terça-feira, setembro 18, 2007

And the Oscar goes to Curintiá!!!

A puta roubada que a turma do Dualibi colocou o Sport Club Corinthians não caiu do céu, não veio do nada.

Foi o clímax de uma história além-genial. Cervantes, Coppola, Veríssimo e tantos outros gênios das artes não teriam capacidade de criar algo tão bem feito.

Creio o grande artista da obra, premiada com o Óscar de Bem Melhor do que Tudo o Resto, é a massa corinthiana. Foram anos e anos de uma intensa e profícua programação neuro-lingüística coletiva. Nem os 23 anos na fila foram capazes colocar um ponto final na história deste time.

Veja como um corinthiano se coloca diante da situação:

Já são 97 anos de uma história linda, cheia de títulos e glórias, mas sem dúvida Corinthians, muito mais do que qualquer simples troféu que você já conquistou, você nos dá muito mais do que isso, nos dá alegria, nos dá esperança, nos dá um algo mais que nos faz acordar todo dia de manhã e ter orgulho de dizer, eu sou Corinthiano.

Parabéns Corinthians, acima de tudo e de todos, você é a nossa vida.

(Trecho do texto A paixão e seus mistérios, publicado no Portal Corinthians por ocasião dos 97 anos do Clube)

É uma bola de neve! O Corinthians se mete em rolos que os torcedores, masoquistamente, torcem com mais intensidade.

O SPFC, por exemplo, não merece Óscar. A história tricolor não tem desafios colossais. No Morumbi, tudo é planejado e as conquistas são uma decorrência natural de um trabalho sério. Não há um inimigo interno a ser vencido. Só há adversários exteriores que não colocam em risco a sua própria existência.

A lista de filmes que ganharam o Óscar de Melhor Filme está cheia de dramas de toda ordem. Sempre é a história de uma heroína ou um herói que supera uma adversidade impressionante. Ou, pelo menos, tenta superar a força que lhe separa de seu objetivo.

Não sou bom com filmes, mas só fui achar um comédia aventuresca de verdade, Golpe de Mestre, lá em 74 nesta lista.

Os filmes de Holywood, todos, estão muito longe de tudo que se passa lá nas arquibancadas do Pancãembu. o grito semi-musicado corinthiano, maloqueiro, sofredor é algo além de um complexo de édipo qualquer.

Vitórias como as dos Santos de Pelé e o de Robinho não têm graça. Só após muito drama é que uma conquista é verdadeiramente corinthiana. Talvez, a nação creia no ditado: o que vem fácil, vai fácil! É, sem dúvida, uma necessidade incontornável por dor. Ou, pelo menos, por alguma respeitável confusão.

Pode ser que a fixação dos corinthianos por sofrimento, frustração, tenha moldado os seus times. Mesmos os times vencedores, pelo menos dos anos 70 pra cá, sempre tinham figuras controvertidas como craques. Basílio nem craque era. Sócrates era craque mas não conseguiu muito fora do Parque São Jorge, o Neto deve o título ao Tupãzinho, o Marcelinho Carioca nem precisa falar e o Tevez-MSI também. Estes dois últimos representam bem os outros de suas épocas. Do Rincon nem é preciso falar nada, as acusações já pesam sobre o cara. Até o praticante do bom-moçismo que foi campeão mas não craque, Ricardinho, parece estar enrolado atualmente.


Assim, creio que há uma incompatibilidade entre o ambiente corinthiano e o da seleção brasileira que faz com que os jogadores da Fazendinha não se adaptem à Granja Comari. Um é sempre o favorito, sempre por cima da carne seca. O outro sempre envolvido em algum drama gigantesco. Pode ser que o maior artista do século em que nasci tenha conseguido chegar perto da epopéia corinthiana. Pois, o Carlitos, a personagem, era elegante, popular, sofredor, charmoso e, sobre tudo, digno. O ato de ser corinthiano é um espaço social de conquista da dignidade diante dos que têm mais e não há como negar que não falta charme ao time das massas. Pelo dentro do padrão deste mundo paralelo.

Gostaria que a atual fase corinthiana fosse o último destes clímax além-gênio pelo qual o time tristemente passa de quando em quando. Estou com um certo receio que o Brasileirão por pontos corridos vá tirar o equilíbrio que sempre houve. Parece-me que um grupo formará uma elite no nosso futebol. Do mesmo jeito que acontece na F-1 ou nos campeonatos europeus. Pois, seria triste não tê-los para tirar um sarrinho de suas caras.

Abraços,