quinta-feira, setembro 07, 2006

Narrar futebol pelo rádio é uma arte

Nunca tive uma voz possante, vibrante; pelo contrário, sempre falei bem pausadamente e num tom discreto. Ou seja, não serei o sucessor do finado Fiori:



Bem atento à minha limitação vocal, nunca me aventurei por esses espaços. O máximo que fiz foi ir a um caraoquê em um aniversário ou outro por ai.

Atualmente, decidi dar um jeito na minha voz. Quero gravar a leitura de bons livros escritos em português para o sítio LibriVox -"libertação acústica dos livros em domínio público". Ou seja, é um lugar onde se encontra uma gravação que qualquer mortal pode fazer da leitura de um livro que goste. É um bom para aprender um idioma estrangeiro também.

O que tem a ver esse papo com o futebol?

Não me perdi! Como quero gravar a leitura do Primo Basílio para o LibriVox, estou dando umas ensaiadas e, com essas tentativas, percebi que o Giglioti era um gigante! Percebi que narrar um jogo de futebol não é algo simples e tranqüilo.

Toda uma estética foi montada pelo Fiori de modo, creio, artesanal. Não se cria uma paixão do nada e o gosto do brasileiro pelo futebol se deve à capacidade dos locutores de rádio em encantarem os seus ouvintes. Eles tinham Pelé, Didi, Diamante Negro e Garrincha; mas, sem as suas capacidades de transmitirem a beleza e a emoção, não haveria tantos amantes do futebol por aqui. Vejam o Villa-Lobos ou o Carlos Gomes, são gênios da arte como o Rivelino; mas sem quem os introduzisse ao brasileiro que habita o ponto de ônibus, o buteco e a feira, os dois ficam relegados a poucos espaços desse Brasil.

Os narradores de futebol da televisão de hoje em dia são uns seres menores perto dos narradores de rádio. Esses caras da telinha não conseguem criar seu próprio jeito de fazer seu ofício. Pensando bem, certo está meu pai que gosta de assistir aos jogos pela tv sem ouvir os incapazes do Galvão Bueno, Sílvio Luiz e cia.

Abraços,

Um comentário:

Bruna disse...
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