terça-feira, setembro 18, 2007

"Se gritar pega ladrão, não fica um meu irmão..."

A cada dia que passa mais e mais vezes me deparo com manchetes que refletem o atual momento do meu time. "Escândalo no Corinthians", "Roubalheira no Timão", "Dualib pode ser preso", são títulos das reportagens que são noticiadas em sítios, jornais, programas televisivos e outros do gênero esportivo. Nesta hora, vale até lembrar aquele chavão que está ainda mais popular: "As páginas esportivas estão cada vez mais parecidas com um caderno policial".

Porém, não é somente o meu Corinthians que ilustra tal situação.

Sempre fui uma pessoa que adorou F-1. Ayrton Senna da Silva é, sem dúvida alguma, o meu maior ídolo esportivo - sim, ele deixa Marcelinho para trás. Porém, desde a sua morte, no dia 01/05/1994, essa prática já não possui o mesmo charme. Tudo bem. A aposentaria de Alain Prost e Nigel Mansell colaboraram. Michael Schumacher não teve grandes concorrentes. Mas, também é inquestionável a habilidade de Fernando Alonso, Louis Hamilton, Kimi Raikkonen e do próprio Felipe Massa. Entretanto, o grande ponto é que, nem a F-1, o esporte que mais mexe com dinheiro no mundo, e que por tal deveria ser o mais profissional; está se safando das falcatruas do mundo afora. A grave crise que ela atravessa, e pior, a resolução dada ao caso "fornecimento de dados sigilosos", entre Ferrari-McLaren foi mais do que ridícula. TODOS que acompanham as corridas, treinos, pré-temporada, sabiam quem era o culpado, o que a regra estipulava e a punição que deveria ser dada, mas nenhuma medida drástica foi tomada. A McLaren pagou uma alta multa e perdeu seus pontos no Campeonato de Construtores, vencido domingo pela rival Ferrari. E daí?

Daí que o interesse por esses dois esportes continuam inabaláveis. Veja a fortuna que a Globo paga pelos direitos televisivos. Ou o preço de camisas oficias dos times/escuderias. Ou ainda a forte presença desses dois esportes no ramo da comunicação.

O grande fato é que todos nós gostamos de ladrões. O futebol tem escândalos desde os primórdios. No Brasil, a Copa João Havelange é um bom exemplo. E a Copa de 78? Na Fórmula-1, a atitude de Jean-Marie Balestre em 89 e a de Senna em 90, são também bons exemplos.

Todavia é melhor parar por aqui, pois a credibilidade dos mesmos até foi abalada, mas por um breve período de tempo. À primeira vista, isso pode parecer ridículo. Fazem algo errado e a gente perdoa, sem mais nem menos, e fica como se nada tivesse acontecido.

Porém a mesma coisa acontece como a gente, pois também somos ladrões.

Quem nunca roubou umas moedinhas da carteira da mãe? Ou deixou a honestidade de lado e colocou alguns reais no bolso, provindos de um troco errado? Quem nunca mentiu em um xaveco? Alguns até falam em iate e haras. E olha eu. Escrevendo para o NaCal no meio do meu trampo.

É meus amigos. Já diria a música do filme Carandiru: "Se gritar pega ladrão, não fica um meu irmão. Se gritar pega ladrão, ah, não fica um". Nem a gente.