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quinta-feira, junho 17, 2010

Um certo jogo entre argentinos e coreanos

O 11 era o Valdano. O time ainda tinha Ruggeri e Burruchaga. Além de Pumpido, que quebrou a perna em 1990.

sábado, junho 12, 2010

Hangeul x Alfabeto Grego

Há uma personagem em Casamento Grego que, orgulhosa de sua cultura, diz que todas as palavras são oriundas da antiga língua helênica.
Um exagero ufanista, é claro.
Mas sua fala encobre uma realidade: a influência do grego sobre as línguas é enorme, principalmente, na etimologia. A sintaxe e a morfologia perderam espaço para o latim, muito mais simples. Algo mais ou menos parecido como a batalha inglês x francês: uma língua com conjugações mais simples e sem acentuação é mais palatável aos estrangeiros.
Soma-se a isso, evidentemente, o poder dos respectivos impérios.
Assim, nas línguas ocidentais, o alfabeto latino prosperou. O grego ficou esquecido, reservado para as ciências exatas.
Na Coreia, a história é bastante interessante. Para substituir os caracteres chineses, o rei Sejong criou o Hangeul, um sistema que mistura alfabeto e escrita silábica.
O sistema é inovador, prático e rápido. Como foi o time da Coreia do Sul hoje.

sexta-feira, junho 11, 2010

Estreia

Na primeira Copa depois do acordo ortográfico, a estreia é pelo Grupo da Morte.
Se em outros grupos, há times mais vistosos se enfrentando, o A é o Grupo mais equilibrado, mas por causa da imprevisibilidade de seus componentes.
Se entre Holanda, Camarões e Dinamarca, ou entre Alemanha, Gana e Sérvia, o difícil é arriscar quem ganha, entre os Celestaes, os Bleus, os donos da casa e os Mexicanos, é complicado apontar quem está mais próximo de perder.
A África do Sul é provavelmente o pior anfitrião de todos os tempos. Mesmo a Coreia do Sul era um pouco mais qualificada.
A França, classificada no finzinho, com as mãos de Henry e do árbitro, dá mostras de desgaste. Dos jogadores, do técnico, da confiança.
O México é aquela coisa de sempre. É como a Espanha. Como político em campanha. Só promessas.
O Uruguai é o time da respecagem. Já faz tempo. Mas, na Copa, não tem segunda chance.
Se em outros certames, as previsões foram para o espaço logo na estreia, como em 90 e 98, hoje a zebra estará em descanso na África, pois qualquer resultado significará, mais do que a queda, o início de uma sobrevida.

quinta-feira, junho 10, 2010

Mircea Eliade na Copa

Quando Mircea Eliade escreveu O mito do eterno retorno, dedicou-se à análise das chamadas sociedades tradicionais e primitivas. Para elas, cada evento era repetição de um arquétipo de um grande acontecimento vivido pelo ancestral, pelo deus ou pelo heroi.
Além disso, havia a magia do ciclo: o constante recomeço, a purgação dos erros da última rodada. A nova colheita e o novo ano simbolizavam a oportunidade para acertar e a expiação das falhas anteriores.
O pensamento judaico, a ideologia cristã, a dialética hegeliana e o marxismo, entre outros, tentaram, cada um a seu modo, limpar a vida da ideia de repetição, historicizando os acontecimentos.
Mas, para dar algum sentido a essa insensatez que é a vida, o que fizeram foi apenas remeter a salvação para um fim dos tempos. E, como esperar não é uma grande virtude humana, Eliade já percebera que História é um problema para as elites, pois o homem comum, o bonus pater familias, está mais envolto com a idéia de ciclo e repetição, com o modo de vida "primitivo", do que podem imaginar nossas posturas modernas.
A primeira edição do livro é de 1949; a segunda, de 1965. A primeira, em Paris; a segunda, em Chicago.
Infelizmente, não houve ocasião para que o escritor romeno tivesse percebido que o grande ciclo da vida do homem comum é o futebol, pois, a cada campeonato, renova-se a chance do êxito. E, enquanto ele não chega, vai-se combatendo resignadamente o Mal, ou melhor, o adversário.
E o evento máximo desse ciclo é a Copa do Mundo, evento que passa a ser um filtro na vida do homem moderno-primitivo. Por ele, são marcados os fatos da história pessoal e geral: onde você estava em 1970, quem era o presidente em 1994, e tal e coisa.
Não é por acaso que os "analistas" insistem em coincidências dos 12 anos: no Brasil, 1958, 1970, 1982, 1994; na Itália, 1970, 1982, 1994, 2006.
É um ciclo dentro de outro, dentro de outro, dentro de outro.
Mas Mircea não jogava bola. O heroi romeno, Hagi, apareceu algumas rodadas depois.

terça-feira, junho 08, 2010

Durval na Copa

Em 97, na preparação para a Copa, Carpegiani tinha um problema: arranjar um atacante para o Paraguai. Cardozo, o artilheiro daquela época, era o único que sabia fazer gols. Faltava uma opção.
Por isso, em 99, os paraguaios se entusiasmaram com Roque Santa Cruz, que, o tempo mostrou, não adiantou muita coisa.
Mas, voltando a 98, um atacante era tudo que o time paraguaio precisava no jogo contra a França, perdido na morte súbita. E, então, poderia ter havido uma final sul-americana em Paris.
Ciente de suas carências, Carpegiani dava entrevistas em que dizia sonhar com Renato na linha de frente de seu time. O Gaúcho já estava em fim de carreira, mas ainda fazia seus gols. E, convenhamos, um tento de barriga poderia ter mudado a história na França. Renato era a demonstração de nossa pujança na grande área. Um jogador que serviria para qualquer escrete de 98 não era nem cogitado por aqui.
Hoje - ironias do ludopédio - exportamos zagueiros. E quem deve cobiçar algum de nossos defensores é Maradona.
Se do meio para frente, ele tem uma linha com Di Maria, Verón, Messi, Tévez e Higuaín, a retaguarda bota medo.
Qualquer dupla de zaga paulista serviria bem a Diós. Poderia ser o baixo Chicão e o lento William, ou os seguros mas às vezes espalhafatosos Miranda e Alex Silva. Com qualquer dessas duplas, a Argentina seria um time quase completo (faltaria apenas um goleiro confiável).
Na verdade, creio que Maradona se contentaria com Durval e Dracena.

sexta-feira, maio 28, 2010

Amin supports Brazil in South Africa

Tive de vir à Londres em função de compromissos familiares. Faz mais ou menos uma semana que tou na terra do Shakespeare, e hoje, porque os deuses quiseram, encontrei uns amigos, que fiz por aqui, num bar. No boteco londrino, estavamos eu, minha namorada, uma amiga jamaicana e um indiano. Quer dizer, fora eu, eram todos portadores de passaporte europeu que conversavam com este rapaz sudamericano puro.

Papo vai, choppe desce e um cara estranho cola na roda e começa a xavecar a amiga jamaicana. A menina faz uma cara de nojo e eu entro em campo com assunto mais batido que brasileiro pode ter: football!!!

Eu não tinha noção do grau de importância do futebol brasileiro por esse Mundo a fora. Já tinha ouvido falar muito disso ou daquilo, mas quando o fato está diante dos seus olhos a coisa muda de figura.

Após dois dedos de prosa, o estranho se apresentou. O cara é sudanês, chama-se Amin e adora o Sócrates que ele viu jogar em 82. Dê uma olhada no cara:
Fora o Doutor, é lógico que ele também adora o Romário, o Bebeto, os Ronaldos...É claro que a sua pronúncia não é a mais palatável possível e necessária uma boa vontade com o cara. Ele, assim como vários ingleses, também quis saber sobre o Kaká e o Dunga.

Mas a principal mensagem que ele me passou, de forma consciente, apesar das biritas dele e minhas, é que as pessoas, que não são dos países ricos, gostam do futebol brasileiro porque, dentro das quatro linhas, o Brasil é um Davi que vence os Golias dos outros esportes, da economia, da força militar, das universidades...

O povo da Afríca, da Ásia e da maior parte da América Latina se sente representado pelos jogadores brasileiros nas Copas do Mundo.

O Amin, mais de uma vez, disse-me que adora ver o Brasil derrotando Alemanha, Itália, França, Inglaterra... Ele sente como se fosse uma vitória do seu Sudão sobre uma das ex-metrópoles coloniais.

Já durante o papo, fiquei pensando na Argentina. Por que será que os hermanos, que também têm um bom futebol, não conseguiram ocupar esse espaço nos corações dos terráqueos?

Muitos argumentos me vieram à cabeça; mas, pra resumir, é porque os caras são metidos.

Depois disso, fiquei mais impressionado com a qualidade dos dirigentes do futebol brasileiro. Como os caras conseguem perder tanto dinheiro desse jeito?

Bye,

quinta-feira, outubro 15, 2009

Melhor assim

Imagine o fantástico embate Bahrein x Coreia do Norte na Copa de 2010.
Enquanto isso, um dia de trabalho comum se alonga em Buenos Aires. Nos cafés, ninguém lê os cadernos esportivos; nos televisores, não se fala sobre futebol.
Buenos Aires tem uma dezena de estádios e times de primeira divisão. Todos com torcedores cativos, seja no próprio bairro ou espalhada entre "hinchas" de todo o mundo.
Torcida que canta o jogo todo e sofre a vida inteira.
Eles merecem um convite para a festa.
Foi dramático, sim. Principalmente depois da queda em La Paz e da deserção de Riquelme.
A verdade é que o time argentino não é um sonho. Possui atacantes bons em má fase e defesa ruim sem boa fase que dê jeito.
Roman se desligou, mas ele sempre andou meio desligado nos momentos importantes; no Villareal, na seleção, mesmo no Boca.
Bastava recorrer a Diós, já que o mago Bianchi não estava disponível. Mas até mesmo para os gênios, ou principalmente para eles, fazer é muitas vezes mais fácil do que ensinar.
A Argentina está na Copa. O Uruguai quase. A festa fica melhor com eles.

domingo, agosto 31, 2008

A seleção brasileira é 170% honesta?

Ao procurar a notícia da próxima Copa, ver a postagem anterior, encontro a seguinte notícia:

Report: World Cup Match May Have Been Fixed

A match at the 2006 World Cup involving five-time world champions Brazil may have been rigged by an Asian betting syndicate, an investigative journalist claimed in an interview with a German magazine.

Deutsche Welle, Sports, Soccer 30.08.2008

Essa vale a pena traduzir:

Reportagem: Jogo de Copa do Mundo pode ter sido combinado

Um jogo da Copa do Mundo de 2006 do Brasil pentacampeão mundial pode ter sido manipulado por uma máfia asiática que controla apostas. Um jornalista investigativo alegou isso em uma entrevista a uma revista alemã.


A revista alemã em questão não é qualquer uma, é a Der Spiegel. Um dos mais importantes informativos da Alemanha.

Eu não ficaria nem um pouco espantado se essa notícia for verdadeira. Afinal, não são só os políticos que gostam de dar uma gorjetinha para que um guardinha de trânsito não dê uma multa por aqui. O grampo que a Veja denuncia foi motivo, num caso bem parecido, para que o Nixon renunciasse à presidência estadunidense. Lembra-se do Caso Watergate?

Ou você colocaria as suas mãos num fogaréu desses pela impoluta CBF?
O quadro A traição de Judas, de Giotto, mostra que não seria novidade.


Abraços,

segunda-feira, junho 16, 2008

O que falta para o Dunga cair?

O anão vai mal das pernas curtas. Afora o puxa-saquismo de Galvão Bueno e Companhia, não imagino que outras forças podem ser a favor de sua permanência à frente da Seleção Brasileira. Todos nós sabemos que interesses outros que não apenas a competitividade regem a escalação do time; caso contrário, não teríamos tantos jogadores de baixa qualidade e não teríamos relegados tantos bons jogadores somente porque disputam o Campeonato Brasileiro.

Então o que mais é necessário para trocarmos o técnico? Perder para a Venezuela, algo inimaginável há... uma semana?! O maior saco de pancadas da América do Sul colocou dois gols no Brasil e demonstrou que qualquer time pode nos bater. Isso parece não ter sido suficiente, pois o querido locutor da Rede Globo disse: "Não há crise nem nada disso". Não há?

Ontem perdemos do Paraguai e tive de ver aquele gordo atarracado esculhambar o meu segundo time, depois de humilhar o meu primeiro. Quarta, a peleja é contra a Argentina, que já mostrou não ser essa coca-cola toda e que ultimamente tem amarelado para o Brasil. Será que é a redenção de nuestros hermanos?

Não sei o que será necessário para trocarmos o nosso técnico. Vejo o Dunga como um novo Lazaroni – responsável pela Era Dunga e que teve seu lugar na História marcado pela pífia campanha da Copa de 1990, em que deixou Renato, Bebeto e Romário no banco para privilegiar Careca e Müller.

Talvez uma eliminação precoce nas Olimpíadas salve o Brasil de ficar fora de sua primeira Copa do Mundo. Se for o caso, que seja. Mas acho que o resultado desta semana será mais do que suficiente para o anão se despedir de vez de sua participação na CBF.

quarta-feira, outubro 31, 2007

Enquanto isso... na sede da FIFA


Ontem, aconteceu o que todos já sabiam.

Dos comentários que li e ouvi por ai, outra vez, o que mais gostei foi o que o Juca Kfouri falou na Rádio CBN. Ele disse que a COPA de 2014 aqui é mais uma que as nossas elites fizeram sem levar em conta o povo. Não escutei nenhum rojãozinho.

A segunda COPA no Brasil não terá o impacto social de eventos históricos como a Independência, a Proclamação da República, o Estado Novo ou a própria Constituição Cidadã. Mas os interesses do povo brasileiro estarão atrás de vários outros.

Pera ai, o bem dos cidadãos já está atrás de outros menores, segundo informa-me o Noblat: Vem aí a CPI do Corinthians. O blogueiro-jornalista coloca que já tem pressão para que congressista retire a sua assinatura do pedido antes que a CPI seja instalada e não tenha mais volta. Parece que Governador que quer sediar alguma coisa em 2014 já tá tentando agradar aos que comandam nosso futebol.

Abraços,

domingo, setembro 30, 2007

E a Marta ficou mais para Zizinho

Diante da derrota na final, fiquei pensando no desastre que a Marta viveu. Não chegou a ser um Maracanazo, o fato é que a melhor jogadora da Copa do Mundo ficou mais perto do Mestre Ziza do que do Rei Pelé.

É curioso que a Alemanha campeã conquistou o Bi, da mesma forma que o Uruguay de 50, jogando com base na raça e na disciplina tática que é característica da mentalidade germânica.

De qualquer forma, creio que o nosso futebol arte tem um fôlego a mais na bola que as meninas jogam.

Não sei se é um conforto para a Marta, mas o Zizinho nunca foi esquecido. As palavras do Carlão demonstram:

Thomaz Soares da Silva, Zizinho, Meste Ziza foi mais um dos gênios que as lentes da televisão não registrou. Quem viu, viu. Quem não viu, leu, e se encanta igualmente.

O craque passou para o céu no dia 8 de fevereiro de 2002, infarto.


Assim, acho que não é um consolo. Só queria dizer que a Marta não será esquecida:

Abraços,

terça-feira, março 20, 2007

Projeto uruguaio do Tri na África do Sul


A Austrália não joga mais nos torneios promovidos pela Confederação de Futebol da Oceania. Disputa os da Ásia. Quer torneios mais disputados para que seu jogo cresça.

Assim, a Asociación Uruguaya de Fútbol tem uma chancha de ouro. Afinal, o grande problemas deles para chegar à etapa final da Copa passada era vencer a Austrália e falharam. O caminho para o Tri está aberto. Quem impedirá Lugano de comemorar este título e virar herói nacional?

Afinal, na última Copa, o futebol retranqueiro da Itália conquistou o título. A maré tá mais pros uruguaios do que para nós. O Brasil ainda não produziu craques a altura da seleção do Felipão. Tá todo mundo na promessa. O Kaká, o Diego e o Robinho ainda não mostraram-se dignos de um título mundial. Todos têm futebol, mas é necessário futebol, sorte e garra para hexa ser brasileiro. Acho que é um pouco da virtú que Nicolau Maquiavél nos ensinou.

Abraços,