sábado, junho 14, 2014

Espanha: Argentina ou França?

Nem o mais fervoroso holandês imaginaria o passeio que a equipe laranja realizou sobre a atual campeã.
Vingança não é o termo apropriado, pois há muito a distanciar uma final e uma estreia. Dê-se qualquer nome, não há como não entender os sentimentos de satisfação e decepção. O primeiro, dos laranjas ontem vestidos de azul; o último, dos vermelhos, ontem trajando branco. Seria o preto o melhor matiz para a Fúria aplacada?
É sabido de todos os que acompanham o futebol que a seleção espanhola manteve boa parte de seu grupo campeão. Quatro anos depois, o que sobressairá, a experiência ou o envelhecimento? Depois da goleada de ontem, muitos já decretam o fim de uma trajetória que acumula êxitos seguidos nos últimos anos.
De fato, tudo pareceu dar errado para os espanhóis nessa sexta-feira treze de lua cheia.
Num bom começo, a Fúria chegou a abrir o placar com um pênalti padrão-FIFA e a ver o segundo tento ser espalmado pelo goleiro holandês após arremate de David Silva. Tivesse feito o segundo gol, a Espanha teria a ocasião propícia para desfilar seu tiki-taka, estilo tão característico exaltado por Xavi e por todos os fãs de La Roja.
O que se seguiu, porém, foi um festival de lances surpreendentes: Van Persie fez um golaço de cabeça, Robben marcou o da virada na sua jogada mais recorrente, De Vrij amplia após falta não marcada em Casillas, o arqueiro espanhol falha e entrega o quarto gol para Van Persie, Robben fecha a conta depois de deixar Sergio Ramos para trás.
O placar poderia ser ainda mais desastroso e igualar a derrota dos espanhóis para os brasileiros em 1950. Não foi pior porque Casillas ainda fez grandes defesas no chute de Wijnaldum e no rebote de Robben.
Os jornais destacam que se trata da maior derrota de um campeão mundial. O adversário de ontem, entretanto, é muito superior aos times de Camarões e Senegal, que derrotaram Argentina(1990) e França(2002).
Num esporte acostumado a estigmas e superstições, há a expectativa para saber se a Espanha voltará a ser a Espanha dos últimos títulos ou a de antes. Indaga-se, ainda, se a mudança de expectativa em relação à Holanda trará nova decepção.
Outros, ainda, lembram da derrota contra a Suíça no início da jornada que terminou com o troféu em 2010. A semelhança entre aquele jogo e o de ontem é apenas o fato de ter sido o primeiro. O começo, desta vez, é diferente, pois representa a defesa do título.
Será um caminho mais parecido com 1990 ou 2002?

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