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terça-feira, março 13, 2007

Não há termo neutro

Toda palavra tem uma história e carrega valores. Muita gente já escreveu sobre isso. Só parece ser assunto espinhoso, mas não é.

Os apelidos porco, gambá e bambi merecem uma olhadela semiótica.

O termo porco foi o primeiro que surgiu no espaço futebolístico paulistano. Antes, era o periquito o mascote do time da colônia italiana. Parece-me que jogaram um porco dentro do Parque Antártica. Depois disso, as torcidas adversárias utilizavam o termo porco para provocar os palmeirenses. Depois de um tempo um tempo, os provocados assumiram o porco como símbolo, deixaram o periquito para lá.

Os corinthianos ganharam o apelido de Gambás. Ainda não houve a aceitação pacífica por parte da fiel. Afinal, gambá não faz parte do nosso dia-a-dia como o torresminho de toda feijuca faz. Acho que nem vai haver. Pois, o animal faz referência à sujeira que é pejorativamente atribuida às classes sociais menos favorecida as quais pertencem os fãs do time do Parque São Jorge.

Por último, veio a alcunha de bambis para os sãopaulinos. Antes eram chamados de pós-de-arroz. O tempo passou e, hoje em dia, ninguém mais que frenqüenta os estádios sabe direito o que é esse cosmético. Assim, foi escolhido, no universo das referências dos homens que se cuidam, um termo depreciativo para os tricolores.

Acho que dificilmente haverá a incorporação, como ocorreu no Palmeiras, dos apelidos pelas torcidas dos outros dois grandes paulistanos. Mas, é menos provável que os sãopaulinos aceitem a denominação do que os corinthianos assumirem o gambá.

Claro que posso estar errado, o país evolua os seus costumes nas próximas décadas e o preconceito contra os não-héteros se dissipe totalmente e não exista mais depreciação. Assim, sem esse hipotetíco rebaixamento, não haveria mais sentido em as torcidas adversárias gritarem -- BAMBI!

Como o Brasil faz força para continuar onde está, acho que vou ouvir isso durante muito tempo.

Abraços,