quarta-feira, junho 12, 2013

Vinte anos de 1993

Em 1993, eu tinha 15 anos. Tinha também uma convicção: a de que não havia palmeirenses da minha idade.
As razões dessa certeza vinham das conversas futebolísticas; nelas, apenas corinthianos e são-paulinos se manifestavam. De vez em quando, um santista se revelava.
Isso era provavelmente um efeito da década anterior. Até o Santos havia sido campeão paulista nos anos 80 e, além disso, tinha um conjunto bacana, com Sérgio, Almir e César Sampaio. Além do alvinegro praiano, apenas um time havia interferido no domínio de Corinthians e São Paulo no Campeonato Paulista: a Internacional de Limeira.
A derrota para a equipe interiorana parecia ter calado os palmeirenses. É bom que se diga que, no meio dos anos 80, ainda era possível encontrar uma ou outra criança palestrina. Entretanto, o gol de Kita parecia ter calado esses pequenos. Até 93.
O insucesso da equipe de Jorginho, Mirandinha, Edmar e Éder foi uma espécie de toque de recolher para aquela geração de alviverdes. É claro que sempre havia aquele moleque resistente que insistia em se dizer palmeirense. Sobre ele se dizia, como se fazia com os santistas, que era torcedor por herança - coisas que os pais legavam aos filhos.
Em 92, houve a primeira grande chance daquela geração se libertar, mas Raí, Muller e Cafu venceram os dois jogos finais e mantiveram silenciosos os palmeirenses. O grito, contudo, não tardou. Veio em 12 de junho de 1993. Naquele dia dos namorados, muita gente preferiu passar a noite em frente ao televisor ou no estádio.
Liderada por Evair, a equipe alviverde reverteu a desvantagem do primeiro jogo e se sagrou campeã. Houve, então, a explosão de fogos verdes. Houve também a libertação de seus torcedores. Finalmente, os jovens palmeirenses podiam se orgulhar de seu time.
Com a decadência do São Paulo nos anos seguintes, as temporadas da década de 90 foram marcadas por embates entre Corinthians e Palmeiras.
Como todo torcedor que se sente aliviado pela conquista de títulos seguidos, o palmeirense se inflou e passou a participar mais ativamente das discussões futebolísticas. Passou também a se jactar de uma possível superioridade. Algo absolutamente natural, como aconteceria mais tarde com santistas (2002-2004), são-paulinos (2005-2008) e corinthianos (2009-2012). Havia, inclusive, bons motivos para o orgulho, pois o Palmeiras apresentou, na década de 90, algumas das melhores equipes da história de nosso futebol. Além disso, lapidou dois craques de sua geração: Edmundo e Alex.
Ressurgido e extasiado, nenhum palmeirense imaginaria, naquele 12 de junho de 1993, que veria seu time disputar a Série B dez anos depois, nem vinte anos depois.
Conquistas e derrotas, glórias e fracassos - tudo entra no cômputo na história de um grande clube. Hoje a efeméride é pela conquista histórica, pela libertação de muitos colegas que, fui então descobrir, não torciam para o São Paulo, apenas contra o Corinthians.


Nenhum comentário: