segunda-feira, junho 17, 2013

Ditadura, Futebol, Repressão e Refugiados

Dor é subjetiva. Por agora, em São Paulo há uma busca por Paris de 68, mesmo após a Queda do Muro; vi, outro dia, que a filha de um pop star tenta se matar. Não há como entrar na psique de cada um.

E o futebol, onde entraria nesta história? Daqui a pouco chego ao gramado.

Bem, sábado passado, enquanto os debates ferviam na internet, eu fui dar uma aula de língua portuguesa para refugiados do Adus - Instituto de Reintegração do Refugiado.

Só para situar,  refugiado é quem foge de guerras e perseguições em seu país natal e busca asilo, segurança em outro que o acolhe.
(Campo de Refugiados no Congo)

Sábado passado também foi o dia do primeiro jogo da Seleção brasileira na Copa das Confederações 2013.

A aula de português foi muito interessante. Teve um primeiro tempo na sala de aula no Cursinho do XI de manhã. Um intervalo para um almoço. E um segundo pelo Centro de São Paulo.

Ensinar é muito bom. O duro é ensinar para alguém que foge de guerras, alguém que largou sua família do outro lado do atlântico e não sabe se seus filhos estão vivos ou mortos.

Um sorriso de um aluno refugiado é algo chocante para mim. Impressiona ver alguém que viu a morte conseguir rir. 

E o futebol? Calma! Antes do jogo da Seleção, preciso passar pelo Congo - República Democrática do Congo.

Como acontece há muito tempo, agora também há mais uma guerra violenta naquele país africano. 

Violenta? Como assim? 

Estima-se que, atualmente, lá tenha 400.000 mulheres estupradas. A vida não tem valor. Aquele País está sempre em constantes ditaduras, o poder é imposto por violência, terror e morte. Muito terror e muita morte.

Vários dos alunos são de lá. Estão aqui fugidos da morte.

Apesar das guerras constantes, os congoleses também gostam muito de futebol. Em 69, Pelé parou a morte lá durante uma partida que disputou naquela terra.

A aula pelo Centro de São Paulo foi interessante. Mas a medida que o tempo passava, percebi um certo desconforto crescer na turma.

Às 16 horas, de 12, só havia dois restantes, que também se foram logo.

O jogo da Seleção do Brasil era o principal evento do dia.

Uns falavam tchau, outros com licença e alguns simplesmente sumiam.

Assistir à partida no Vale do Anhangabaú abriu o sorriso de uma forma libertadora para eles. 

A possibilidade de estar no meio da massa, ver uma partida, fazer parte da alegria, colocou um brilho nos olhares marcados pelo terror.

Fiquei sozinho, nem fui ver a peleja junto com eles. 

Para mim, o Brasil já tinha ganhado aquele jogo.





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