Mostrando postagens com marcador Fórmula 1. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Fórmula 1. Mostrar todas as postagens

domingo, agosto 01, 2010

Os cavaleiros e os donos dos cavalos

Este espaço nunca refletiu muito sobre a Fórmula 1.

Talvez porque, na palavra de Sidarta, o Editor, "corrida de carro é um saco".

Particularmente já gostei mais do espetáculo. E antes que alguém especule: não parei de ver corrida com a morte de Senna. Não sou da turma dos idólatras, dos que participam de sua canonização global. Embora tenha se tornado um tabuísmo, não concordo com a etiqueta de "maior piloto de todos os tempos" posta e imposta.

Senna está no mesmo nível dos outros tricampeões e de alguns bicampeões, como Hill e Fittipaldi.

Acima desse grupo, estão Prost, Fangio e Schumacher.

O alemão, aliás, disputou com Senna por pouco tempo. O suficiente para mostrar que estava no fim a era dos campeões-rivais (Senna, Piquet e Prost), que de 81 a 93 só deram espaço para Lauda, Rosberg e Mansell. 

Em 88, Prost fez mais pontos, mas as regras de descartes deram o campeonato a Senna.

Fundamental na conquista dos campeonatos seguintes foi Berger. Em 90 e 91, o austríaco fez o que se esperava de um escudeiro e protegeu Senna como pôde. 

E aí, chegamos a Massa. Numa equipe em que seu companheiro é um bicampeão, parece claro que seu papel é o de segundo piloto. Papel ainda mais nítido, quando são analisadas as chances de conquista de cada um.

Para a equipe, especialmente a Ferrari, o título vale independente do piloto, que é, cada vez mais, um mero jóquei do cavalo rompante. Mas há os jóqueis que ganham e os que reclamam, os que sabem ser os melhores, e os que se enganam dizendo estar no mesmo nível.

Definitivamente, o automobilismo não é um esporte. É um brinquedo de milionários, um programa dominical de magnatas barulhento e poluente, transmitido via satélite. Querer ver esportividade ou nacionalismo nesse cenário é utopia. O tempo da cortesia entre os cavaleiros, se existiu, já acabou. Quem decide é o dono dos cavalos.


domingo, setembro 14, 2008

O custo de um gênio

Nos depoimentos de Pepe, há um em que ele afirma que Pelé recebia pelos amistosos do Santos pelo mundo mais do que todo o resto do time.
Parece natural que a estrela ganhe mais do que os simples jogadores.
Mas ter um fenômeno, um fora-de-série, tem outros custos.
O gênio funciona, às vezes, como uma grande árvore que rouba sol e água das outras. Sua excelência ofusca grandes talentos. É preciso, então, criar estratégias para a sobrevivência dos outros.
Diz a lenda, e como lenda não dá para provar, que o fim dos pontos corridos na década de setenta foi devido ao predomínio do Santos. Uma medida que, no fim da carreira de Pelé, tentava equilibrar um desequilíbrio que o tempo já estava tratando de consertar.
Algo parecido acontece na Fórmula 1. As inovações no regulamento nos últimos anos tentavam evitar um vantagem que naturalmente acabaria. Schumacher evitara um tricampeonato de Mika Hakkinen para encadear uma íncrivel série de cinco títulos.
Mas a evolução tecnológica, o fim da carreira do alemão e o surgimento de Alonso se aliaram a mudanças no regulamento para trazer "alguma graça" ao campeonato.
Os detratores de Schumacher dizem que ele era beneficiado pela equipe e que não tinha adversários.
As estratégias da Ferrari foram inteligentes e evitaram repetir erros da Williams dos anos 80 que, por brigas de seus pilotos, entregaram o título a Prost.
Quanto aos adversários, estavam lá: de Hakkinen a Alonso. Mas dependiam muito do azar ou dos erros escassos do alemão.
A saída faz a atenção se voltar para uma nova safra. Pilotos taltentosos como sempre houve. Três ou quatro que são arrojados, inteligentes, rápidos.
Por enquanto, nenhum gênio. O que talvez seja bom.


Escrevo esta semana sobre Ensaio sobre a Cegueira, leia lá.

domingo, agosto 26, 2007

É do Brasil!

Prepare o seu coração! E outras partes mais baixas também!
Com um campeonato sem grandes craques e uma seleção modorrenta, Galvão Bueno parece já ter escolhido sua nova bandeira.
Quem viu o final da corrida de hoje percebeu. A eloqüência e o ufanismo com que GB saudou a vitória de Massa beiraram a histeria do "É tetra!".
Menos mal que Massa está mais para Piquet do que para Senna; logo, menos afeito a pousar de bom moço. Tampouco há espaço para bonzinhos no ninho das quatro cobras.
Se bem que o rapaz andou saindo até na Caras. Ai, ai, ai, assim desanda...
Num campeonato em que quem sai na pole vence (exceção ao próprio Massa), Galvão já deveria prever a vitória. Mas deu dramaticidade ao feito e mandou tocar o Tema da Vitória como se não estivesse tudo preparado.
Monopólio é isso, torcida brasileira!
Mas poderia ser pior. Poderia ser o Popó Bueno. Então, escutaríamos: "É do Galvão!"