terça-feira, dezembro 12, 2006

Rua

Na minha rua, havia um menino muito bom de bola. Não havia quem parasse seus dribles. Nem os moleques mais velhos.
A mãe ficava preocupada: “Não quer saber de estudos. É bola pra lá, é bola pra cá.”
De fato, a gorducha era sua melhor amiga. Estavam juntos no campo, na quadra, na rua, na chuva.
Quando ele tinha quinze anos, o pai morreu e ele teve que trabalhar. O tio arranjou uma vaga de contínuo no banco.
Ainda hoje, vi o sujeito no caixa: gordo, alguns cabelos brancos, outros perdidos. Ele me reconheceu e falamos da meninice e de futebol.
A minha rua não é das mais originais.