domingo, dezembro 04, 2016

Tristezas e Refrões



Hoje não tem futebol. Todos sabem e sentem.
A tragédia ocorrida nesta semana liberou em cada um o choro contido nas derrotas rotineiras , trouxe à memória as imagens de outros acidentes, despertou os especialistas em quase tudo, agora dedicados aos detalhes aeronáuticos.
A comoção evidenciou também que, mesmo num momento de imensa tristeza, o futebol brasileiro não tem quem o represente. Por outro lado, houve manifestações que provam que a solidariedade está acima de cores e distintivos e que torcedores e jogadores se distanciam da mesquinhez dos cartolas.
Se o mundo é cada vez mais uma aldeia global, o futebol é um círculo ainda menor em que as personagens se cruzam. Levantamento do Trivela estima em cento e vinte as agremiações que têm ligação com os futebolistas mortos na Colômbia. Para ter ideia de como esses caminhos se cruzam, basta lembrar as camisas que o capitão Cléber Santana defendeu. Além disso, o torcedor tinha como próximos os profissionais que levavam até a ele as emoções do esporte. Gente como Deva Pascovici e Mário Sérgio
.
Em cada uma das cento e vinte camisas, os atletas da Chapecoense atuaram com e contra centenas de outros jogadores, fazendo com que praticamente não haja graus de separação entre as vítimas e qualquer outro futebolista do planeta.
Assim, não é de espantar que surjam homenagens em quase todos os campos: do San Lorenzo, da Juventus, do Steaua Bucareste, do River Plate, do Táchira do Colo-Colo. Enfim, se não bastassem os principais campos do mundo, até as quadras mais importantes se uniram no momento de pranto.
Para preencher o vazio deixado pelo futebol, a saída é recorrer a outras fontes de emoção. A música, por exemplo. Escutar velhos ou novos discos é sempre uma opção. Uma boa novidade é o recente trabalho de Edvaldo Santana, Só vou chegar mais tarde. Nele, um tributo alegre e cheio de ginga faz lembrar que cinco anos atrás, num domingo, o futebol brasileiro acordava triste e terminava seu campeonato com homenagens e silêncio.
A vida é um grande refrão.


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