segunda-feira, fevereiro 03, 2014

Tudo como antes

Antes do início dos estaduais, o torcedor estava entregue a uma avalanche de reprises. Quantas vezes teve ele que se contentar com amistosos benemerentes, entrevistas, finais de campeonatos do último ano - espetáculos repetidos à exaustão nos meses de dezembro e janeiro?
À exceção de alguns campeonatos que persistiram no Velho Continente, nada de novo havia na televisão, nos jornais, na internet.
Houve a premiação de melhor jogador de 2013, mas o resultado era tão previsível que não causou grande expectativa.
Há três semanas, contudo, recomeçaram os estaduais e, para descontentamento do admirador do futebol, trouxe novas repetições: campeonatos com fórmulas e formatos esdrúxulos, pouco tempo de preparação, vencedores da temporada anterior dividindo suas atenções entre os torneios locais e a Libertadores da América... Nem mesmo o mercado produziu grandes emoções: à parte a contratação de Damião pelo Santos, nada que justifique olhar o noticiário.
Repetem-se também os discursos. Depois do lamentável episódio de sábado, em que cem ou duzentos torcedores invadiram o treino do Corinthians, a equipe alvinegra sofreu nova derrota. Em seu pronunciamento, o presidente Mário Gobbi afirmou não haver mais espaço para diálogos com as organizadas, mas deixou uma porta entreaberta ao dizer "no futebol, você nunca diz nunca mais, nem na vida". (veja aqui)
Juca Kfouri sintetizou em um parágrafo o cerne da entrevista do mandatário corinthiano. Resumiu: Sua entrevista coletiva choveu no molhado, desfilou platitudes e meias verdades e serviu apenas para mostrar que nada vai mudar, algo que os jogadores de futebol não podem aceitar. (veja aqui)
Os presidentes dos clubes paulistas parecem ignorar a atitude pelo Conselho do Cruzeiro, que proibiu a utilização dos símbolos de sua instituição pelas torcidas organizadas. (veja aqui)
A decisão revela coragem e inteligência e, se realmente seguida, trará ganhos dobrados ao clube: por desvincular sua imagem de atitudes que têm causado prejuízo (perda de mando, multas)e por criar novas receitas (adesão de sócio-torcedor, venda de camisas do clube, não da torcida).
Infelizmente, a ideia cruzeirense não será seguida em terras paulistas. E tudo seguirá como antes.

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