segunda-feira, junho 23, 2014

Meio do caminho

Metade dos jogos da Copa já foi disputada. Desses trinta e dois jogos e mais de noventa gols, surgiram as habituais surpresas e decepções.
Era sabido desde o sorteio das chaves que um campeão mundial não chegaria às oitavas. A obviedade se deduzia da configuração do grupo D (Uruguai, Inglaterra, Costa Rica e Itália).
Com duas rodadas da primeira fase disputadas, Inglaterra e Espanha esperam a definição entre Uruguai e Itália para a saída do primeiro comboio. Há, ainda, as famigeradas possibilidades matemáticas de Brasil, França e Alemanha não seguirem adiante. Nesse caso, o possível beira o improvável e, mais do que da lista de decepções, faria parte da relação de catástrofes futebolísticas.
Disso, tem-se que o único campeão que entra na terceira rodada já classificado é a Argentina. Messi não foi o jogador fantástico dos últimos tempos, mas foi determinante para os seis pontos conquistados.
Outros craques brilharam até agora (Robben, Van Persie, Benzema), mas apenas três foram decisivos, mesmo com rendimento aquém do habitual: Messi, Cristiano Ronaldo e Suárez. A atuação desses três mostra que um craque precisa de uma equipe; no entanto, o craque segue sendo a diferença entre um empate e uma vitória, uma derrota e um empate, a desilusão e a esperança.
Entre as surpresas, a inescapável Costa Rica. Num grupo de campeões decadentes, o selecionado tricolor não se intimidou e já se garantiu nas oitavas. Há, ainda, a boa atuação de Chile e Colômbia. Contando com o apoio de seus torcedores, os chilenos comprovam sua boa fase e a capacidade de Sampaoli; os colombianos, por sua vez, souberam suprir a ausência de Falcao, seu principal destaque.
Entre os classificados, a Bélgica ainda não encantou como preconizavam os experts, mas se garantiu num grupo equilibrado.
Falando em equilíbrio, o grupo G acabou por se revelar o chamado "grupo da morte". Na última rodada, todos têm chance: Portugal sofre com contusões, a Alemanha confia no conjunto, Gana poderia ter vencido suas duas partidas, os Estados Unidos confiam em sua melhor geração e na visão de Klinsmann.
Entre as decepções, destaque para a arbitragem. Os erros dos apitadores parecem não se ater à geografia e resultados são alterados por árbitros de todos os continentes. Por enquanto, a maior prejudicada foi a seleção da Bósnia, que chega à última rodada eliminada e com danos nas duas partidas anteriores.
O leitor mais atento perguntará: e a Espanha?
A Fúria, mais do que uma decepção, é uma tristeza. A tristeza de um time que não se encontrou e foi dominado por seus oponentes. Uma equipe que jogou apenas um tempo até aqui - o primeiro contra a Holanda. Os especialistas já enumeram as razões do fracasso espanhol; outros, mais agourentos, apontam o erro de quem apostava nos atuais campeões. Há gente que aguardava esse momento para maldizer o tiki-taka.
Envelhecimento, tédio, previsibilidade, falta de um atacante à altura... O motivo - ou a soma deles - não importa. Às treze horas, na bela Arena da Baixada, a tristeza tomará aqueles que admiraram o estilo de uma equipe que dominou o futebol nos últimos anos.
Com a melancolia da despedida do selecionado espanhol, apenas começará o desfile das emoções que preencherão essa última rodada classificatória. Alegria, raiva, decepção, tudo isso o futebol ainda guarda. E aguarda.

Nenhum comentário: