domingo, maio 08, 2016

Sem opção

O desenlace dos estaduais, o título do Leicester, a reedição da final madrilenha, a convocação da seleção, a redução da representação brasileira na Libertadores a dois times que se eliminarão, muita coisa aconteceu no noticiário futebolístico nesta semana que veio do Dia do Trabalho e chegou ao Dia das Mães.
Contudo, é bem provável que o fato mais relevante para os brasileiros fãs de futebol tenha ocorrido distante dos gramados. Trata-se do anúncio de que a Bandeirantes não transmitirá os jogos do Brasileirão deste ano.
Ainda que a audiência majoritária seja da Rede Globo e que as transmissões da emissora paulista não sejam das melhores, a existência de uma alternativa sempre foi benéfica para o torcedor. Os motivos podem ser variados: jogos diferentes em cada canal, fugir de um comentarista ou locutor, prestigiar um comentarista ou locutor, a qualidade da imagem, a programação anterior ou posterior à partida.
É bem verdade que há tempos que as transmissões da Band não são bem acabadas. O primeiro sinal disso é a ausência de narradores e comentaristas dos estádios, relatando a partida do estúdio. Além disso, a morte de Luciano do Valle atingiu fortemente a qualidade do "produto". Por outro lado, dentro de suas limitações, a emissora paulista faz um sistema interessante em que partidas e programas esportivos alimentam uns a audiência de outros.
Mais importante, sem dúvida, é o contraponto que a concorrente/parceira representa à versão "oficial" da Globo. Mesmo que Milton Leite assuma a transmissão de todas as partidas, sua versão globalizada está longe da espontaneidade que o caracterizava na ESPN. O chamado "padrão Globo" não permitirá narrações mais lúdicas como a de Téo José - Silvio Luiz é uma ousadia impensável mesmo para a Band hoje. Mais do que isso, a existência de uma única opinião sobre os lances capitais de um embate será a regra.
A saída da Band evidenciou outro problema: não há candidatos aptos a exercer a posição de coadjuvante, seja pelas condições técnicas ou pelo poderio financeiro.
Por mais que a qualidade das partidas não justifique o uso da palavra espetáculo, a redução a uma única voz a relatar o futebol brasileiro cria uma situação preocupante: ao torcedor brasileiro, haverá mais possibilidades para acompanhar os campeonatos europeus do que o brasileiro e, ainda, torna-se mais fácil seguir uma equipe média de um país europeu do que a de um time grande daqui. Há sempre a opção pelos pacotes de pay-per-view, o que ao fim se revela apenas como o prolongamento da falta de escolha.
É possível que diante de suas opções, o torcedor se refugie ao velho rádio e apenas confira os lances importantes na internet.

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