quarta-feira, julho 24, 2013

Indo além

Em 1958, a lateral direita da seleção brasileira era ocupada por De Sordi. Na partida final, contudo, a escalação apresentava outro nome. Há quem diga que De Sordi foi vetado pelo médico da seleção, há quem diga que Feola queria um lateral mais ofensivo na partida final. Por um motivo ou outro, ou por nenhum deles, Djalma Santos atuou final.
E, com apenas um jogo, foi eleito o melhor de sua posição no torneio. Depois disso, o nome de Djalma Santos estava definitivamente na história.
Dono de ótimo preparo físico, Djalma Santos jogou até os 42 anos. Destacava-se dos demais laterais por avançar ao ataque - coisa pouco comum em sua época - e por cobrar arremessos manuais que chegavam à grande área. Arriscava também lançamentos para os atacantes. Num tempo em que havia mais espaços no campo, tentar um passe longo era uma boa pedida. Além disso, com o recuo de Zagallo, o meio-campo brasileiro era mais povoado e era eficaz na recuperação da posse de bola.
O vídeo do jogo decisivo pode dificultar ao espectador atual a compreensão da importância e da novidade de Djalma Santos para o futebol da década de 50. Para os torcedores de Portuguesa, Palmeiras e Atlético Paranaense, entretanto, é mais fácil. Djalma encerrou sua carreira no Furacão em 1972, sendo campeão paranaense em 1970; pelo Palmeiras, fez parte da primeira versão da Academia e conquistou o Campeonato Paulista, o Rio-São Paulo, a Taça Brasil e o Troféu Roberto Gomes Pedrosa; pela Lusa, onde começou, jogou na famosa equipe que consagrou Julinho Botelho, e foi bicampeão do Rio-São Paulo.
Há poucos anos, o jornal Lance! criou uma série de réplicas de grandes times do Brasil e Djalma Santos foi o homenageado na camisa da Lusa. Quem frequenta o Canindé sabe que a camisa do bicampeão mundial é das mais vistas nas arquibancadas, muitas vezes vestidas por gente jovem, gente que nem tem ideia de que houve um tempo em que os laterais não rompiam a linha de meio de campo e se prendiam a limites determinados. Djalma foi dos primeiros a ir além; por isso, sua história avança.





Um comentário:

Anônimo disse...

Pois é a Lusa em menos de um ano perdeu dois de seus campeões Mundiais, Felix e Djalma Santos. Saudades de um tempo em que a Lusa foi grande, pois hoje a realidade é ganhar Campeonato de Acesso e ficar lutando desesperadamente para não ser rebaixada no ano seguinte. Infelizmente a Lusa parece estar seguindo em ritmo mais lento o Destino do Juventus e do América do Rio. Muito triste.