sábado, junho 28, 2014

tá tendo muita copa!

Que primeira fase espetacular! Isso nem os manifestantes anti-copa podem negar. Teve chuva de gols, craques em alta performance [mesmo depois de desgastante temporada], maioria dos times se propondo a jogar futebol e eliminação de favoritos, como Itália e Inglaterra pela Costa Rica e principalmente da atual campeã Espanha, essa talvez a grande questão da Copa no Brasil: teríamos chegado ao fim da era do tiki-taka?
Esquema moldado no Barcelona, baseado na manutenção da posse de bola por meio de sequências de passes curtos e aproximação entre os jogadores, o sistema foi adaptado com sucesso na Fúria [que tinha trocado o tradicional nome Fúria por Roja nessa fase de sucesso] primeiro por Aragonés e depois ainda melhor com Del Bosque. Também, pudera: Xavi, Iniesta, Pedro, Busquets e outros jogaram no Barça de Guardiola, onde desenvolveu-se o esquema. Mas faltava Messi e por isso criticava-se a Espanha por falta de agressividade. Faltava alguém que pegasse a bola e quebrasse a ciranda de passes para decidir num lance individual. Ainda que o esquema tenha rendido duas Champions League aos catalães e as Eurocopas de 2008 e 2012, além da maior glória na Copa de 2010 para a quase sempre coadjuvante Espanha, a recente derrocada do Barça [que cogita se desfazer de Xavi, homem símbolo do esquema] e a acachapante eliminação dessa Espanha sem vontade poderiam estar por enterrá-lo.
Paralelo ao crescimento do tiki-taka também avançou o 4-2-3-1, experimentado por Klinsmann e Löw na Alemanha que, apesar do 3º lugar foi o grande time do Mundial de 2006, o esquema foi se popularizando e é utilizado por pelo menos 2/3 das seleções de 2014. Tem como grande vantagem a opção por jogar com a posse de bola [como jogava a Alemanha] ou armando contra-ataques letais [como no Real Madrid que venceu La Décima].
Nesse cenário de ascensão do 4-2-3-1, poucas alternativas táticas, com surpresa para a própria Alemanha, que abriu mão de um centroavante, ensaiou um 4-3-2-1 mais seguro e um falso 9 [Thomas Müller, um dos artilheiros até aqui] se movimentando com Götze e Özil na frente. Com Schweisteiger baleado e Reus contundido, acabaram apostando em um meio de “três volantes”, com Lahm, Khedira e Kroos.
Tirando os ferrolhos, só Chile e Holanda jogam com três zagueiros, mas com variações do meio pra frente. Discípulo de Bielsa, Sampaoli, técnico do Chile, trabalha com variações mais seguras do clássico 3-4-3 do louco argentino, hora se transformando num 3-5-2, hora num 5-4-1 [sem a bola]. Quando conta com Vidal, tem boa condução de bola e leva perigo. Quando tem Valdívia tem a possibilidade do inesperado, mas é presa mais fácil.
Já na Holanda Van Gaal surpreendeu a todos. Trocou o 4-3-3 holandês por excelência [e não me venham dizer que contra o Chile jogaram no 4-3-3, porque Kuyt foi um lateral, não um ponta] por um 5-3-2 ou, lendo-se com muito boa vontade, 3-4-1-2. Mais um zagueiro para dar estabilidade defensiva e liberdade ofensiva para as estrelas brilharem. Em partes tem funcionado. Robben é um dos melhores do torneio e Van Persie também começou muito bem. Sneijder é a grande dúvida e com a contusão de Van der Vaart não tem um substituto como opção criativa.
Porém, dos contundidos Van der Vaart está longe de ser quem mais faz falta à sua seleção. Quer dizer... Talvez os grandes desfalques por contusão da Copa sejam Falcão Garcia e Franck Ribéry. Porém seus times estão entre os melhores da competição, mesmo na ausência deles. Na França parece que, depois de experimentar Griezmann, Deschamps encontrou em Benzema aberto na esquerda [na posição de Ribéry] e Giroud como centroavante a opção mais forte. Valbuena em grande Copa fecha o trio de frente num 4-3-3 sem um armador de função. O meio com jogadores técnicos e de bom passe, mas com dinamismo e potencial de marcação [nas 3 posições se revezam Cabaye, Pogba, Sissokho e Matuidi, até aqui o melhor deles].
Já na Colômbia o argentino José Pekerman apostou na velocidade para substituir a presença de área de Falcão. A responsabilidade de James Rodríguez cresceu e o meia abraçou-a sem hesitar: está entre os melhores da competição e já tem 3 gols e 3 assistências.
Mas o caso de ausência mais comentado acabou sendo o de Luis Suárez. Fora da primeira rodada, ainda contundido, viu do banco a derrota do Uruguai para a Costa Rica, mas voltou a tempo de marcar os dois gols na vitória sobre a Inglaterra [que apesar de precocemente eliminada mostrou um futebol rápido e vistoso, time que joga e deixa jogar] e morder Chiellini no jogo que selou a classificação uruguaia e a eliminação italiana. Reincidente, suspenso por 9 jogos de competições FIFA e 4 meses dos gramados, a situação do atacante gerou a maior comoção da Copa até aqui. Mas ainda é só o começo.
Despontam como favoritos os já citados Alemanha, Holanda, França e Colômbia, além de Brasil e Argentina.
A Argentina ainda não mostrou muito do que tem, mas Lionel Messi já deixou claro que quer fazer história: marcou quatro dos seis gols argentinos, todos decisivos. Di Maria começou a jogar bem apenas na 3ª partida e seu crescimento impacta diretamente no crescimento do time. Com problemas pessoais, Agüero ainda não se encontrou e deve perder a posição para Lavezzi ou [eu prefiro] mais um meia para ajudar Di Maria na condução do time e criação de jogadas.
O Brasil, apesar da torcida, pouco empolgou na 1ª fase e tem hoje mais dúvidas do que no início do torneio. Paulinho, outrora dínamo do meio campo, hoje parece desconfortável. Fred pouco se apresenta para o jogo e sequer se movimenta. Hulk e Oscar não apresentaram mais que lampejos [lembrando que a grande atuação de Oscar foi contra a Croácia, mais pelo combate e pelos vários desarmes que pela criação de jogadas ou até pelo belo gol]. Até mesmo a “super-sólida” defesa tomou gol de Camarões [um dos piores times que aqui estiveram] e passou alguns apuros na avenida Daniel Alves. Neymar Jr é quem chama a responsabilidade, pede a bola e busca o gol. Já marcou quatro, é um dos artilheiros e carrega nas chuteiras coloridas a esperança da nação.
Outro time aguardado, “a melhor geração belga”, passou sem sobressaltos, mas num grupo fácil, sequer foi testada.
Cristiano Ronaldo chegou como melhor do mundo e fez o que pôde, desgastado que estava pela dura temporada, mas Portugal fica pelo caminho num grupo dificílimo.

Agora vamos para os mata-matas e o sucesso ou fracasso pode ser decidido em um lance de sorte. Se os craques continuarem brilhando assim, vença quem vença, a sorte é nossa.

Um comentário:

cesare disse...

desculpa o texto longo, é que tava empolgante lembrar dessas semanas de ótimo futebol!