quarta-feira, junho 05, 2013

Outro Brasileiro

Não foi programado, mas aconteceu: Na Cal mergulhou num profundo descanso para mais de mês.
O silêncio foi tanto que um leitor - um dos dois leitores - me perguntou: o Na Cal não existe mais?
Existe, mas estava de resguardo.
Nesse tempo todo, algumas coisas aconteceram e até despertaram a vontade de escrever nesse espaço. Contudo, nenhuma delas foi suficiente para despertar nossos colunistas da inércia.
E foram fatos interessantes: a eliminação do trio de ferro na Libertadores (a goleada do Galo sobre o São Paulo, o frango de Bruno, a amarillada no Pacaembu), as aposentadorias de Ferguson e Beckham, a final da Champions, a venda de Neymar, a defesa de Victor, as decisões das Copas nacionais Europa afora, o início do Brasileirão.
Entretanto, um acontecimento pareceu - ao menos, a mim - digno de nota. E, com ele, pretendemos iniciar nova leva de textos neste espaço.
Trata-se do início do Campeonato Brasileiro da Série C. O simples fato de haver uma série C e uma série D regularmente disputadas já é digno de nota. A série C é, aliás, a última em que os critérios para disputa estão claros: quatro rebaixados da B, quatro egressos da D e doze restantes do ano anterior. Na D, há ainda o uso da classificação nos Estaduais como acesso à disputa.
Mas falávamos da série C. Nela, contendem clubes que não fazem parte do grupo de ricos de nosso ludopédio, nem de sua classe média alta. Há na série C gente tradicional em seus estados (Santa Cruz, Sampaio Corrêa, Fortaleza, Guarani) e que, após os regionais, fica praticamente invisível aos apreciadores do futebol. A lacuna começa a ser preenchida. Em primeiro lugar, por um campeonato longo, que ocupa as agremiações por boa parte do restante do ano; em segundo, pelas transmissões desse campeonato.
E essa é a novidade: antes de esperar que um grande do Rio ou de São Paulo caia até a C, despertando os interesses das grandes emissoras, a TV Brasil começou a transmitir o certame desde sua primeira rodada. No sábado, por exemplo, assisti a vitória do Mogi Mirim sobre o Duque de Caxias.
É claro que nem tudo está bom: o público dos jogos continua fraco (pouco mais de 600 almas no Romildão), a transmissão é de uma emissora estatal, nem todos têm acesso à TV do governo, um dos grupos do campeonato tem 11 times e o outro dez...
Mas saber que será possível ver um pouco mais do futebol brasileiro é uma boa notícia.

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