sexta-feira, agosto 03, 2007

Conversa de Botequim

A minha inaptidão para com as tecnologias me impediu de escrever aqui antes. Escuse-me.

Mais uma vez, veja o Alpha e Ether.

Neste blogue, encontro vários discos e dicas para baixar. O ponto alto são os dez discos do Noel Rosa.

Quando era criança, adorava ouvir a música Conversa de Botequim, cuja letra o poeta da Vila escreveu com, pasmem, paulista Vadico. Dê uma olhada na letra:

Seu garçom faça o favor de me trazer depressa
Uma boa média que não seja requentada
Um pão bem quente com manteiga à beça
Um guardanapo e um copo d'água bem gelada

Feche a porta da direita com muito cuidado
Que eu não estou disposto a ficar exposto ao sol
Vá perguntar ao seu freguês do lado
Qual foi o resultado do futebol

Se você ficar limpando a mesa
Não me levanto nem pago a despesa
Vá pedir ao seu patrão uma caneta, um tinteiro
Um envelope e um cartão

Não se esqueça de me dar palitos
E um cigarro pra espantar mosquitos
Vá dizer ao charuteiro que me empreste umas revistas
Um isqueiro e um cinzeiro

Telefone ao menos uma vez para 34-4333
E ordene ao Seu Osório que me mande um guarda-chuva
Aqui pro nosso escritório

Seu garçom, me empreste algum dinheiro
Que eu deixei o meu com o bicheiro
Vá dizer ao seu gerente
Que pendure essa despesa no cabide ali em frente.


Para além das risadas que dava junto com meu irmão quando escutávamos esta música que nossa mamãe nos apresentou, acho que não dá para ver o nosso futebol e nós mesmos sem a irreverência que o Noel Rosa soube dar forma com muito talento.

Não acho que deveria ou surgirá outro Garrincha entre nossos jogadores. Contudo, o desafio está dado: como equilibrar a habilidade e a dedicação tática?

Noel morreu aos 26 anos de tuberculose. Não quero este parâmetro. Mas, por outro lado, não quero o jogador brasileiro preso aos esquemas táticos rígidos. Não é uma
quadratura do círculo para o futebol e a sociedade brasileira.

Já que este texto está família, meu pai é cético. Ele não vê muito jeito para nossa terra e, por conseqüência, para o futebol jogado por aqui. Não vejo o ponto de vista dele como errado. Pois, o quê rolará na pátria de chuteira nas próxima décadas será algo que derivará dos nossos sonhos.

Logicamente, não será só sonhar que, por mágica, devaneios se tornarão realidade. Mas não há realidade social construída sem a vontade.

Abraços,