sábado, junho 02, 2007

Se o menino deixa a vida pela bola

(Esse texto não é inédito, o publiquei esses dias num outro blog, mas acho que é interessante pra ser o meu primeiro aqui)
Por mais desnecessário que seja explicar porque é que alguém gosta de futebol (quem gosta compreende, quem não gosta não quer ser convencido), é mais ou menos essa a proposta. E a minha teoria, um tanto bizarra, um tanto machista, parte do fascínio quase religioso que as belas formas despertam no homem. O homem ser masculino mesmo, aquele que se arrebenta correndo atrás de bola ou que passa hora e meia em frente a TV pulando, gritando e xingando a mãe de juiz ou de beque ruim por aí.Sendo a esfera a mais perfeita das formas (acho que isso é um preceito da geometria), enquanto ela rola sobre uma superfície qualquer (de preferência grama) atrai a atenção dos marmanjos como atrairia também uma rapariga a requebrar os dotes. Mas vão dizer que a bola é onipresente nos esportes e que, apesar disso, ninguém fica vibrando ou discutindo em mesas-redondas (redonda é a forma bidimensional da esfera) uma disputada peleja de queimada.Acontece que, com exceção dos elitistas e quase inacessíveis golfe e pólo, o futebol é o único em que se contempla a bola a girar-se magnânima ao redor do próprio eixo sobre o gramado. E é nesse movimento cadenciado que ela se faz imponente como a moça que desfila. E é então que ele é belíssimo.E tão bonito quanto sua estética (a coisa da contemplação mesmo) é seu poder de aproximar as pessoas. É como ele as faz cantar e chorar juntas. É como ele permite que filho e pai dividam uma mesma paixão e assunto. É como ele imortaliza os mortais capazes de tratar a bola mais poeticamente que qualquer pretenso neoparnasiano. É como ele transforma uma camisa velha e desbotada em manto sagrado.Pode parecer intransigência ou mais uma idéia absurda saída da mente pervertida e ilógica dum boleiro de nascimento, mas gostar de futebol deveria ser lei.

5 comentários:

Sidarta disse...

Essa eu aprendi no livro do Alex Bellos, bola é um substantivo masculino em várias outras línguas. Em alemão, espanhol e francês é masculino. Em italiano é feminimo.

Danilo Damasceno disse...

Belo texto!O Futebol já é lei pra quem nasce brasileiro!Abraço

marcio cenzi disse...

bela justificativa.

carlão disse...

No pólo e no golfe, os atletas usam as mãos. Usam o polegar opositor para jogar a bola.

O futebol é um dos raros esportes onde o polegar opositor se faz desnecessário.

E manter uma bola em domínio, sem usar as mãos, é facinante.

freefun0616 disse...

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