sábado, dezembro 16, 2006

Sobre o Mundial de Clubes

Diferentemente de Sidarta, torcerei pelo Internacional amanhã. E farei isso do mesmo modo como fiz quando disputavam a final Palmeiras, Vasco, Cruzeiro, Grêmio. Ou ainda, da mesma forma que torci por Olímpia, Boca, Once Caldas, Vélez.
E, talvez fazendo isso, eu seja bairrista como o visitante acusa o Sidarta. Sou bairrista porque torço pelo time que tem identidade com uma torcida, com uma cidade, com um estado de espírito.
E torcerei ciente de que o Inter tem um time mais modesto, como é a sina do futebol sul-americano.
Dito isso, gostaria de falar algo sobre os protagonistas: Pato e Gaúcho.
Se o Colorado for campeão, o garoto vai embora. O Inter fará caixa, os aficionados pelo futebol assistirão aos campeonatos europeus e, depois de um tempo, todos saberemos se ele é um novo craque, ou apenas um Daniel Carvalho, ou um Denílson, ou nem isso.
Sim, ele tem personalidade, tem frieza, tem ousadia. Mas isso é típico dos jovens. Vários artistas são arrojados no início de sua trajetória e depois suas obras se revelam modorrentas. Acho que foi o Borges quem disse que era difícil ser poeta após os 30. Aos 17, o moleque tem que ter ousadia mesmo (não há nada a perder); manter-se assim aos 28 é mais difícil. Espero que Pato consiga.
Quanto ao Gaúcho, direi o que sempre digo nas rodas de amigos: ele ainda não me convence. Nos programas esportivos, colocam-no como um dos grandes craques da história. Ainda não concordo; não o vejo no mesmo patamar de Maradona, Garrincha, Cruyff, Pelé, Di Stéfano, Puskas. Ronaldinho não decide campeonatos. Tem atuações decisivas em jogos sem muito valor. Buscando a galeria de seus feitos, é possível ver um gol sensacional contra a Venezuela, um chapéu em Dunga no fim de carreira, uma fileira contra a defesa do Haiti, um gol-cruzamento contra Seaman, uma boa atuação contra o Madrid esquartejado. É bom lembrar que a estrela da final da Copa dos Campeões foi o Belletti.
Não defendo que só o jogador que ganha títulos seja craque: Iarley não entrará para a lista dos dez mais se ganhar o bi-mundial no domingo; Vítor não é o melhor lateral da história por ter quatro Libertadores. Creio apenas que há uma supervalorização de cada lance de Ronaldinho. O gol de puxeta, por exemplo, é mais um número do estilo globetrotter, repertório que inclui o ensaiado passe estrábico. Gaúcho é novo, ainda, e pode se revelar uma sumidade. Por enquanto, não o é para mim.
Epílogo: Antes da Copa, que é a ocasião por excelência para se conhecer o jogador fora de série, havia uma unanimidade laudatória que punha a atual geração à frente da de 82. Desde então, digo: a geração que foi para a Copa não é melhor que a de 94. Comparando jogador por jogador em suas respectivas fases, creio que apenas Kaká e Ronaldo (ambos em ótima forma) teriam lugar no time do tetra (e Ronaldo apenas no lugar de Bebeto). Pena que o Na Cal não existisse ano passado para essa discussão ter sido posta.