quinta-feira, novembro 13, 2008

São quanticos os Marcos

São quanticos os Marcos

 

O final de semana passado teve uma ótima rodada para o meu gosto. A emocionante vitória do São Paulo e a saborosa derrota do Palmeiras.

 

Sei que friamente, o empate era o melhor placar para os meus interesses sãopaulinos. Mas, no entanto, foi muito mais gostoso ver a vitória do Grêmio sobre o desesperado e descompensado Palmeiras que um empate morninho.

 

A cereja do bolo foram as saídas do gol do <i>São Marcos</i>. No meio do jogo o goleiro larga tudo e vai tentar empatar o jogo é coisa de peladinha de escola. Nem no futebol de salão com os amigos se faz isso. Foi a demonstração que quem comandava a partida era o Grêmio e uma vitória verde ficava cada vez mais distante na mesma proporção que seu goleiro saía da sua área.

 

Na imprensa, na internet e entre os amigos, se formaram dois grupos distintos: os que amaram as saídas e os que acharam aquilo ridículo.

 

Depois que a água ferveu, o Marcos deu uma de joão sem braços com a seguinte declaração:

 

<i> Preciso esclarecer esse ocorrido. Quando deixei o gol, fiz com boa fé. <b>Achei que faltavam apenas sete minutos para o término da partida, por isso fui ao ataque</b>. Em nenhum momento quis pasar por cima do Vanderlei ou contrariar algum companheiro do grupo. Minha intenção foi ajudar o Palmeiras e recuperar o resultado. Sei que minha atitude foi errada, por isso, podem julgar minha atitude e não minha intenção.</i>

 

É mais alucinado quem comprar esta história. Ele tava no estádio do seu time, não tinha nenhum gandulinha verde por ali pra perguntar as horas?

 

Na física quântica há um fenômeno interessante com os <i>electões</i>: eles se comportam como <b>onda</b> e como <b>partícula</b>. Contudo, eles tomam um ou outro aspecto em função do observador e, ao serem observados como onda ou partícula, perdem totalmente as qualidades não observadas. Ou seja, são isso ou aquilo e nunca isso e aquilo ao mesmo tempo; mas os <i>electões</i> só são onda ou partícula porque alguém quis observá-los de uma ou outra forma.

 

Não sei se consigo ser minimamente claro, mas, quem quiser, pode procurar mais subsídios no livro <i>O universo autoconsciente</i> do físico Amit Goswami. Foi daí que tirei este assunto.

 

Bem, de volta ao <i>São Marcos</i>, acho que o cara também é um deus ou um diabo muito em função do observador. Contudo, não vi ninguém conseguir juntar o Marcos que pisou na bola saindo do gol daquele jeito com um Marcos heróico justamente por ter ido à área adversária e tocado uma bolinha no meio campo.

 

O <i>Lucxa</i> e os jogadores do Palmeiras bem que tentaram falar que tudo bem. Mas eles não acreditam nisso e ficava claro nas entrevistas o desconforto nas suas ocas palavras elogiosas ao goleiro-centroavante. Tanto não tava certo que o próprio Marcos falou que não fará isso de novo.

 

A massa no Palestra adorando as idas ao ataque do seu ídolo-goleiro também demonstrou que a voz do povo pode muito bem não ser a voz de deus. Só porque muitos gostaram não significa nada se a ação é certa ou errada; demonstra simplesmente que muitos apoiram-na.

 

A essência da democracia é justamente a proteção que uma pessoa tem contra ditaduras da maioria. As Revoluções Francesa e Russa deixaram bem claro o que pode acontecer quando uma massa ensandecida apóia ações tresloucadas.

 

Abraços,