e anunciou um projeto tão ambicioso quanto Abramovich lançara alguns anos antes. Também foi recusado pelas grandes estrelas [Cristiano Ronaldo e Kaká preferiram a tradição do Real Madrid] e acabou investindo muito errado, pagando absurdos 32,5 milhões de libras para tirar Robinho do banco do Real. Mas o fracasso de Robinho [que em pouco tempo era reserva no elenco ainda mediano, 10º lugar da PL] não desestimulou o Sheik, que para a temporada seguinte torrou mais de cem milhões de libras para trazer Gareth Barry, Kolo Touré, Emmanuel Adebayor e Carlitos Tévez, além do técnico Roberto Mancini. Começava a estratégia de se reforçar tirando os destaques dos rivais, como Touré e Adebayor, do Arsenal, e Tevez, do United. Barry fora o grande destaque da última Premier League, pelo emergente Aston Villa. Demonstrava força local e ambição.
Ao fim da temporada tinham um quinto lugar, ainda insuficiente para disputar a Champions League, mas já estimulante para a torcida, acostumada a empurrar um time coadjuvante. E se Robinho ainda não emplacou e Adebayor passou longe das grandes atuações dos tempos de Arsenal, Tevez mostrou que chegava para assumir o posto de estrela que o time tanto precisava. Ainda mais porque para a temporada seguinte os reforços seriam ainda mais exagerados, mas visando a completar a equipe: Jérôme Boateng, Yaya Touré, David Silva, Aleksandar Kolarov, Mario Balotelli, James Milner e Edin Džeko. E com essa base fortíssima, em 2011 venceu a FA Cup e conseguiu o 3º lugar na PL, o que valeu a promissora vaga na Champions League pela primeira vez na história do clube.
Mas o sucesso mesmo da empreitada do Sheik viria no último fim de semana, quando a mais cara de suas contratações, o argentino Kun Agüero, marcou aos 49 do segundo tempo no City of Manchester, de virada, o sofrido gol do título inglês, tirando da garganta da torcida um grito inimaginável quatro anos atrás.
Além do atacante, Gaël Clichy, Stefan Savić, Samir Nasri e Owen Hargreaves chegaram para completar um elenco que já tinha muitas opções em todas as posições para compor um time campeão e promissor, que apesar da eliminação precoce nos torneios europeus [não passou da primeira fase na CL], chegou ao título merecidamente por ter tido uma temporada de muitos altos [como o grande 6x1 no rival United em pleno Old Trafford] e de apenas um enorme baixo: a confusão protagonizada pela estrela da equipe, Carlitos Tevez, afastado por meses após recusar-se a entrar numa partida perdida diante do Bayern, quase botando a temporada a perder, mas voltando espetacularmente a tempo de recuperar-se na arrancada final.
Como já vimos antes com o Chelsea de Abramovich, o Manchester City de Mansour bin Zayed Al Nahyan é um sucesso nos gramados ingleses. E a volúpia do sheik por contratações parece não ter chegado ao fim. Ainda mais porque agora os blues parecem um destino bem mais confiável para as grandes estrelas. Fica no ar um cheiro de déja-vu. Mas que, independente do resultado do Chelsea no fim de semana, parece um cheiro de incêndio ainda maior que o causado pelo time londrino. Afinal, quanta juventude e potencial inflamável ainda temos em Agüero, Tevez, David Silva, Nasri, Balotelli...
E dizem que Al Nahyan, príncipe de Abu Dhabi, tem ainda mais petróleo pra queimar que Roman Abramovich.
[E esse cheiro de déja-vu, para o bem ou para o mal, parece não ter fim: ainda vêm aí Paris Saint-Germain e Málaga, empolgados com esse novo futebol de novos-ricos].

quarta-feira, maio 09, 2012

NeyMARKETING é o MELHOR!

O plano de marketing da marca NEYMAR é perfeito!

O cara é craque e tem carisma, e sua marca é explorada direitinho.

As comemorações em homenagem ao Chulapa e ao Juary foram perfeito marketing.

Para quem não as acompanhou, o Neymar igualou os números de gols desses artilheiros do Peixe comemorando os tentos como eles faziam.

Se ainda não viu, observe:




O novo menino de ouro da Vila não passará Pelé nos Títulos - ganhar Copa do Mundo com 17 anos dando espetáculo dentro de campo é coisa do além.

Mesmo como marca, o que o Edson fez não será superado. Parar uma guerra, Neymar não parará.

De volta às homenagens, é bem improvável que o gênio do marketing, de 20 anos, soubesse como Serginho e Juary festejavam seus tentos. Alguém passou essa fita para ele pelo jeito.

Quem é uma marca que vale R$ 300.000.000,00, não pode deixar de ter uma super equipe de marketing por trás. Estranho seria se fosse diferente.

Durante o primeiro jogo da decisão deste Paulistão 2012, após o gol a la Chulapa, o narrador passou a narrar a comemoração de uma forma muito certinha e adequada. Foi melhor na homenagem que narrando o próprio gol de final de campeonato.

Aliás, o próprio vídeo do Globo Esporte que coloquei aí em cima mostra bem que há uma sintonia fina da emissora, que tem os direitos do Brasileirão, e as performances do maior craque deste campeonato.

Não dá para sentir um desinteresse pelo talento, pelo carisma do jogador por parte dos comunicadores.

Foi uma tabelinha tão bem feita que até ficou fake.

Quer dizer, ficou falsa do lado da tevê, que devolveu a bola quadrada com a vibração over ao craque, que tinha passado-a redondinha, como de costume.

Acho que o pessoal do jornalismo esportivo global deveria ter umas aulas de interpretação e um diretor artístico.

Igual ao Faustão ou o Gugu. Não há vergonha alguma nisso para mim. Ter alguém para ajustar a dramaticidade é essencial quando há um show com script.

Essa ideia de Clube, amor à camisa, é um passado que, infelizmente, continua zumbizando por aí.


Afinal, futebol é marketing agora. 


Neymar é o cara dentro do gramado e dentro das campanhas publicitárias, sua identificação com o Santos é um "a mais" no melhor pacote do mercado.

Abraços,

terça-feira, maio 01, 2012

Quem tem medo de Fábio Simplício?

A cena deve ser de conhecimento do leitor: em rodada do final de semana, Fábio Simplício faz o gol do empate da Roma nos últimos minutos da partida e, entusiasmado, corre até as tribunas para beijar a esposa; o árbitro, pouco afeito a romantismos, pune o jogador com cartão amarelo.
O acontecimento poderia levar a uma reflexão acerca do amargor dos árbitros. Eles não podem ver uma comemoração, pois logo a punem. E são mais rigorosos com isso do que com a violência. Parece ser algum tipo de inveja - coisa que os psicólogos poderiam explicar.
Mas a questão não é bem essa. A questão é o próprio jogador. Ou melhor, o jogador brasileiro.
Simplício surgiu no São Paulo na mesma geração de Fábio Aurélio e Júlio Baptista. Geração que vem depois daquela do Corinthians que trazia Edu Gaspar e Sylvinho.
E o que há em comum entre todos eles é o fato de atuarem (ou terem atuado) na Europa há quase uma década na Europa. Ou mais, no caso de Fábio Aurélio.
E reparando bem, o leitor verá que nenhum deles é ou era um jogador excepcional. Estão todos abaixo, por exemplo, de Alex e Kaká, meias que também estão lá fora.
A primeira coisa a trazer estranheza é que eles nunca sentiram a "falta do feijão". Jogaram, respeitaram seus contratos e foram respeitados. E assim mostraram que a vontade pode suprir ou reforçar um talento.
A segunda constatação é que seus antecessores, após uma década ou mais de Europa, retornam e fazem sucesso por aqui. Ronaldo, Roberto Carlos, Juninho, Assunção. O que parece deixar claro que o nível do ludopédio praticado em nossos campos não é o que os ufanistas tentam fazer crer.
O que mais intriga, entretanto, é o caso específico de Fábio Simplício. Espécie de patinho feio de sua geração, ele acumula boas passagens por times médios da Itália (Parma, Palermo, Roma) e deixou de ser o voltante típico. Lá na Bota, joga praticamente como meia. Mudança parecida, aliás, com a que ocorreu com seu colega Júlio Batista.
E, assim, chega-se à pergunta: o sucesso nessa mudança se deve à falta de qualidade dos europeus ou à visão do técnico?
Tendo em vista o nível do futebol desenvolvido por aqui - marcado por chutões e correria - é bem mais provável que a resposta seja a ousadia do treinador.
Basta colocar de outra forma. Se continuasse no Brasil, que "professor" teria coragem de escalar Simplício como meia ou Baptista de centroavante?
Tivesse ficado por aqui, o jogador da Roma teria rodado por vários clubes e engrossado as listas de volantes marcadores medianos que povoam nossos campeonatos.
Simplício é um caso em que se pode dizer, legitimamente, que a transferência para o Velho Mundo trouxe crescimento profissional.