terça-feira, janeiro 30, 2007

Triste crônica do jornalismo esportivo

No último dia 25, o LANCE publicou uma entrevista com Tostão. Era uma homenagem aos sessenta anos do jogador. Não havia depoimentos, bastava a fala do aniversariante. Como sempre, Tostão se mostrou uma pessoa equilibrada. Tratou a efeméride como apenas mais um aniversário. Falou sobre grandes jogadores e fugiu de qualquer tentativa de ser estrela. Uma entrevista clara e tímida. Um diálogo mineiro, enfim.
Mas o que me leva a escrever estas linhas não é a singela página dedicada ao tricampeão. Incomodou-me o fato de que, alguns dias antes (creio que no dia 14), o mesmo diário tenha destinado quatro (!) de suas páginas para saudar os oitenta anos de Armando Nogueira.
Para comparação, basta dizer que o Corinthians foi agraciado na edição de hoje com 2 páginas e meia. O mesmo para o São Paulo. E Apenas duas para Palmeiras e Santos.
E não é só isso! (como dizem os canais de vendas): as tais quatro páginas eram de louvor despropositado. Pensei que estivesse diante da morte de Pelé, tantos os elogios. Ruy Castro propôs o homenageado para a Academia de Letras e Juca Kfouri corroborou o apelido de “mestre” que tanto se ouve atribuído a Armando Nogueira.
Mas o espanto, ao menos o meu, deve-se ao fato de que Armando Nogueira não é um grande escritor/cronista. Seus textos são insossos e inócuos. Prendem-se ao estilo empolado e laudatório de cronistas de jornais de interior. E quem é do interior sabe o que falo. Do tempo em que, num país de analfabetos, quem sabia fazer um hipérbato era gênio. O que seus acólitos chamam de poesia não passa de pieguice. E se seu estilo produziu algum seguidor, este pode ser notado nos textos de Pedro Bial. Ou seja, uma monocórdia sucessão de adjetivos.
É claro – não somos tolos – o beija-mão é o reconhecimento ao ex-patrão, uma vez que Armando Nogueira exerceu cargos importantes nas empresas jornalísticas.
É permitido aos seus seguidores que façam suas homenagens. Mas não me parece justo que esta tenha que ser paga pelo leitor do jornal. Que mandem um telegrama!
Só para dizer o básico: não bastasse seus “serviço prestado ao desporto nacional”, Tostão é, ainda, dono de uma escrita muito mais agradável e séria (sim, é possível fazer os dois) do que a de Armando Nogueira.
Mas, por aqui, os cartolas continuam ganhando os créditos.