segunda-feira, outubro 23, 2006

Camisa pesa?

A crônica esportiva nacional gosta de falar que o que definiu um jogo foi o peso da camisa de um clube de tradição. Da onde vem este lugar comum?

Aqui vai a minha sugestão para explicar a máxima futebolística, levando em conta a última rodada do Brasileirão.

Ao dar uma olhada rápida no resultado Paraná Club 0 versus Flamengo 2, no Pinheirão, e Ponte Preta 0 versus Inter 2, no Moisés Lucarelli, teria a oportunidade de falar: pesou a camisa!

Santos, Grêmio, Inter e Paraná disputam, até agora, as posições de 2º, 3º e 4º colocados do Brasileirão. Resultado da rodada, Paraná de deu mal e, ainda por cima, agora, tem o Vasco dois pontos atrás de si.

Do lado baixo, a mesma coisa. Palmeiras, Fluminense, Corinthians e Ponte Preta tentam não ficar com última vaga do rebaixamento. Resultado: a Ponte rodou e ficou com a vaga do Corinthians.

Quando se fala do peso da camisa, passa-se uma idéia de tradição de qualidade. Ou seja, quem enfrenta o Santos do Lucsa também enfrentaria os espíritos do Zito, do Pelé, do Clodoaldo e, quem sabe, um pouco do Robinho e do Giovane (que ficariam no banco).

Mas não é bem isso, para mim.


Essa construção histórica é boa porque exime todos de suas responsabilidades. Para o torcedor da Macaca, lá no seu inconsciente, não perdeu só para o Santos do Tabata, perdeu para um Peixe mitológico que encantou o Mundo, algo quase-natural.

Assim, até o torcedor mais desarticulado dá uma satisfação ao seu descontentamento interior.

Contudo, o brasileiro banguela não é o único a se dar bem com esta história de peso da camisa. Aliás, o torcedor é o que menos ganha nesta história.

Imaginem se o Rogério Ceni fosse campeão do mundo, só por hipótese absurda, pelo time que o revelou, ogrande Sinop Futebol Clube, jogando no maior ainda Estádio Municipal Gigante do Norte.

Não iria ficar incômodo para as equipes de jornalistas esportivos das grandes empresas de comunicação brasileiras irem até lá!?

Esse é um dos problemas da Ponte e do Paraná, assim como é do Fortaleza, do Bahia e de todos os outros clubes que não ficam perto das sedes das grandes empresas jornalísticas. Vejam as notícias e comentários que a imprensa divulgou quando o Corinthians vai fazer concentração em Atibaia. Um dos objetivos do Leão é tirar os seus jogadores do circuito de fofocas que os jornalistas esportivos adoram fazer. Você acha que jornalista barrigudinho gosta de viajar para ir atrás da notícia. Ele tem compromissos com a família, com a cervejinha...

Ter a grande imprensa ao seu lado é bom; pois, divulga o time para o Brasil todo. Mas é ruim quando ajuda a atribular o ambiente. Quantas vezes um jogador vai a umas destas mesas redondas televisivas e fala uma bobagem que gera uma crise. O Lula não recebeu um dos Marinhos, recentemente, a toa; nem um dos donos da Globo foi lá no Planalto tomar só um cafezinho. Meios de comunicação têm cheiro, cor e gosto.

A culpa do peso da camisa não é só dos jornalistas, claro, tem de haver uma força na região onde os times estão sediados. Pode ser força econômica, São Paulo; política, Rio de Janeiro; ou, cultural, Porto Alegre. É duro fazer uma medição precisa de quem tem mais e qual as naturezas das forças de, por exemplo, Belo Horizonte e Porto Alegre. Mas espero que tenha sido minimante claro no tentei dizer.

E o Nordeste? Lá, para esses temas extra campo, é uma situação meio caótica. Qual é o centro político-econômico de lá? Fortaleza, ultimamente, se juntou à Salvador na disputa com Recife pelo título de centro mais importante do N.E. brasileiro.

Mas, ainda bem, creio que ainda há espaço para um Figueirense ganhe um Brasileirão nos próximos 10 anos se fizer um trabalho sério a longo prazo. Ocupe o lugar que o Guarani já teve. Não há uma ditadura dos grandes times formalmente instituida por aqui.

Abraços,