sábado, maio 27, 2017

Gírias de Futebol - sites interessantes

Para colocar na praça o podcast bendball sobre futebol brasileiro em inglês, fui atrás das gírias do futebol.

Uma seção do semanal que farei será sobre os jargões utilizados pelos boleiros aqui no Brasil.

Gostei dos seguintes:

19 EXPRESSÕES QUE SÓ QUEM É MUITO BOLEIRO ENTENDE

GÍRIAS DAS TORCIDAS ORGANIZADAS

Futebol brasileiro, gíria e frases feitas

Gírias do futebol de A a Z

Abraços,

sexta-feira, março 17, 2017

Navegando pela língua do Soccer

É impressionante ver como a língua inglesa faz com que a gente enxergue muito, muito mais longe. No futebol, é o mesmo. Os gols do Mundo todo são narrados em inglês.

Mudei meus gostos, agora acompanho o futebol lá de fora; antes preferia ficar só por aqui no Brasil mesmo. E não dá para olhar bem lá fora sem o inglês.

Por isso, vou fazendo aqui meu glossário com as principais expressões e palavras que aprendo nos podcast, vídeos e textos que escuto, vejo e leio.

As minhas fontes são:

Sport Illustrated - Planet Fútbol

ESPN FC - US Edition

Yahoo Sports Soccer



domingo, dezembro 04, 2016

Tristezas e Refrões



Hoje não tem futebol. Todos sabem e sentem.
A tragédia ocorrida nesta semana liberou em cada um o choro contido nas derrotas rotineiras , trouxe à memória as imagens de outros acidentes, despertou os especialistas em quase tudo, agora dedicados aos detalhes aeronáuticos.
A comoção evidenciou também que, mesmo num momento de imensa tristeza, o futebol brasileiro não tem quem o represente. Por outro lado, houve manifestações que provam que a solidariedade está acima de cores e distintivos e que torcedores e jogadores se distanciam da mesquinhez dos cartolas.
Se o mundo é cada vez mais uma aldeia global, o futebol é um círculo ainda menor em que as personagens se cruzam. Levantamento do Trivela estima em cento e vinte as agremiações que têm ligação com os futebolistas mortos na Colômbia. Para ter ideia de como esses caminhos se cruzam, basta lembrar as camisas que o capitão Cléber Santana defendeu. Além disso, o torcedor tinha como próximos os profissionais que levavam até a ele as emoções do esporte. Gente como Deva Pascovici e Mário Sérgio
.
Em cada uma das cento e vinte camisas, os atletas da Chapecoense atuaram com e contra centenas de outros jogadores, fazendo com que praticamente não haja graus de separação entre as vítimas e qualquer outro futebolista do planeta.
Assim, não é de espantar que surjam homenagens em quase todos os campos: do San Lorenzo, da Juventus, do Steaua Bucareste, do River Plate, do Táchira do Colo-Colo. Enfim, se não bastassem os principais campos do mundo, até as quadras mais importantes se uniram no momento de pranto.
Para preencher o vazio deixado pelo futebol, a saída é recorrer a outras fontes de emoção. A música, por exemplo. Escutar velhos ou novos discos é sempre uma opção. Uma boa novidade é o recente trabalho de Edvaldo Santana, Só vou chegar mais tarde. Nele, um tributo alegre e cheio de ginga faz lembrar que cinco anos atrás, num domingo, o futebol brasileiro acordava triste e terminava seu campeonato com homenagens e silêncio.
A vida é um grande refrão.


sábado, julho 09, 2016

A cidade do futebol

É sabido que o Brasil tem perdido a passos largos o título de país do futebol. Aos fracassos do escrete nacional, somam-se a pouca divulgação do campeonato nacional no exterior e as figuras pouco simpáticas de sua cartolagem.
Com isso, o espaço aberto é ocupado sucessivamente por vários candidatos: Alemanha, Espanha, Inglaterra.
Até mesmo a insuspeita Islândia ganhou destaque ao espantar o mundo com sua seleção se colocando entre as oito melhores da Europa.
Para eleger o novo país do futebol, cada torcedor pode escolher critérios diferentes: o profissionalismo e os títulos da Alemanha, as estrelas da Liga espanhola, o número de grandes equipes na Inglaterra, o potencial de mercado dos Estados Unidos. Trata-se, portanto, de um título à espera de um detentor indiscutível.
Mais difícil, entretanto, sempre foi a indicação de uma cidade do futebol. Mesmo em âmbito nacional, é difícil apontar uma capital: Rio de Janeiro, pelo Maracanã; Belo Horizonte e Porto Alegre, pelas rivalidades bipolares; São Paulo, por abarcar o trio de ferro e uma tríade de equipes menores, mas históricas; Florianópolis, pela constância nas principais divisões; Santos, por Pelé.
Projetada em escala mundial, a eleição aponta algumas candidatas óbvias: Milão, Madri, Buenos Aires, Londres, Paris, Munique, Barcelona.
Em tempos recentes, os destaques se dão pela presença de determinados atletas (trio MSN na Catalunha), pelo número de equipes (nas capitais inglesa e argentina), pela prevalência em seus domínios (Munique), pelo destaque de suas equipes (Madri), pelos eventos que sediam (Milão e Paris).
Para a próxima temporada, contudo, uma cidade pode se apresentar como favorita nas bolsas de apostas: Manchester.
Local de trabalho dos dois maiores treinadores da atualidade, Manchester tem todos os ingredientes para atrair a atenção de quem se interessa por futebol. E até de quem não se interessa.
Afinal, essa cidade de menos de meio milhão de habitantes apresentará para o mundo um conflito de personalidades que fez a cabeça de muitos fãs de futebol na última década.
E, para confirmar que brilho nunca é demais, o lado azul da cidade contará com o reforço do alemão Gündogan . Em contra-ataque rápido, o lado vermelho já conta com Ibrahimovic.
Vale conferir!

terça-feira, julho 05, 2016

A 13a Rodada do Brasileirão 2016 - Destaques

Nesta 13a do Brasileirão 2016, os destaques foram:

Os gols do Corinthians sobre o Flamengo e de Grêmio em Inter

Palmeiras líder no domingo e na segunda

Santa Cruz não é o Leicester brasileiro


Os gols do Corinthians sobre o Flamengo e de Grêmio em Inter

Nestes dois jogos, entraram em campo 5 Mundiais, 6 Libertadores e 16 Brasileiros; Grêmio com 1 Mundial, 2 Libertadores e 2 Brasileiros; Internacional com 1 Mundial, 2 Libertadores e 3 Brasileiros; Flamengo 1 Mundial, 1 Libertadores e 5 Brasileiros; e Corinthians com 2 Mundiais, 1 Libertadores e 6 Brasileiros.

Flamengo do Rio de Janeiro foi à Cidade de São Paulo e perdeu para o Corinthians por 4 a 0. São os times com as maiores torcidas do Brasil e sempre o Brasil comenta sobre seus jogos. Quatro gols não são comuns em jogos entre esses dois times e essa goleada foi a marca da rodada.

Em Porto Alegre, capital do Estado do Rio Grande do Sul, Internacional recebeu em seu estádio o grande rival - Grêmio. As partidas entre esses dois times são muito disputadas, e formam uma das maiores rivalidades do futebol brasileiro.

Perder para o grande rival é péssimo, perder em seu próprio estádio é inaceitável.


Palmeiras líder no domingo e na segunda

O time dos italianos de São Paulo tem grande torcida mas não tem uma fase com títulos desde os anos 90. Desde a Libertadores de 1999, foram crises, descensos e alguns títulos no Estadual e na Copa do Brasil.

Mas neste ano, o Palmeiras está bem até agora e seus torcedores estão recuperando o entusiasmo dos anos 90. O seu jogo foi na segunda, mais já era líder no domingo em função do saldo de gols. Como venceu, está isolado na liderança, três pontos na frente do Corinthians, o seu grande rival.


Santa Cruz não é o Leicester brasileiro

Santa Cruz de Recife é um time muito forte em seu estado Pernambuco, mas sem expressão no Brasileiro, sobe e desce entre a Série A e a B com frequência.

Nas primeiras rodadas do Brasileirão de 2016, Santa Cruz foi líder e esteve nas primeiras posições. Mas, agora, já é o penúltimo colocado, 13 jogos, 3 vitórias, 2 empates e 8 derrotas. Neste domingo, perdeu para o time de Garrincha, Botafogo, seguindo sua sina de subir e descer.

Abraços,


domingo, maio 08, 2016

Sem opção

O desenlace dos estaduais, o título do Leicester, a reedição da final madrilenha, a convocação da seleção, a redução da representação brasileira na Libertadores a dois times que se eliminarão, muita coisa aconteceu no noticiário futebolístico nesta semana que veio do Dia do Trabalho e chegou ao Dia das Mães.
Contudo, é bem provável que o fato mais relevante para os brasileiros fãs de futebol tenha ocorrido distante dos gramados. Trata-se do anúncio de que a Bandeirantes não transmitirá os jogos do Brasileirão deste ano.
Ainda que a audiência majoritária seja da Rede Globo e que as transmissões da emissora paulista não sejam das melhores, a existência de uma alternativa sempre foi benéfica para o torcedor. Os motivos podem ser variados: jogos diferentes em cada canal, fugir de um comentarista ou locutor, prestigiar um comentarista ou locutor, a qualidade da imagem, a programação anterior ou posterior à partida.
É bem verdade que há tempos que as transmissões da Band não são bem acabadas. O primeiro sinal disso é a ausência de narradores e comentaristas dos estádios, relatando a partida do estúdio. Além disso, a morte de Luciano do Valle atingiu fortemente a qualidade do "produto". Por outro lado, dentro de suas limitações, a emissora paulista faz um sistema interessante em que partidas e programas esportivos alimentam uns a audiência de outros.
Mais importante, sem dúvida, é o contraponto que a concorrente/parceira representa à versão "oficial" da Globo. Mesmo que Milton Leite assuma a transmissão de todas as partidas, sua versão globalizada está longe da espontaneidade que o caracterizava na ESPN. O chamado "padrão Globo" não permitirá narrações mais lúdicas como a de Téo José - Silvio Luiz é uma ousadia impensável mesmo para a Band hoje. Mais do que isso, a existência de uma única opinião sobre os lances capitais de um embate será a regra.
A saída da Band evidenciou outro problema: não há candidatos aptos a exercer a posição de coadjuvante, seja pelas condições técnicas ou pelo poderio financeiro.
Por mais que a qualidade das partidas não justifique o uso da palavra espetáculo, a redução a uma única voz a relatar o futebol brasileiro cria uma situação preocupante: ao torcedor brasileiro, haverá mais possibilidades para acompanhar os campeonatos europeus do que o brasileiro e, ainda, torna-se mais fácil seguir uma equipe média de um país europeu do que a de um time grande daqui. Há sempre a opção pelos pacotes de pay-per-view, o que ao fim se revela apenas como o prolongamento da falta de escolha.
É possível que diante de suas opções, o torcedor se refugie ao velho rádio e apenas confira os lances importantes na internet.

terça-feira, abril 05, 2016

English Through Football - Podcast de Futebol Inglês

Liberalismo, Londres, o Reino Unido, Casa de Windsor e tantas outras cousas da Inglaterra podem passar, mas a língua inglesa e futebol podem ser mais difícil de irem embora.

Para melhorar meu inglês, frequento alguns podcasts.

O que apresento hoje é o: English Through Football

A proposta deles é: helps students interested in football improve their English language skills

Que você pode achar no: iTunesAndroidE-mail e RSS

Tem uma boa mistura entre comentários sobre o que está acontecendo agora no futebol e a apresentação das expressões e vocabulários utilizados neste meio social.

O dicionário é muito bom: Football Language Glossary

Um termo interessante é Bragging Rights.

This noun phrase is often used in derby games, or big matches between rivals. To brag means to boast, to be proud of something and tell people about it. A right is something you deserve either by law or by your performance in some task. Added together this phrase means the fans of the winning team will have bragging rights – they will be able to boast that their team is the best, their team defeated their rivals.

Elegantemente, seria o direito do torcedor vangloriar seu time perante os dos outros.

Mas pode ser o usual zoar o amigo torcedor do outro time também. No final de semana passado, no Paulista, tivemos um tradicional bragging rights:



domingo, março 27, 2016

Cruyff, Scott-Heron, Revoluções

Um exercício que gosto de praticar em meus momentos de ócio é o de comparar trajetórias. Gosto de pegar duas personagens (ou duas personalidades) e confrontar similitudes e divergências em seus caminhos, suas encruzilhadas, seus legados.
Por vezes, essa brincadeira toma dois exemplares parecidíssimos e acrescenta apenas mais um exame a muitos já realizados. Por exemplo: Bob Dylan e Belchior, Woody Allen e Domingos de Oliveira, Riquelme e Rivaldo.
Noutras tantas ocasiões, são colocadas lado a lado as histórias de gente de áreas e/ou épocas diferentes. Nisso, surgem algumas aproximações pouco frequentes. Exemplos são os pareamentos entre ídolos do esporte e da música (Paulinho da Viola e Ademir, Denner e Tom Jobim), figuras mitológicas e cânones modernos (Futebolístico, Musical) ou entre profissões (escritores e esportistas).
Nos meus devaneios, já elaborei muitos textos que nunca escrevi. É possível que nunca vejam o papel as linhas que imaginei unindo Gonzaguinha e Sócrates, Noel Rosa e Tostão, os reis Roberto e Pelé.
Cruyff sempre se mostrou uma figura arredia à aproximação. Sua figura de êxito em diversas funções no futebol prejudicam a tentativa de pareá-lo com Guardiola e Telê (pois foi um jogador muito maior do que eles) ou com Zico e Platini (por ter sido um treinador muito mais impactante na história do futebol). É possível que alguém proponha as similitudes com Beckenbauer, mas me parece um pouco despropositado realizar um cotejo entre Der Kaiser e El Flaco.
De repente, contudo, o acaso tratou de providenciar um paralelo. Enquanto eu lia alguns dos muitos textos tratando da trajetória do camisa 14, começou a tocar no computador The Revolution Will Not Be Televised.
Não era a primeira vez que eu ouvia o poema de Gil Scott-Heron, tampouco a minha estreia em leituras sobre Cruyff. Era, com certeza, a primeira vez que fazia as duas coisas ao mesmo tempo. E, então, as intersecções pareceram óbvias.
A começar pelo título, pois não são poucos os que creditam a Cruyff o protagonismo num dos momentos mais importantes da história do futebol: o surgimento da Laranja Mecânica. A sua contribuição para o esporte é descrita como a grande revolução do futebol.
Curiosamente, essa revolução não foi acompanhada pelos fãs do futebol. Não neste lado do Atlântico, pelo menos. Zagallo, por exemplo, pagou por sua soberba. Também Pedro Rocha se espantou. Zico, por sua vez, foi informado por seu irmão, que morava em Portugal, e alimentou grande expectativa.
Cabem aqui duas breves digressões.
O epíteto Laranja Mecânica é, como todos sabem, devido ao sucesso do livro de Anthony Burgess, que originou o filme homônimo de Stanley Kubrick. Curiosamente, a palavra orange do título (A Clockwork Orange) carrega uma ambiguidade: se por um lado, faz referência direta à cor e à fruta, no livro carrega o sentido de homem, pessoa. Isso pode ser comprovado no glossário da gíria utilizada pelas personagens. Dessa forma, a laranja mecânica é o homem mecanizado. No ideário de Rinus Michels, entretanto, o que se procurava era justamente o contrário: jogadores inventivos e um futebol dinâmico e envolvente. Revolucionário, em resumo.
E, assim, abre-se outro parêntese, referente ao(s) significado(s) de revolução. Abordando o tema da revolta, a filósofa Julia Kristeva anota que dois deslocamentos semânticos marcam a evolução da palavra: um relacionado com a ideia de movimento, outro com a de tempo e espaço. No que diz respeito ao primeiro sentido, ela explica que o verbo latino volvere produz derivados com significado de curva, retorno, repetição, circunvolução, ou ação de cobrir e envolver. Ela ainda ressalta que hoje dificilmente atentamos para as ligações entre revolução e hélice, ou entre rebelar-se (se révolter) e remexer-se (se vautrer). Quanto à segunda acepção, Kristeva observa que o verbo revolvere propicia significados ligados ao campo intelectual (consultar, reler, contar) e que a palavra révolution aparece no francês no vocabulário específico da astronomia, desenvolvendo ao longo da história o sentido de mudança.
É possível, portanto, dizer que, em ínumeros sentidos, Cruyff participou de um movimento - e de um momento - revolucionário do futebol.
Fechado o parêntese, podemos voltar à aproximação de Gil Scott-Heron e Cruyff.
O poema The revolution will not be televised foi gravado pela primeira vez em 1970 no disco Small Talk at 125th and Lenox. Foi regravado para o álbum Pieces of a man, em 1971, e, por fim, deu nome a uma coletânea de 1974. A coincidência de datas é expressiva, pois foi neste intervalo de quatro anos que Cruyff se consagrou definitivamente como jogador (três vezes vencedor da Bola de Ouro e estrela da seleção holandesa na Copa da Alemanha).
Outro fato interessante é que as revoluções sem registro de Cruyff e Scott-Heron ocultam a história que possibilitou o surgimento de seus sucessores amplamente divulgados (o rap, o tiki-taka, o Dream Team, o acid jazz. Isso faz, ainda, com que a pesquisa sobre a história desses dois expoentes jogue luz sobre seus mais importantes predecessores (Langston Hughes, Miles Davis, Puskas, Michels ) e coetâneos (Brian Jackson, Neeskens).
Importantíssimo ponto de contato entre as duas trajetórias é encontrado no fato de ambos terem sido polivalentes em suas áreas. O futebol total foi praticado por Cruyff em diferentes papéis (jogador, treinador, dirigente, crítico); Scott-Heron desenvolveu sua arte como poeta, romancista, músico e compositor, e, além disso, desenvolveu estudos sobre o blues (ele se definia como bluesologist).
Entre os acasos da história, descobre-se que Scott-Heron era filho de um jogador de futebol. Seu pai, Gil Heron, chegou a jogar no Celtic (Escócia), tendo começado e encerrado a carreira no Detroit Corinthians. Cruyff, por sua vez, teve passagem pelo Los Angeles Aztecs e pelo Washington Diplomats.
Por fim, uma coincidência intrigante: o selo pelo qual Scott-Heron gravou seus primeiros discos se chama Flying Dutchman. Um dos apelidos de Cruyff era Holandês Voador.
Em seus retornos, curvas e voltas, a história vai redimensionando o tempo e o lugar das obras do Padrinho do Rap e do Filósofo do Gol.




quarta-feira, novembro 11, 2015

estrELAS

Aproveitando a repercussão causada pelo tema de redação proposto no Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), este é um bom momento para falar da participação da mulher no esporte brasileiro.

No esporte, as mulheres, infelizmente, não são maioria, ocupando um espaço reduzido no número de praticantes, sofrendo as habituais discriminações de gênero e a imputação de estereótipos. Muitas vezes, o rendimento esportivo é desconsiderado, e apelidos como os de “musas” e “rainhas” servem a outras conotações para além do domínio que exercem em suas modalidades. Em linhas gerais, à mulher não basta ser competitiva; para receber o destaque dos meio de comunicação, é preciso ser bonita e sexy.

Além da rotulação de sexo frágil e dos estereótipos mais diversos, é impossível não citar o baixo investimento voltado para o esporte feminino. As equipes de base femininas recebem sistematicamente menos recursos do que as masculinas, ainda que brilhem por aqui Sheilas, Martas e Fabianas.

Como exemplo do descaso, basta lembrar que recentemente o time feminino de basquete do Botafogo/RJ foi extinto, sob a alegação de que não era possível arcar com as despesas de manutenção. O valor total, é preciso  dizer, não passa de uma pequena fração do que é gasto com o time de futebol na segunda divisão do nacional.

O problema, contudo, não é só o Botafogo. Em sua maioria, os grandes clubes brasileiros não investem nos esportes femininos. Basta ver que a modalidade mais vitoriosa, o vôlei, não conta com nenhuma equipe dos grandes do futebol nacional.

Além disso, o destaque dado às competições se restringe às emissoras fechadas. Ora, com que frequência assistimos algum campeonato feminino de qualquer modalidade? E - é preciso repetir – contamos com Marta (indicada 12 vezes como melhor do mundo, ganhou por 5 vezes), Sheilas, Érikas...

Outro fato marcante é a diferença na recepção da derrota. Propomos ao leitor o exercício de lembrar o tratamento dispensado aos insucessos das equipes masculinas e compará-los com o número – e a qualidade – das críticas recebidas pelas mulheres.

Discriminação, baixo investimento e pouca cobertura da mídia, somados, colaboram com a exclusão da mulher no esporte. No entanto, apesar disso, elas seguem superando esses e outros obstáculos e alcançando destaque nas diversas competições.

A tabela ao lado registra a participação das atletas brasileiras em Olimpíadas. A primeira mulher brasileira a participar dos jogos foi a nadadora Maria Lenk, mas não conquistou medalha. Apenas em 1996, na Olímpiada de Atlanta, a mulher brasileira conquistou uma medalha, Jaqueline Silva e Sandra Pires ganharam a medalha de ouro numa final inédita entre duplas brasileiras. Só em 2008 que a tão desejada medalha de ouro feminina, em prova individual, foi conquistada, por Maurren Maggi no salto em distância.

A perspectiva positiva é a esperança de que esses números aumentem, não só em atletas que participam como em medalhas, pois contamos com atletas talentosas e determinadas em diversas modalidades


É preciso apoiar nossas atletas e aplaudir cada Fernanda, Paula ou Teliana que surja.


Assistam ao vídeo abaixo, vale a pena!




segunda-feira, setembro 21, 2015

Invictus Japonês

O dia 19/09/2015 certamente foi histórico para o Rugby e para o esporte: a seleção japonesa (13ª colocada no Ranking das seleções de Rugby) venceu a poderosa África do Sul (bicampeã e atual 3ª colocada no Ranking) por 34 a 32.

A vitória para os Springboks hoje era dada como certa, tendo em vista toda sua tradição e imponência. No entanto, a raça, a concentração e a determinação japonesas puseram por água abaixo toda a desconfiança.

O time sul-africano vencia a partida até os minutos finais, o Japão atacava e teve até a chance de empatar a partida com um penal que dava a eles a possibilidade de chutar entre os paus, mas, surpreendentemente, abriu mão, queriam a vitória.

A bravura japonesa foi recompensada, na jogada final da partida, o jogador Hesketh converteu um try (5 pontos) decretando a vitória para os japoneses (Goromaru errou o chute de conversão, mas a vitória já estava decretada).

A superação japonesa deixa um marco na história do esporte, da mesma forma que os Sprinkboks fizeram em 1995 quando venceram os All Blacks na copa do mundo, trazida no filme Invictus (2009 de direção de Clint Eastwood). Será q os japoneses assistiram ao filme na concentração?

domingo, agosto 30, 2015

Hornby e os lanternas

Em Febre de Bola, Nick Hornby construiu uma das histórias mais interessantes sobre o futebol.
O recurso usado pelo escritor inglês foi o de sincronizar duas narrativas paralelas: a de um torcedor e a de seu time. Há praticamente uma relação de causa e efeito - ou de dependência, se preferirem - entre a vida do narrador e a história do Arsenal: quando um vai bem, o outro segue; quando um está mal, os dois estão.
Febre de Bola é a execução literária de velho chavões como a arte imita a vida ou quando a fase é ruim, a bola não entra ou no futebol, como na vida. É um texto dinâmico e divertido. Hornby optou por uma sincronia nas fases da vida do torcedor e do Arsenal, como se ambos tivessem nascidos sob o mesmo signo. Há, é certo, outras formas para essa relação se exprimir: a fase boa do time conforta a pessoa num momento difícil, o momento bom da vida faz o torcedor ignorar a escassez de êxitos de seu time e, a mais frequente, ambos vivem temporadas medíocres, sem grandes ápices ou abismos.
Lembrei do livro de Hornby ao acompanhar os jogos de ontem. Coincidentemente, os lanternas das principais divisões brasileiras jogaram ontem: Vasco, Ceará e Mogi-Mirim. É de se esperar que nenhum torcedor viva um período semelhante ao atualmente suportado por esses times.
Comecemos pelo Sapão.
Jogando em casa, contra um Bahia repleto de figuras conhecidas (Kieza, Thiago Real, Max Bianccuchi), o Mogi jogou sem Rivaldo e Rivaldinho (um aposentado, outro transferido). Em partida movimentada, o time da casa pressionou o Bahia e viu Mateus Ortigoza abrir o placar aos 15 da etapa final.
Ortigoza seria o herói da partida, não fossem as três oportunidades que teve e não converteu. Elas pesaram mais quando Kieza empatou. Era noite de sábado e boa parte dos 680 pagantes saiu descontente do Romildão: o Mogi-Mirim está na vice-lanterna.
O Sapão trocou de posição com o Ceará. Num jogo em que houve duas viradas, gol de goleiro e substituição de árbitro, o Ceará perdeu por 3 a 2 e agora é o último colocado.
Não há como negar, entretanto, que a jornada que teve contornos mais dramáticos foi a do Vasco da Gama.
A manchete do sítio Trivela resume bem: Mesmo vendo, não deu para acreditar que o Vasco perdeu com um gol no último lance.
Todas as chances do Vasco esbarraram no goleiro do Figueirense. Muralha, o nome dele. O golpe, contudo, sempre pode ser mais doído. E quando um ponto pelo empate era a conta com que o torcedor se conformava, Marcão repetiu o que fizera pela Copa do Brasil contra o Atlético Mineiro: um gol seu nos últimos segundos derrubou mais um grande do futebol brasileiro.
É principalmente pelo tamanho e tradição do Vasco que sua fase amarga causa ainda mais espanto: em 21 jogos, treze pontos e oito gols. O Vasco segue sendo o Gigante da Colina; muito maior, sem dúvida, é sua dificuldade. Superará? Ou o descenso quase certo será agravado por um ano de 2016 ainda pior? É coisa que o futuro dirá.
A sabedoria popular diz que tudo é questão de fases.
Hornby sabe bem disso





quarta-feira, agosto 19, 2015

FUTEBOL: UM ESPORTE FORA DA LEI

O assunto que tratarei é algo passado, presente e que com certeza veremos no futuro: a arbitragem no futebol.

Todo ano os noticiários esportivos tratam das polêmicas envolvendo a arbitragem, sejam elas de expulsões; pênaltis marcados, ou não marcados, gols anulados etc... Tudo isso aparenta ser um problema de difícil solução, beirando o impossível, mas que na verdade é algo simples: A TECNOLOGIA.

Ora, todos os esportes coletivos (rugby, futebol americano, basket, vôlei) aderiram ao uso de tecnologia para o auxílio de um resultado justo e com a finalidade de evitar problemas de arbitragem.

A título de exemplo: no decorrer de um jogo, se há algum lance que gera dúvida, a partida é paralisada para análise, após a decisão a partida é retomada. Assim, suponhamos que um gol é anulado, mas a equipe insiste em dizer que o gol é legítimo, os árbitros analisam e decidem se o gol é válido ou não. Pronto!

 MAS...

 Como o futebol é marcado por “falcatruas” e “tentativas de indução ao resultado”, seria comum que as equipes solicitassem de minuto em minuto análises de todos os lances. Por isso, o ideal seria que um número de “desafios” (denominação dada no vôlei e no tênis) fosse dada: 3 ou 5 desafios por tempo, por exemplo.

Anualmente surgem teorias que buscam provar que time X ou Y está sendo favorecido, com a adoção da tecnologia, apenas uma pessoa será: o TORCEDOR. Por que, apenas o futebol dentre tantos esportes insiste em não adotar a tecnologia?

Uma resposta comum dada a esse questionamento é a de que isso acabaria com o “charme” do futebol. Ora, isso é o mesmo que dizer que prender corruptos no Brasil acabaria com o charme do país, pois não teríamos mais discussão política.
Se o futebol precisa de erros de arbitragem para ter charme, que maravilha de esporte hein? Tal mentalidade fraca e retrógada não é desculpa.


O futebol precisa, pra ontem, de uma mudança em alguns conceitos e regras, não importa o que digam alguns “contra o futebol moderno” (seja lá o que isso significa).