terça-feira, outubro 08, 2013

Walter apita em Goiás

Com certo atraso, escrevo sobre uma lembrança que tive durante a partida entre Goiás e São Paulo, no dia 22 de setembro último.
Não, esperto leitor de Na Cal, o gol de falta de Rodrigo não me fez recordar da infelicidade de Carlos na Copa de 1986.
Também não me lembrei de outros times esmeraldinos, nem de jogadores com sobrepeso. Mas a história tem ligação com o artilheiro do time goiano.
Na verdade, Walter - chamado por Alberto Helena Júnior de O fino da bola - me fez lembrar de um episódio que já conta mais de vinte anos e sobre qual queria escrever já faz algum tempo.
Não bastassem os gols e os belos passes que o bom atacante do Goiás tem proporcionado, um novo talento parece ter sido exibido na derrota são-paulina. Quem assistiu ao jogo deve ter percebido que o jogador foi "denunciado" pelos rivais tricolores. Sua infração seria a de imitar o apito de Sua Senhoria o Juiz e, assim, atrapalhar o andamento do jogo. O árbitro Paulo Henrique de Godoy Bezerra não levou a sério a acusação, as reclamações cessaram e o jogo seguiu.
O insólito recurso, contudo, já foi utilizado em outra partida em que, coincidentemente, o São Paulo também estava.
Corria o ano de 1992. Em 11 de abril, um sábado, jogavam os tricolores paulista e carioca no Morumbi. O plantel do Fluminense não era muito bom: todas as esperanças estavam em Super Ézio e Bobô. O time do São Paulo era o último campeão brasileiro e, em poucos meses, seria o vencedor da Libertadores.
A dado momento da partida, o atacante Macedo deixou de prosseguir uma jogada e reclamou da anotação de impedimento pelo árbitro Márcio Resende de Freitas. O apitador, que depois ficaria famoso pelos lances de Túlio (1995) e Tinga (2005), não entendeu a reclamação, pois nada marcara. Cena semelhante se repetiu e novamente o árbitro negou ser o autor do silvo ouvido em campo.
Foi quando interveio o auxiliar e revelou a Marcio Resende de Freitas que Paulo Afonso, lateral do Fluminense, estava imitando o som do apito e atrapalhando os ataques paulistas. O lateral foi expulso e o São Paulo venceu a partida com um gol nos acréscimos.
Lembro do repórter da Bandeirantes entrevistando Paulo Afonso no vestiário e relatando não ver apito nenhum com o jogador; este último, como esperado, negou ter assoviado durante o jogo.
O episódio ficou guardado nos cantos da memória por muito tempo. Em conversas com amigos, insisti várias vezes no erro de que o jogo a que assisti na minha infância fora contra o Vasco e que o lateral apitador era o Pimentel. Tempos atrás, pretendendo relatar essa lembrança, descobri este relato no sítio da Record e constatei, com tristeza, que já não posso confiar na memória. Em agosto, o blogue Jornalheiros relembrou a passagem. Walter, o Fino da Bola, querendo ou não, acrescentou uma nota para os próximos relatos.


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