terça-feira, maio 13, 2014

Desrespeito repetido

Não dá mesmo para elogiar clube de futebol.
No domingo à noite, fizemos aqui menção à bonita homenagem que o Flamengo dedicou a seus ídolos negros: cada atleta trazia na camisa o nome de um antigo craque negro da história da Gávea. Embora especificar a pigmentação devesse ser irrelevante ao tratar de pessoas, o gesto foi oportuno e bem contextualizado: o histórico recente de agressões em gramados europeus e sul-americanos, proximidade da Copa do Mundo, antevéspera do 13 de maio, clássico contra um rival que simbolizou o racismo nas primeiras décadas do ludopédio carioca.
Tudo ajudou para tornar o tributo ainda mais significativo. Se a vitória não veio, o torcedor pôde ao menos olhar com orgulho os nomes que desfilaram pelo clube mais popular do país: Ubirajara, Domingos da Guia, Júnior, Zizinho, entre tantos.
No banco, o treinador trazia a seguinte inscrição às costas: "Jayme de Almeida (Pai)". Ali se resumia uma trajetória de dedicação. Jayme faz parte da história do Flamengo - e o Flamengo da sua - desde antes de sua própria história: Jayme nasceu em 1953 e seu pai jogou no rubro-negro entre 1938 e 1950, sendo depois também treinador.
Se acertou ao enaltecer a história geral, a diretoria do Flamengo pecou terrivelmente ao menosprezar a trajetória individual - e individualíssima - de Jayme de Almeida no clube.
Demitido pela imprensa, Jayme de Almeida não foi tratado com o respeito com que tratou o clube em seus anos de dedicação.
A diretoria rubro-negra apenas repete o que já fez com Andrade, outro campeão que não saiu bem da Gávea. Pior do que isso, vai buscar num treinador com desempenho similar ao de Jayme a solução para problemas que não se resolvem à beira do gramado.

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