sexta-feira, fevereiro 23, 2007

Como quebrar um tabu


Há quatro anos o Corinthians não ganha do São Paulo. A próxima chance será no dia 15/07 pelo Campeonato Brasileiro. Na semana que antecederá a partida, o tema do tabu voltará a ganhar as manchetes esportivas. Ouviremos as tradicionais frases feitas dos atletas : “cada jogo é um jogo”, “eu não estava aqui quando o tabu começou”, “em campo o tabu não vale nada”, dentre outras ditas por dos dois lados. Duas questões precisam ser respondidas: Por que o Corinthians não ganha do São Paulo? O que é necessário para conseguir a vitória. Creio ter achado a resposta após algumas observações.
Antes, é preciso saber o que é um tabu. No futebol, é uma seqüência de resultados desfavoráveis em partidas contra equipes de porte idêntico ou inferior durante um longo período. É necessária a ressalva de que não existe tabu de um time pequeno contra um time grande. Não se fala do tabu da Venezuela contra o Brasil, pois nada mais natural que o time mais forte supere o mais fraco na maioria das vezes. O tabu é intrigante porque não tem explicações racionais. Além disso, durante um tabu, o empate sempre tem gosto amargo para quem tenta quebrá-lo.

A explicação de como os tabus se mantêm ou são quebrados é difícil. Diz o ditado que o bater de asas de uma borboleta na América do Sul pode causar um tufão na Ásia. Não lembro se as localidades eram estas, mas este é o sentido. Uma pequena atitude, por mais insignificante que possa parecer, pode ter conseqüências grandiosas. É preferível um exemplo prático.

Até 2003, o São Paulo não conseguia bater o Corinthians. Mesmo quando o time era nitidamente superior e todas as condições favoráveis, o melhor resultado era um empatezinho. Por que isto acontecia? Coincidentemente, o mais ilustre são-paulino de Rio Claro estava presente na maioria dos jogos. Quem acredita em coincidências, não acredita em tabu e são os céticos os maiores colaboradores pela longa vigência de um tabu. Qualquer coincidência pode ser a causa. Portanto, observado o fato que se repetia, era necessário evitá-lo. Foi por isso que um torcedor do Atlético-MG foi convidado a substituir o amigo rio clarense para acompanhar a partida válida pelo primeiro turno do Campeonato Brasileiro de 2003. O tabu foi quebrado com gols de Fábio Simplício e Jean. Desde então, o cidadão rio-clarense nunca mais compareceu aos clássicos e o São Paulo nunca mais perdeu.

O pé frio existe e é sempre uma ameaça ao sucesso de nosso time. Identificá-lo e anulá-lo pode não ser uma tarefa fácil, mas é a maior contribuição que um torcedor pode dar. Isto pode ser uma grande bobagem. Mas são estas pequenas coisas que definem se a bola bate na trave ou balança as redes. Experimente colocar o sofá um pouco mais a frente ou sentar na mesma cadeira quando for ao estádio e verá que os resultados são surpreendentes.
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O cidadão rio-clarense disse que assistiu o segundo tempo do clássico. Márcio, tome uma providência. Isto está ficando perigoso...