segunda-feira, outubro 16, 2006

Sábado no Conde Rodolfo Crespi

O nome oficial do Estádio do Juventus não é Comendador, como coloquei em outro escrito. Mas como a mensagem foi minimamente entendida, tá tudo bem. Até no sítio da Gazeta Esportiva está escrito Comendador.

Bem, após essa introdução meio boba, vamos ao que interessa na Rua Javari!

É um estádio sem iluminação, os jogos começam sempre lá pelas 3 da tarde, que mantem uma arquitetura de outros tempos. No sítio do clube, tem um resumo bem legal da sua história. Desfiz uma erro que difundia por ai: a cor da camisa é uma homenagem ao Firenzi, não ao Torino, como pensava.

Mas não pensem que tudo é passado na Rua Javari, a Ju Jovem está ativa.
Os caras fazem avalanche antes que a moda fosse lançada aqui no Brasil no Olímpico; cantam do começo ao final do jogo; e, após uma escandaloso penalty não marcado, dois torcedores mais exaltados foram conduzidos para fora do Estádio por colocarem em perigo o espetáculo. Se isso não é uma torcida organizada, não sei o que seria.

O ponto alto foi o doce que é vendido nos intervalos a anos. Em segundo lugar, foi uma muito interessante uma característica europêia que a Rua Javari ostenta.

Meu irmão ficou trabalhando em algum estádio londrino por um tempo, ele vendia cerveja no bar. Aqui, no terceiro mundo ou país em desenvolvimento, isso não é aceito pela PM paulista, por exemplo. Eu, não aceitando esta realidade, vi um cara passar por mim com dois copos de cerveja e um ar travesso. Como a meia dúzia de policiais militares já estavam muito ocupados com os torcedores, a entrada e a segurança do juiz, fui até o bar conferir qual era a estirpe daquelas cervejas.

Chego na vendinha e vejo várias propagandas de um cerveja sem álcool e pergunto para o senhor que cuidava do caixa:

-- Só tem sem álcool?

-- Xiiii! Prontamente, responde-me o senhor, já pegando uma fichinha. Eu também, rapidamente, peguei a carteira e paguei pela muamba. Olhares e meias palavras têm muitas significâncias.

Dirigi-me, com a ficha, ao lado, onde um outro funcionário do bar já enchia meu copo, de modo muito secreto, dentro de um dessas geladeiras horizontais, fora da minha vista. Acabei nem tendo a presença de espírito para perguntar qual a marca era a cervejinha secreta. Como não sei distinguir as marcas pelo paladar, ficarei na ignorância.

Pensei muito se deveria ou não divulgar esse desvio aqui. Como quem quiser ir tomar uma lá só vai poder fazê-lo no ano que vem e o público leitor deste blog não é muito em número, mas qualificado, acho que não terei problemas com a repercussão.

Abraços,