terça-feira, junho 10, 2014

Fernandão

Ainda que a destempo, Na Cal não poderia deixar de comentar a morte de Fernandão.
A notícia tornou triste o sábado de todos que acompanham o futebol.
No momento em que quase tudo se resumia à espera pela abertura da Copa do Mundo, a queda de um helicóptero no interior de Goiás fez com que todos refletissem sobre a vida. Especialmente sobre o que ela tem de efêmero, frágil, imprevisível.
A imagem dos torcedores do Internacional chorando em frente a seu estádio é eloquente: a perda ali sentida era a de alguém próximo, alguém com quem se conviveu em momentos intensos. As frases dos colorados que igualavam a sensação momentânea à daquela causada pelo falecimento de um parente próximo não eram exageradas.
Fernandão pertence à linhagem dos jogadores que, mesmo não sendo craques, simbolizam um time; mais do que isso, jogadores que se identificam com a fase vitoriosa de um grande time. Atletas como Fernandão aliam inteligência à técnica e, ainda, enriquecem seu repertório com liderança.
Quando um jogador dessa estirpe encontra um clube que o entende e lhe dá boas condições de trabalho (elenco competitivo, bons treinadores), a trajetória quase sempre se desenvolve em direção ao triunfo da equipe e ao orgulho do torcedor.
Choravam em frente ao Beira-Rio testemunhas de uma história bela de identificação de um líder com um clube e sua torcida. A primeira Libertadores e o título mundial são as marcas do tempo de Fernandão, marcas que ele deixou na história de cada colorado.
Sábado pela manhã, contudo, não foram surpreendidos apenas os torcedores do Inter; ficaram entorpecidos esmeraldinos, tricolores e todos os admiradores do futebol e da inteligência de Fernandão. A manchete fez parar aqueles que estavam absortos na vida.
Alguns até lembraram que a vida é uma agitação feroz e sem finalidade.
Nessa falta de sentido, a lembrança talvez seja a grande conquista entre tantas perdas.




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