domingo, janeiro 16, 2011

Com a perna no mundo

A palavra guerreiro anda em moda no futebol.
Na maior parte das vezes, é apenas um eufemismo para perna de pau. O cara não tem talento, mas corre, faz falta, berra. Vira um guerreiro em campo.
Outras tantas, a palavra serve de apelido bajulador. O pior é quando o apelido é obra de cartola, como no do ex-palmeirense Marcinho Guerreiro.
Não faz muito tempo, a publicidade pegou para si o mote e transformou bebedores de cerveja em guerreiros. E, para legitimar a alusão, pôs um atleta barrigudo para propagandear o espírito belicoso do (e no) futebol.
Não é por acaso que, mais e mais, torcer tem se tornado um ato mais dirigido ao clube adversário do que ao próprio. Mais do vencer, é preciso que o outro perca; se possível, humilhado.
Contudo, há os que merecem os apelidos que ganham. Coração valente se tornou uma perífrase para Washington. Mas guerreiro lhe serviria bem. Principalmente, quando se pensa que sua maior batalha não era nenhuma partida ou campeonato.
O jogador, artilheiro em todos os cantos em que jogou, do Paraná ao Japão, enfrentou o quanto pôde suas limitações e teve, dentro das impossibilidades, uma carreira normal.
Quando finalmente venceu um campeonato relevante, Washington foi forçado a abandonar os campos.
Ele deixa os campos aos 35 anos, idade para qualquer jogador normal para pendurar as chuteiras, mas o avante queria mais um ano e talvez a Libertadores, de que já foi vice duas vezes. Mas teve que parar. No final, descobrem os guerreiros, não resta muita coisa. Só poeira e memória. Futuro é o que virá.





2 comentários:

Sidarta disse...

Olha que o cara não é arrogante. Fico imaginando como deve ser para os que incorporam a personagem. No Boleiros teve um retrato desse drama.

Maria disse...

Muito bom post! "(...)Torcer tem se tornado um ato mais dirigido ao clube adversário do que ao próprio. Mais do vencer, é preciso que o outro perca; se possível, humilhado".