terça-feira, agosto 13, 2013

O que (não) mudou

Na Cal propõe um exercício a seu leitor:
- Imagine que o maior jogador do mundo seja um argentino. Imagine, também, que ele jogue numa liga da Europa e que os jogos de seu time sejam transmitidos todos os finais de semana para vários países, inclusive o Brasil;
- Imagine, ainda, que para reforçar a equipe, os dirigentes desse time resolvam contratar o jogador de maior destaque no Brasil nos últimos anos (há quem diga que o reforço é um pedido da própria estrela);
- Imagine, por fim, que, para ganhar um pouco a mais na transação, o clube brasileiro exija um amistoso com o comprador.
Essa história é velha e repetida. Aconteceu com Neymar em 2013, aconteceu com Careca em 1987.
No cotejo entre semelhanças e diferenças, é possível ver o que (não) mudou no futebol brasileiro nesses últimos 26 anos.
Para começar, era essa (26 anos) a idade de Careca quando se transferiu para o Napoli. Neymar foi com 21, e teria ido antes, não fosse o louvável esforço da diretoria santista.
Na década de 80, o número de estrangeiros era limitado nos campeonatos europeus. Na Itália, eram três: o Milan tinha holandeses, a Inter apostava em alemães, a Juventus ia de Platini, o Napoli escalava Maradona e Careca. Ainda hoje são estrangeiros os destaques dos principais certames do Velho Mundo: Messi, Cristiano Ronaldo, Ibrahimovic, Van Persie, Robben, Ribéry.
O que muda é que os craques não são estrangeiros para fins de mercado. Assim, os bilionários times europeus podem construir verdadeiras seleções continentais. A diferença é que quase não há brasileiros nesse seleto grupo. Depois de Neymar, é bem provável que os jogadores tupiniquins mais bem cotados sejam zagueiros.
Na coleção dos dados imutáveis, os melhores jogadores destas plagas continuam vendo no aeroporto a melhor saída e Jota Júnior segue como um dos melhores narradores.
No campo da (des)organização, a falta de data é há muito um problema: o Santos viajou durante o campeonato brasileiro, o São Paulo enfrentou o Napoli com o time titular no dia 30/05 e o Mogi-Mirim com os reservas em 31/05.
As autoridades seguem as mesmas também (veja a entrevista de Marin no intervalo), e talvez isso explique muita coisa.
O resto é saudosismo de antigas propagandas.




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