domingo, agosto 24, 2008

Belchior e o ouro

Na canção Sujeito de Sorte, o cantor Belchior repete que após ter morrido no ano passado, neste ano não fará o mesmo.
A frase parece sem sentido, coisa de artista.
Mas nela está a representação de nossos ciclos, de nossas derrotas.
Nestes dias em que os especialistas e especuladores (ainda não os sei diferenciar) tentam explicar os êxitos e fracassos dos atletas, parece que os catedráticos - o pessoal que fala da cadeira - se esquecem de algo: perdemos sempre muito mais do que ganhamos. Em tudo.
Mais do que isso, as pancadas deixam marcas mais duradouras do que os momentos de júbilo.
O título de campeão se torna logo uma linha abaixo do nome do novo vencedor; uma derrota pode ecoar na cabeça por cinqüenta anos. O mesmo em nossa vida: um fim de semana feliz e a morte de um parente, por exemplo.
Marta, Cristiane, Daniela Alves e companhia ouvirão durante anos a acusação de "amarelonas". Até o dia em que vencerem e se tornarem "amarelinhas", como ocorreu com o time de vôlei.
Mari, Zé Roberto e Maurren deixaram agora para trás as mortes do ano passado.
Cada um venceu lutos pessoais: Mari foi responsabilizada por um lance; Zé Roberto, por um time que não tivera tempo de montar; Maurren, pela falta de assessoria.
Foram abandonados por muitos. Pelos mesmos que agora voltam com um dissimulado apoio.
Mas,neste ano, estão bem mais vivos.

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