sexta-feira, agosto 04, 2006

Avenida 13 no Número 261

Nesse endereço, em Rio Claro, eu morei desde quando me lembro até os 19 anos. Foi bastante tempo, aconteceu muita coisa lá. Foi uma casa interessante para mim; tinha porão, árvores boas para subir, um quintal razoável para brincar. Mas não havia espaço para jogar bola com meu irmão e nossos amigos.

A rua, avenida, era o espaço adequado para jogar bola dos meus 6 ou 7 anos até os 13. Minha mãe plantou duas árvores na frente da casa que serviam de gol. Elas ainda estão lá e distam uns 3 ou 4 metros um da outra, era um gol bem grande que facilitava muito a nossa vida. Obviamente, também jogavamos com gols de tijolos ou latas, mas, para mim, os chutes no gol único de frente de casa foram mais marcantes. Eram dois times e um goleiro independente, não jogava para nenhum dos lados e deveria defender os ataques das duas equipes. Resultado, ninguém queria ser goleiro.

Tinham algumas peculiaridades naquele “campo”: se a bola rasteira batesse na sargeta e não entrasse não era gol; na calçada do outro lado da rua tinha um arbusto que ajudava muito na hora de driblar; e, os dois perigos da rua a janela da Dona Lôla e o portão de garagem do Seu Amadeu.

Era um desafio para os moleques fazer com que a bola nunca fosse bater na janela da casa da Senhora Lôla (cujo o nome eu nunca soube). Ela reclamava com meus pais que pediam para que eu não jogasse lá. Ficava meio responsável por seu mais velho. Já o Seu Amadeu tinha em sua casa uma criação de canários que ficava na sua garagem. Este centro de gaiolas era guarnecido por um portão de ferro que fazia um barulho enorme sempre que uma bola não ia em direção ao gol.

Pensem assim, para o moleque que está de frente para o gol havia dois perigos: a janela do lado esquerdo e o portão do lado direito. Não ficavam encostadinhos às traves, mas eram desafios para nós.

Ia me esquecendo dos carros. Não era uma rua sossegada no final, quanto tinha 13 anos. No começo era bem mais calma. As vezes, quando passava um carro, nós gostavamos de fazer o veículo se integrar ao jogo. Eles faziam as vezes de barreiras. Não me lembro de ter tido algum grande e marcante problema com carros que chutei por cima. É claro que alguém deve ter acertado a bola num ou noutro.

Independentemente do aumento do trânsito, minha casa ficava no caminho do velório da cidade para os cemitérios. Muitas vezes, havia um intervalo forçado em virtude dos vários carros que passavam em fila.

Abraços,