quarta-feira, julho 02, 2014

Futuro do Pretérito



A cada jogo eliminatório, duas histórias se encaminham.
De um lado, prossegue a trajetória de quem pode vir a ser campeão. Na expressão da moda, mais um degrau é escalado rumo ao título.
Ao mesmo tempo, um percurso é interrompido. Para completar a história, recorremos quase sempre às hipóteses. O famoso "se" ressoa insistentemente na cabeça de quem testemunhou a história mas não se satisfez com ela. Um pênalti, uma arremate na trave, uma expulsão, tudo se embaralha na mistura que se faz entre lembrança, fantasia e frustração.
Em algumas das partidas disputadas na primeira fase, o resultado se construiu nos últimos instantes, carregando de êxtase e decepção cada uma das partes envolvidas. Como exemplo, os embates Grécia x Costa do Marfim e Estados Unidos x Portugal.
Nas oitavas-de-final, entretanto, o suspense atingiu níveis hitchcockianos. Excetuando Colômbia x Uruguai, todas as partes tiveram carga de tensão dignas de... Copa do Mundo. Sim, pois diversas vezes um jogo de Copa não merece a etiqueta, e essas oitavas fizeram jus à mística e às especulações.
O fluir do tempo e do jogo não nos deixa muita oportunidade para romancear um futuro do pretérito. As quartas-de-final já batem à porta e prometem dividir mais oito trajetórias. Quatro delas seguirão sua escalada, outras tantas se destinarão ao escaninho dos livros inacabados. Quando vier a calmaria, serão elaboradas dezenas de narrativas fantasiosas e depressivas. Elas se juntarão a alguns clássicos de nossa imaginação. Conviverão, por exemplo, com o pênalti de Zico, a trave de Carlos, a cabeçada de Careca.

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