domingo, agosto 17, 2014

Caminhos e Pedras

Com o início da temporada europeia, o torcedor brasileiro se depara com o conhecido abismo que separa o futebol jogado dos dois lados do Atlântico.
É dado óbvio que as equipes daqui ainda têm um longo caminho a percorrer para que atinjam o patamar técnico das principais forças do Velho Continente. O torcedor tem sua cota de depressão garantida ao comparar os atletas de Real, Barça, Bayer e PSG com seus colegas de profissão atuando nos grandes clubes brasileiros.
Cristiano Ronaldo, Messi, Lahm, Ibrahimovic e Neuer não encontram similares nestas terras. Não por acaso, são jogadores dos clubes mais ricos do mundo. Entretanto, as agremiações daqui não perdem apenas quando disputam com as maiores ligas: Júlio César vai para o Benfica, Diego foi para o Fenerbahçe, Saviola preferiu conhecer a Grécia e Riquelme estreou pelo Argentinos Juniors. O fato de o Brasileirão estar entre os campeonatos mais valiosos do mundo não foi suficente para contratar tais jogadores. Ou para convencê-los.
Diferenças de talentos à parte, o aficionado daqui pode refletir também sobre qual modelo de futebol quer: a polarização espanhola, que tem seus principais clubes investigados por recebimento de dinheiro público; a disputa italiana em que três se alternam no topo enquanto denúncias de manipulação surgem de tempos em tempos; o sucesso de público do campeonato alemão, que é usualmente vencido por um clube hegemônico cujo presidente foi preso por evasão fiscal; o enriquecimento dos times com o dinheiro de bilionários como na França e na Inglaterra.
Obviamente, os erros alheios não merecem imitação; mas, dentre todos os caminhos tortuosos, qual seria o melhor para tentar se endireitar por aqui? Que pedra é mais facilmente retirada?

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