sexta-feira, janeiro 06, 2012

Barça Mata Futebol Titanic-Brasileiro

Não é sensacionalismo barato como alguns podem até pensar.

Mas são os fatos da história do futebol brasileiro, que a minha família já observou lá em Rio Claro, que estão a se repetir, e não há nada a mostrar que seria diferente agora.

Sou da cidade do glorioso Rio Claro Futebol Clube, e meu pai e meu avó torceram, jogaram e participaram muito do futebol rioclarense de antanho. Por isso, tenho condições de ver a funesta condição do futebol brasileiro através do que já foi visto; o que rolou na minha terra, está a rolar com os grandes do Brasil.

A televisão tirou a glória do futebol amador rioclarense de modo desgraçado.

Todos iam aos campos ver o amadorsão do mesmo jeito que o povo assiste aos jogos pela telinha hoje em dia.

Meu pai, dentro das quatro linhas conhecido como Canela (o do meio na foto), jogou no Ruy Barbosa e no arpho esquerda do Navarro Sampáio na década de 50.

Ele foi vice-campeão em cima do time do seu ex-time, o Ruy, em 60.

O amador já tinha começado a fazer água com o time das cerâmicas de Santa Gertrudes, que já pagava uma grana para juntar os melhores do amador de Rio Claro.

Canela e Saraiva viveram o auge desta competição.

Canela e meu avô, o Saraiva, contaram que as conversas eram sobre o que ocontecera na última rodada do amadorzão e não as notícias dos grandes times da Capital e da primeira divisão do Paulista até os anos 50.

Com a tevê, tudo mudou.

É mais cômodo e interessante ver um bom jogador dos grandes times da capital que os jogos com Canela e demais atletas do amador, simples assim.

O que ocorreu em Rio Claro, ocorre no Brasil inteiro agora.

A mulecada, que está a escolher o seu time, não tem razões para não torcer para o Barcelona de Messi e Guardiola.

Pois, é pela mesma tv que eles vêem o time da Catalunha e os psedo-grandes daqui.

O vídeo-game oferece times do mundo todo para eles brincarem. Outro dia, em uma livraria, vi uma banca com vários cadernos, para os alunos que começarão as aulas daqui a pouco, com o escudo do Barça na capa e uns poucos com escudos de times paulistanos. Na praia, vi vários guris com camisetas do Messi. A onda azul-amarela já é uma realidade.

Qual é a diferença em relação à mudança que ocorreu em Rio Claro nos anos 50, com a chegada da tv, para agora?

Lá atrás, se abandonou o então grande amadorzão para os grandes da Capital; agora, se abandona os grandes do Brasil para os Grandes no Mundo.

Ou o brasileiro não é deslumbrado com os exterior? Ou Complexo de vira-lata não ataca os brasucas que gastam milhões e compram carrões importados por aqui?

Com a internet, fica difícil uma censura que bloqueie as imagens do Barça e outros grandes europeus das crianças e aborrecentes de hoje em dia.

Para os que tem fé que o futebol brasileiro é bem administrado, resta esperança.

Mas se os salários daqui não estão a altura dos de lá, é complicado falar para o jogador não ir para fora, e, com isso, o barco já tem meio casco debaixo d'água mesmo. Por qual razão um jogador iria se sacrificar por um time se os nossos cartolas não tem muita credibilidade na praça?
Antes de escrever este texto, comentei estes fatos passados e presentes com alguns amigos que encontrei nestes dias. Por amizade ou não, o povo não discordou.

Hoje, um me contou que um sobrinho dele é um torcedor do Barcelona FC puro.

O garoto de 10 anos não torce pro Barça lá e um outro aqui.

Outro comentário do tio do pequeno barcelonista puro foi que não resta opção a qualquer garoto depois da sapecada que o peixe tomou lá no Japão.

O Santos FC até conseguiu encantar vários novos torcedores com as vitórias recentes, mas o encanto não ficou o mesmo depois deste último vice da Baixada. E, junto com time de Pelé, foi mais um tanto do futebol brasileiro em direção ao fundo do mar.

Sei que este texto não é uma forma boa de começar o ano.

Mas, de qualquer forma: feliz 2012!

Abraços,

4 comentários:

ALÔ! ALÔ! disse...

Alô Sidarta,bom dia e feliz 2012 para vc tb!O que te incomoda e entristece,tb a mim faz lamentar. Não tive pai nem avô jogando nos clubes de suas cidades mas muito nova aprendi a amar e torcer pelo que estava próximo,pelo que me fazia sentir em casa e sempre que posso me levanto contra o esmagamento dos chamados times pequenos,daqueles que pertencem a história e a raíz de um lugar,de um povo,mas,a culpa não é da TV ou do vídeo-game,ou do Barcelona. O que nos falta é educação,aquela que nos faz admirar o que é bom ,seja qual for a nacionalidade,mas,valorizar,priorizar e lutar pelo que é nosso.A maioria das pessoas que amam futebol,tiveram esta ligação iniciada na infância,levada,como vc,por alguém especial que lhe ensinou a cultivar este sentimento,independente do resultado.Claro que com o apelo da mídia,hj é mais difícil,mas ignorar a existência e as qualidades do outro por mêdo de que elas se sobreponham as suas,não é a solução.Cabe a nós torcedores,cobrarmos da CBF uma política que não mate os times do interior,a nós cidadãos,incentivarmos o ressurgimento destes times,colocando a mão na massa e no bolso,se for o caso,tornando-os mais interessantes para nossos filhos do que os Barcelonas da vida,cabe a nós pais,contarmos nossas histórias,apezar de tudo e com tudo,levarmos nossos filhos aos estádios,aos treinos,agitarmos com eles nossas bandeiras.Eu,e pelo que escrevestes,vc tb sabe que por melhor que seja o apelo do que vem de fora,nada é mais forte,nem mais importante para uma criança do que sua mão na mão do seu herói,sendo levado para ver uma partida de futebol.O erro,meu amigo,não está na televisão,mas,em nós que nos acomodamos e,infelizmente,não só no futebol.Abraços,Anna Kaum.

Anônimo disse...

Matou a pau Sidarta....voltou com td! abs. Rafael

Sidarta disse...

Anna, hj a tarde um amigo meu do serviço falou a mesma coisa. É importante que os pais ensinem os filhas e filhos a gostarem das coisas desta Terra.

Abraço

ALÔ! ALÔ! disse...

Bom dia Sidarta. Fácil não é,sei pq sou mãe,mas,acredite,nada é mais compensador do que ver um filho(a),passear pelos universos que vc apresentou a eles,e sabe do que mais?Quando curtem são melhores do que nós,mais inteiros,mais completos e mais abertos também.Abraços,Anna Kaum.