sábado, novembro 15, 2008

O torcedor e o torcedor que há dentro dele

Quando torço, não presto atenção em mim. A minha mente fica voltada para o jogo. Nesses momentos, o Sidarta não presta atenção em Sidarta.

No entanto, as vezes, gosto de causar um certo curto-circuito nessa situação e observar o que está em volta de mim e como eu estou. Não é muito medo de cometer alguma gafe ou qualquer insegurança, é mais por curiosidade mesmo.

É como dar um passo atrás. Têm vicissitudes na vida e, com certeza, no futebol que só são entendidas se ampliar a objetiva e colocar outras variáveis na equação.

Uma bem comum a algumas décadas atrás era a que definia futebol como o ópio do povo, instrumento de dominação das elites... Uma babaquice pseudo-intelecutalóide que vinculava tudo e todos à oposição ou apóio ao Regime Militar. Há e havia vida além dos mantras marxistas.

Este quadro de M. C. Escher representa bem ocasiões fechadas em si mesmas que não têm explicação viável:

Um passo atrás é fundamental, por exemplo, na atual situação do Palmeiras. O Lucsa disse que levou uns petelecos de alguns organizados.

Acho que a torcida do Flamengo agradeceu do fundo dos seus corações rubro-negros esse aprofundamento na crise no Palmeiras obrado pelos não-torcedores do Palestra.

Está instalado um círculo vicioso que só se sai se for dado um passo atrás. A solução está fora do problema.

Veja se há saída nisto:

-- Este homem, Epimênides, é um cretense que diz "Todos os cretenses são mentirosos". Ele está dizendo a verdade ou mentindo?

É um beco sem saída. Se só se sai com um passo para trás, um olhar para si mesmo.

Abraços,