terça-feira, janeiro 29, 2013

Neymar dá chapéu em Nietzsche

Muita gente achou que este chapéu espetacular e simples, ao mesmo tempo, foi dado no Nunes do Botafogo; mas o chapelado foi o Fred.

Um cara criado em uma família de várias gerações de pastores luteranos não tem nenhuma chance de ter intimidade com as coisas tortas da vida, mesmo que tente.

Além disso, se o cara também for do século retrasado e alemão, então não tem jeito, ele seria um marciano em uma geral de clássico lotado na Vila.

O cara quadrado chapelado é o Nietzsche.

Esse drible do Neymar Jr. é um sonho que ele teve e nunca chegou perto de vivê-lo.

O filósofo era um filólogo que gostava da Grécia Clássica e não via futuro no que rolava na Europa da sua época, e estava certo.

Ele admirava os gregos, que uniram o reto e o curvo, o sério e o hilário. Eles tinham Apolo e Dionísio ao mesmo tempo. Um da razão e o outro da insanidade juntos.

O sonho do alemão era unir o organizado e o criativo para que as pessoas pudessem realizar suas potencialidades, sem podas. Como os gregos conseguiam fazer lá atrás e Fred queria que isso acontecesse de novo.

O craque atual do Peixe consegue o sonho do filósofo, o menino da Vila faz um vitaminado de pensar e emoção no ponto certo, como os de Ὅμηρος.

O príncipe de hoje tem o talento para ser criativo dentro das quatro linhas; um território em que a organização é fundamental.

Ele e o time perderam a final para o Barcelona de goleada, é fato. Mas isso não muda a condição de Neymar; ele e nem ninguém mais vence às circunstâncias épicas, tanto que o 10 atual da argentina escolheu jogar por seu país natal e não pela Furia; já poderia ter sido campeão do Mundo e periga não ser um Maradona de fato.

Mas o Messi campeão e vários outros craques que vêm de lugares sem um sorriso mais fácil e uma história sofrida não conseguem dar esse beijo que só Neymar Jr. consegue dar no lemão.

Não será estranho que alguém reclame por aí que Na Cal não é lugar para o gênio que perdeu a sua inocência na época da universidade em puteiros germânicos.

Na juventude, o filósofo conheceu que a vida é boa e pegou sífilis, que lhe fritou a caixola um tempo depois. Os dois deuses foram muito para o filósofo, que escolheu não ser um pastor.

O jeito de Neymar criar é fruto das congruências e descaminhos daqui do Brasil, e isso Zidane ou algum craque da Espanha não conseguiram criar. Não é meio estranho que a seleção espanhola foi o melhor time, mas não tem craque e nem é o melhor futebol que se pode jogar. Tem bons jogadores e é um time muito organizado e ponto.

Isso porque esta paragem tem todo o jeito de ser a Mais generosa, porque aberta à convivência com todas as raças e todas as culturas e porque assentada na bela e luminosa província da Terra para muito mais gente antes de mim.

Frederico foi de apolo a dionísio e não orquestrou os extremos como Neymar Jr. faz nos gramados daqui. O jogador realiza o sonho do teórico.

Abraço,

Um comentário:

Pedro Caldas disse...

Muito estiloso esse texto!