quinta-feira, setembro 27, 2007

Édipo Rei no Morumbi

Ontem o São Paulo Futebol Clube venceu o Boca Juniors no Morumbi e passou para a fase de Quartas de Final da Copa Sul Americana.

Lá pelas 19 horas, já vi alguns carros cheios de torcedores sãopaulinos a ir pro Morumbi. Depois, ouvi o 1o tempo no rádio do MP3 e vi uns pedaços na Tevê. Contudo, mais do que o futebol bem jogado ou não, acho que o importante da partida é o simbolismo da vitória contra o temido time argentino.


Este favoritismo quase divino que o time argentino adquiriu está entranhado no fundo da cabeça dos futeboleiros brasileiros. Parece que não nos resta nada a se fazer quando se enfrenta a ellos. A derrota que o SPFC sofreu lá manteve uma parte do mito intacta. Mas, de qualquer forma, a vitória serviu para tirá-los do reino mítico nos jogos de volta pelo menos.

No drama Édipo Rei, a ação da personagem central é construída de que o plano da ação individual e o desígnio dos Deuses se interagem, se confrontam e se misturam. A perfeição artística impede que o leitor tenha certeza se o parricídio e o incesto são responsabilidade individual ou divina.

Sófocles criou o indivíduo praticamente. Pelo menos, construiu uma obra em que ambos convivessem e o leitor escolhe quem é o responsável.

Ontem, os jogadores sãopaulinos venceram o destino. Indivíduos sobrepujaram o determinado pela cultura futebolística nossa. Ainda bem, não foi uma ação totalmente dramática, o final foi feliz. Muito diverso do que rolou com OIDIPOUS TYRANNOS (Édipo Rei). Mas, ao ver um compacto e relembrar os pedaços que ouvi e vi, não dá para negar a ajuda do além-humano.

Com a sorte, a fé ou o ocaso, de um lado, e o talento e a garra, de outro, o futebol é o belo, o dramático das massas.

Abraços,