domingo, dezembro 10, 2006

Anotações e um poema

Como o noticiário está ralo, aproveitarei as férias para publicar alguns textos pretensamente literários que o futebol me inspirou.

Arquivo

De Baré a Baresi, de Mancini a Maldini, o que a gente faz é ir acumulando um imenso arquivo mental de nomes e datas para passar aos filhos e netos.
Então, comendo pastel, num velório ou cruzando com antigo conviva na rua, há sempre um caso a ser lembrado.
Das histórias que meu pai me conta, nenhum nome é tão repetido quanto o de Bauer.
Jogador de quem ninguém se lembra porque ninguém viu.
O que me resta é ir devorando almanaques e revistas para, nos meus colóquios, ir preservando a memória do craque. E a de meu pai.

Sócrates

É preciso sempre buscar a sombra.
E, nela,confundir-se feito folha.
Imóvel, enganar os oponentes.
Açoitá-los com imprevisto golpe.
Após, fugir em cadente andamento.
Revelar-se, pois, do próprio talento
imagem: um insidioso réptil.