quinta-feira, novembro 29, 2007

Heróis

Como nenhum dos três mosqueteiros do Na Cal se habilita a registrar seu testemunho de fiel, falarei sobre uma reportagem que li por esses dias.
Não sei se foi semana passada ou em outra mais ultrapassada, Carta Capital noticiou uma exposição num museu parisiense (não arrisquei o nome, pois dizem que por lá tem um museu e uma estação de metrô a cada esquina) sobre heróis.
Entre os bravos expostos, há os reais, os imaginários, os mortos, os vivos. Reúnem-se em tal conclave figuras como Guevara, Clark Kent e Zidane.
Sim, Zidane, o aríete; Zidane, o craque silencioso.
A escolha dos franceses é plenamente justificável, pois, mais do que as guerras, o esporte é o grande fornecedor de heróis modernos.
Já foi dito sobre o papel de representação da guerra pelos esportes. Dentre eles, o futebol parece o mais afeito às metáforas bélicas: artilharia,defesa e tática são apenas alguns dos empréstimos.
Mais do que isso, o confronto de dois times sempre encobre uma realidade maior: católicos x protestantes; monarquistas x republicanos; norte x sul; colônia x metrópole.
No Brasil, os grandes embates se dão entre clubes do mesmo estado e quase sempre a oposição é entre o time da massa e o de elite: Atlético x Cruzeiro, Bahia x Vitória, Atlético x Coritiba. As exceções se dão no Rio e em São Paulo, em que um time de colônia (Palmeiras e Vasco) rompeu o cerco.
Não, não me esqueci de Santos e Botafogo. Estes dois se impuseram pelas peripécias de seus heróis. Pelé, sem dúvida, um herói épico; mas Garrincha, um herói trágico. Assim como Zidane.