Quase não rola a cobertura da final conforme tinha sido estabelecido ontem. Na véspera do feriado municipal, fui tomar uma cervejinha, que puxou outra e mais outra. O resultado foi que o relógio despertou às 9 da manhã e continuei na cama. Às 9 horas e 52 minutos, o Bigode me liga perguntando se ainda iria ao jogo. Não estava animado, mas o dever falou mais alto. A sorte é que o Comendador Souza fica perto de onde moro e onde o Bigode estava.
Não sei se foi a minha ressaquinha, mas achei o jogo bem ruinzinho. Teve hora que deu até pra observar as evoluções aéreas em conjunto destas três aves ai da foto, que tavam bem mais interessante que dentro de campo.
Talvez a garotada estivesse sentindo demais o peso da decisão, a notoriedade da circunstância. Mas a conjunção do futebolzinho feio jogado à vitória de um time do Sul me fez lembrar do Coritiba Campeão Brasileiro de 85. Tomara que o Figueira não siga os passos do Coxa e não faça do Título de hoje uma exceção.
Quanto à peleja propriamente dita, chegamos lá com os 15 do 1o tempo já passados. O placar marcava 0 a 0, mas a Torcida Malucos do Tigrão, a organizada do Rio Branco, não parava de cantar vamô virá e ô, vamô virá e ô. Só que o nada da equipe paulista atacar. Muito pelo contrário, os caipiras tomaram calor durante todo a primeira etapa.
Então, o placar é alterado lá pelos 30 do 1o tempo sem que as redes se balançassem. Eu e Bigode até brincamos que poderia ser uma pontuação dada ao Figueirense como prêmio pela maior disposição em atacar. Algo do gênero daqueles pontos da F1 por pole ou volta mais rápida. O cara responsável pelo placar tinha se esquecido de alterá-lo, pequeno detalhe.
Como não pagamos nada para entrar, nem dá pra reclamar muito também.
Final da Copinha de 95 é de triste lembrança (no Onde a Coruja Dorme há um triste inventário de Casos de morte por causa da violência no futebol). Muitos falaram que o jogos de graça propiciariam isso. Mas hoje rolou tudo tranqüilo. Os PMs tiveram até disposição para enquadrar os vendedores de amendoins alternativos. Meu estômago ainda não estava pronto, mas quase comprei um pouco de viagra natural.
A lei em ação foi lá pros 40 do 1o tempo e, dentro das quatro linhas, tudo na mesma -- Figueira no ataque e Tigrão na defesa. É claro que teve um ou outra bola mais perigosa dos garotos do Rio Branco. Mas não foi nada de mais não. O goleiro do Figueira não conseguiu fazer as belas defesas que fez na Semi desta vez.
Ainda no capítulo das curiosidades futebolísticas que rolam longe da bola, vi um fotógrafo com uma câmara daquelas com lentes telescópicas e um laptop ir pra perto do alambrado. O cara começou a usar o seu pc em cima da entrada do vestiário dos árbitros mesmo. Bigode me explicou que ele deveria estar a mandar as fotos do 1o tempo para o seu patrão. Nem assisto a esta edição do BBB, mas o Grande Irmão totalitário do Orwell pode pintar a qualquer momento, condições materiais já tem pelo menos. O policial se ligou que tirei uma foto dele. No segundo tempo, o pessoal do Rio Branco acordou e atacou o tempo todo. Não foi uma super pressão, mas teve até bola na trave.
Contudo, num contra-ataque, o Figueirense fez o segundo e acabou com a história. Os do Rio Branco não desanimaram da correria, mas dava pra ver que estavam sem cabeça. Não conseguiam dominar taticamente o adversário. Neste tento, o cara do placar tava esperto, mudou a placa na hora exata. Se bem que mandaram o cara ficar vendo o jogo lá de cima, não tinha como errar dessa vez.
No 2 a 0, o Alysson, o goleirão do Tigre tomou um franguinho. Mas o cara se recuperou ao defender uma penalidade máxima no último minuto! As grandes que se cuidem, mais uma gravação do Na Cal pra você:
Ao deixar o estádio, recebo esta propaganda: São grandes a chances de um ou dois sidartinhas crescerem por aqui e quem sabe eles não garantem uma velhice confortável para mim. Numas até paro de criticar e só elogiarei, se pagarem bem pra eles.
Amanhã vou ao Nicolau Alayon, o estádio do Nacional que eu sempre conheci por Comendador Sousa, nome da rua, apreciar a final da Copa São Paulo de Futebol Júnior. Não vou viajar neste feriado paulistano, amanhã será o 454o aniversário da fundação da Vila de São Paulo de Piratininga, e prestarei minha homenagem à ex-terra da garôa com a minha ida à partida.
Não terei vídeos, acho, mas fotos e relatos da final haverão.
Quanto à peleja em si, torço pelo time paulista. Mas, na real, não acompanhei as equipes e não faço a mínima idéia de como estão a jogar neste janeiro.
Mas sei que ambos os times gostam de investir nas suas categorias de base. O Rio Branco, um pouco mais que o Figueira, vive de vender os seus garotos (bem acabados exportadores de pé-de-obra, como bem disse o Kfouri).
Mas não tem jeito, enquanto a CBF, FPF e congêneres não venderem bem os nossos Campeonatos, os clubes viverão de exportar as riquezas brasileiras. Contudo, há que se notar a coerência dessas instituições com a história e o presente econômico brasileiro. O quê mudou da cana-de-açucar da época em que São Paulo foi fundada à soja de hoje em dia?
Bem, de volta ao jogo, essa partida marca o final efetivo das minhas férias. Como namoro, meu ano não começará depois do carnaval. Aliás, nem me lembro direito o quê que se passa nessa festa popular, nunca fui muito apegado ao universo na música mesmo. Não tenho tal do ouvido musical.
Ontem, eu vi o finalzinho da derrota do São Paulo para o Figueirense lá no centro, onde a urbe aniversariante foi fundada. O garçon sãopaulino estava puto da vida com o futebol que mulecada apresentou. Também não pude deixar de notar, acompanhando o garçon, o exagero dos 5 ou 4 minutos de acréscimo. O juizão tá fazendo qualquer coisa pro São Paulo se classificar! Disse ele.
A virada que o Tricolor deu no São Bernardo gastou toda a sorte da equipe. Três gols após os 45 do segundo tempo foi muito até pro futebol júnior.