quinta-feira, junho 12, 2014

Começou

À medida que o momento se aproximava, mais distante se afigurava o início
As horas da manhã e da tarde deste dia 12 de junho pareciam inesgotáveis.
Assim, para disfarçar a ansiedade, muitos desviaram sua atenção: foram à banca, à farmácia, ao mercado. Contudo, o assunto sempre retornava; as figurinhas para os álbuns, os antiácidos, a pipoca para ver o jogo.
A isso se somavam as cornetas, os bonés, as faixas, os rojões - complementos que já se faziam ver e ouvir desde as primeiras horas do dia.
A expectativa era tamanha que pouquíssima gente deve ter dado atenção à abertura. A encenação carregou o tom kitsch de seus congêneres; foi, entretanto, mais prejudicada pelo sol dos trópicos: fosse noturna, talvez a encenação tivesse mais brilho.
Faltava, ainda, o principal: a bola rolando. A esfera até foi impulsionada por um paraplégico; novamente pouca gente viu.
Alheias a essa gastura ansiosa estavam as crianças. Os pequenos se vestiram de amarelo para jogar bola nas ruas ou nos aparelhos eletrônicos. Device se diz hoje, é isso?
A emoção acumulada pela espera afetou até os jogadores mais experientes. As lágrimas lutavam para não transbordar dos olhos de Júlio César, Paulinho e Thiago Silva.
Mas o jogo começou. Finalmente!
Menos para o nosso time. Supondo, é claro, que o leitor estivesse torcendo pela equipe de amarelo.
A ansiedade cedeu lugar ao desencanto: Marcelo fez contra logo aos dez minutos.
Aos vinte e cinco, Neymar foi advertido com o cartão amarelo e começou a surgiu um pequeno medo.
Medo que arrefeceu logo. Pletikosa chegou tarde no arremate de Neymar. Tudo zero a zero outra vez. Ou melhor, um a um.
Após o intervalo, Scolari deixou o jogo andar antes de fazer suas alterações. Hernanes entrou na vaga de Paulinho aos 17, Bernard na de Hulk aos 23. Os reservas não tiveram desempenho superior ao dos titulares. E, mesmo com a insistência de nossos atacantes, quem desequilibrou a peleja foi o apitador. Uma pênalti estranho, chamado pelo L´équipe de très généreux, possibilitou a Neymar colocar a seleção em vantagem aos vinte e cinco da segunda etapa. Pletikosa quase se redimiu, mas o quase não pega pênalti.
Depois disso, foi a angústia pelo apito final, o temor de um empate que se insinuou. Os croatas tentaram e não conseguiram. Oscar, por sua vez, encerrou sua grande atuação com um chute certeiro. De bico, sim, mas um bico cheio de classe, daqueles que nossos grandes jogadores sacam da cartola em momentos insuspeitados.
Pletikosa ajudou ou foi surpreendido? Não se sabe. O que se sabe é que o relógio já marcava quarenta e cinco do segundo tempo. Só então o torcedor brasileiro ficava aliviado. Tranquilo e confiante a ponto de já florescer um esboço de arrogância ao subir a placa indicativa de quatro minutos de acréscimo: dava tempo de tentar o quarto tento e abrir a Copa com uma goleada.
O apito final veio antes que se concretizasse tal proeza.
Do balanço, é possível dizer que Luiz Gustavo e David Luiz foram importantíssimo. Neymar e Oscar, porém, foram os grandes destaques. Os dois jovens craques se mostraram à vontade. Como as crianças vestidas de amarelo nas calçadas.

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